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Novidade!

26 de outubro de 2015 0

Olá! Você pode acompanhar informações sobre cultura e entretenimento em Santa Catarina em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento.

Público lota teatro Pedro Ivo para ver Z.É. (Zenas Emprovisadas)

26 de julho de 2015 0

Crédito: Marco Alonso/Divulgação. Espetaculo Z.E. - Zenas Emprovisadas.

Fernando Caruso, Marcelo Adnet, Gregorio Duvivier e Rafael Queiroga farão mais duas apresentações neste domingo em Florianópolis. Foto: Marco Alonso/Divulgação

Em Z.É. (Zenas Emprovisadas) tudo pode acontecer.  As surpresas começam já na entrada, onde o público recebe uma pequena ficha para preencher com sugestões de frases e palavras que servirão de base para  Gregorio Duvivier, Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga criarem situações hilárias e surreais ao longo do espetáculo.

Futebol, festival de dança, gírias locais, internet, tudo vira elemento para uma piada rápida e certeira. Em cartaz desde 2003 e assistida por mais de 150 mil pessoas, Z.É. é uma peça de amigos que queriam estar juntos no palco para um show sem roteiro previsível e engessado.

 

Apresentação na noite de sábado (25), em Florianópolis.

Apresentação na noite de sábado (25), em Florianópolis.

Apresentação na noite de sábado (25) em Florianópolis.

Apresentação na noite de sábado (25) em Florianópolis.

- Quando comecei a fazer o Z.É, eu tinha 17 anos, estava iniciando a carreira. O barato dessa peça é que todos somos muito amigos, uma família, parece circo! Já apresentamos em praticamente todas as capitais brasileiras e cada vez é única – conta Gregorio, que em novembro volta à Capital catarinense com outro espetáculo de improviso, o Portátil, em que atua ao lado de João Vicente de Castro e Luis Lobianco (do Porta dos Fundos) e Marcio Ballas.

Além das ideias vindas do público, há sempre um diretor convidado, geralmente um comediante amigo do grupo, que coordena a maratona de improviso e sugere desafios (em Floripa o convidado é o ator Marcius Melhem, de Zorra Total e Tá no Ar).

A possibilidade de acompanhar ao vivo o processo criativo de um comediante, o surgimento de piada em poucos segundos, uma sacada excelente, outra mais ou menos, gera uma cumplicidade imediata. Em vários momentos é impossível não se colocar no lugar do humorista desafiado e pensar “caramba, como ele vai sair dessa?”.

A “maratona” acompanhada por cerca de 700 pessoas na noite de sábado (25), no Teatro Pedro Ivo,  foi aplaudida de pé. Com pouco mais de uma hora de duração, Zenas Emprovisadas encerrou com a plateia emitindo um sonoro “aaaahh” de quem queria mais.

Como a procura foi grande, mais uma sessão foi aberta no domingo às 18h. Quem quiser conferir deve se apressar, pois restam poucos ingressos. Antes das próximas apresentações, os artistas descansam em Jurerê Internacional,  onde estão hospedados.

 

Leia entrevista com Gregorio Duvivier falando sobre a peça

 Agende-se  

O quê: Z.É. (Zenas Emprovisadas)
Quando: Domingo, 26 de julho às 18h e às 20h
Onde: Teatro Gov. Pedro Ivo, Rodovia SC-401, Km 5, 4600 – Saco Grande,
Quanto: R$ 80 inteira / R$ 40 meia. Assinantes do DC têm desconto de 50% com cartão do Clube do Assinante. Ingressos à venda no Teatro Pedro Ivo.

 

Cinema do Mercosul é destaque em Florianópolis

20 de junho de 2015 0

Sansara Buriti, especial
buritisansara@gmail.com

Diante de uma plateia muito bem agasalhada com casacos, gorros e cachecóis – na rua os termômetros variavam entre 11 e 12 graus ­–, surge na tela o sol inclemente e a paisagem seca do sertão. Em um vilarejo esquecido pelo tempo, três mulheres vivem histórias de amor e desejo no primeiro longa-metragem do pernambucano Camilo Cavalcanti. A História da Eternidade abriu a programação do 19º Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, na noite de sexta-feira (19).

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Camilo Cavalcanti apresentando o filme A História da Eternidade. (Foto: Daniel Guilhamet)

Vencedor dos cinco principais prêmios do Festival de Paulínia no ano passado ( melhor filme, diretor, ator (Irandhir Santos), atriz (dividido entre Marcélia Cartaxo, Débora Ingrid e Zezita Matos), o filme foi recebido com aplausos e comentários sobre a bela e impactante fotografia de Beto Martins.

Para quem perdeu a abertura, a boa notícia é que mais 49 filmes serão exibidos gratuitamente até 26 de junho.

Produções de oito países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai) apresentam um panorama diverso do que está sendo produzido atualmente na América do Sul, mas muitas vezes fica fora do circuito comercial de cinema.

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A expectativa é receber 20 mil pessoas nesta edição. (Foto: Tim Gerlach)

– Queremos oferecer mais do que entretenimento. O FAM é um espaço para o cinema de arte, cinema que propõe reflexão – destacou a diretora de mostras do festival, Marilha Naccari, durante a cerimônia de abertura.

Embora tenha 19 anos de estrada, o FAM, assim como outros grandes eventos culturais da cidade, ainda enfrenta dificuldades para ser viabilizado. Este ano a indefinição do valor e data de repasse da verba aprovado pelo governo do Estado fez com que a programação fosse reduzida. Dois dias antes do festival começar o repasse de R$300 mil reais ainda não estava oficialmente autorizado.

– A gente trabalha sem saber se vai conseguir fazer o festival – disse o coordenador geral, Antônio Celso dos Santos.

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Antonio Celso dos Santos, idealizador do festival, fala dos desafios de produzir o evento. (Foto: Daniel Guilhamet)

Apesar dos impasses, mais uma edição do FAM chega ao público. E é bonito ver como ele agrega tanta gente diferente. Cineastas, estudantes, gente que conhece o festival há anos, gente que vai pela primeira vez. Para quem reclama da falta de opções culturais na cidade, vale sair da frente do Netflix e conferir a programação.

No sábado, às 16h30, o documentário catarinense Desculpe Pelo Transtorno – A História do Bar do Chico, traz a história de um pescador cujo pequeno bar à beira-mar tornou-se o “marco zero” na batalha de uma comunidade contra o desenvolvimento desenfreado da região.

Às 18h30, os músicos Jean Mafra e Felipe Melo se apresentam no hall de entrada do festival. A partir das 19h é a vez da Mostra de Curtas Mercosul. O filme colombiano Los Hongos encerra a noite de sábado, às 21h, com a história de um jovem grafiteiro que não consegue dormir.

No domingo, às 21h, a última produção realizada pelo cineasta Penna Filho, que morreu em abril deste ano, poderá ser conferida pela primeira vez. Das Profundezas aborda a trajetória de uma família de trabalhadores das minas de carvão no sul do Estado, entre 1964 e 1987, com o envolvimento na resistência à ditadura militar e numa greve histórica para o movimento operário.

Agende-se:

O quê: FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul)
Quando: 19 a 26 de junho
Onde: Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Trindade.
Quanto: gratuito

Confira a programação completa no site famdetodos.com.br

 

 

Minha crítica de haole ao show do The Dolls

29 de maio de 2015 0
Os manés do underground curtindo a volta do quarteto (Fotos: Diórgenes Pandini)

Os manés do underground curtindo a volta do quarteto (Fotos: Diórgenes Pandini)

Na tentativa de voltar à ativa, depois de 10 anos fora do circuito, a banda The Dolls tocou nesta quinta (28) para os nostálgicos do underground manezinho da Ilha. Fui ao Blues Velvet – a “casa da paquera” de Florianópolis – ver o revival e me impressionei com a produção. Ou melhor, com a falta dela: em boa parte do show, por exemplo, o microfone do vocalista Asdra Martin simplesmente não funcionou, deixando o cara puto a ponto de, no fim da apresentação, jogá-lo no chão várias e várias vezes.

Nunca fui fã de punk rock, mas aqueles quatro – Asdra Martin (vocal), Bruno Barbi (baixo), Domingos Longo (guitarra) e Xando Passold (bateria) – me deram a noção do por quê, uma década atrás, essa anarquia musical levou tantos moleques para o underground ilhéu. Basicamente, é um som raivoso embalando uma galera ainda mais raivosa. Acabou sobrando até pro meu brother fotógrafo. Após disparar inúmeros flashes na cara de cada um, tomou umas baquetadas e uns “vai se f…!”. No fim, fizeram as pazes e ficaram “de bem”.

 

Enfim, apesar do aparente fiasco, o público curtiu, e muito. As testemunhas tietaram e cantaram junto (compensando as falhas do microfone) o show inteiro, dando uma baita moral para os feras. Um cara até me disse que a música Junky Doll era um hino da época. “Muita gente veio me dizer que achou animal, legal e tal. Mas a gente pode fazer bem melhor, a gente tem convicção disso!”, publicou mais tarde Domingos no Facebook, ameaçando que “o próximo vai ser BEM melhor!”.

 

Nascido no interior de São Paulo e haole em Florianópolis há reles cinco anos, nunca vi uma raça curtir tanto um show tão zoado. Na região campestre de onde venho, essas coisas não acontecem. Fiquei de cara com a tosquice & loucura que foi o show do The Dolls. Talvez até apareça no próximo.

Jurerê Jazz: Baile cubano do Buena Vista Social Club faz poltronas do CIC tornarem-se inúteis

19 de maio de 2015 8
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Aguaje, Barbarito e Papi Oviedo (sentados): nostalgia sem espaço para a tristeza (fotos: Marco Fávero/Agência RBS)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

Principal atração da quinta edição do Jurerê Jazz, o Buena Vista Social Club encerrou o festival com um show que só não transformou o Teatro do CIC em um salão de baile cubano porque as cadeiras impediram. Ao contrário de um certo clima melancólico que permeia mesmo as músicas mais ligeiras de seu único disco de estúdio (gravado em 1987), ao vivo o grupo emana uma vibração que acaba contagiando inclusive os momentos mais intimistas da apresentação em Florianópolis.

O frisson que a orquestra provoca pôde ser sentido já na abertura, com o palco ocupado somente pelo jovem pianista Rolando Luna executando Como Siento Yo. O tema, lento e instrumental, aumentou a expectativa para a entrada dos señores. Jesus “Aguaje” Ramos, 64 anos, trombone de vara, regendo o espetáculo. Gilberto “Papi” Oviedo,78, guitarra, e Barbarito Torres, 59, alaúde, sentadinhos. Manuel “Guajiro” Mirabal, 82, trumpete, engrossando o naipe de metais. Que figuras!

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Completado por três percussionistas (timbaus, congas e bongô), dois trompetistas, um baixista e os vocalistas Carlos Calunga e Idania Valdés, esse time levou a primeira parte do show portando-se, como era de se esperar, mais como uma banda tributo ao Buena Vista Social Club. Orlando “Cachaíto” Lopez (1933-2009), Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Manuel Galbán (1931-2011) foram lembrados em vídeo enquanto Tumbao, Bruca Manigua e Marieta Lute evitavam que a saudade se transformasse em tristeza.

A situação muda quando aparece Omara Portuondo (com os fotógrafos proibidos de trabalhar). Aos 84 anos, “a mais bonita, a mais sexy”, conforme saudada por Ramos, locomove-se com dificuldade – até se esquecer de sua condição e virar dona do negócio. A grande dama da música cubana botou para quebrar.Em No Me Llores e Quizas Quizas Quizas, puxou palmas, levantou Papi para solar, insinuou passinhos de dança, pediu para o povo ficar de pé. Em Veinte Años e Besame Mucho, descansou soltando o vozeirão ao piano de Rolando.

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Omara deixou o palco para um dos maiores hits do grupo, Chan Chan, exibir imagens de Compay Segundo (1907-2003). Alguém estende uma bandeira de Cuba na beirada do palco. Antes do coxinha que pagou 450 paus pensar em protestar contra a “invasão comunista”, El Quarto de Tula recorda Pío Levya (1917-2006) e ameaça fechar a noite. No bis, com Omara novamente, Dos Gardenias e Candela reforçam a inutilidade das poltronas. Calunga e Barbarito ainda desviam do caminho do camarim para autografar a bandeira.

Tanto faz que ficou faltando Rubén González (1919-2003) no rol dos homenageados – segundo o setlist, o pianista seria invocado na primeira música (não rolou). Ou que, dos 14 em cena, apenas Barbarito, Mirabal e Omara restaram da formação original. Dizem que esta será a última turnê dos cubanos. Quem viu, viu; quem não viu, babau. Mas a despedida periga ser adiada: eles nem haviam se apresentado em Florianópolis e mais dois shows foram anunciadas pela organização do Jurerê Jazz para dezembro. Que isso se confirme sem mais ninguém no telão.

Bárbara Sweet entrou nas batalhas de rap para azedar o machismo dentro e fora dos palcos

17 de maio de 2015 0
A rapper mineira Barbara Sweet é doce, mas só enquanto não ataca o machismo (Foto: Barbara Sweet, Divulgação)

Sweet ganhou dos homens nas duas batalhas que participou na Ilha

A rapper Bárbara Sweet quebrou a banca e ganhou na batalha de rap (disputa de improvisação de rimas) que aconteceu neste sábado (17) na Udesc, durante a programação da II SAPo (Semana de Arte Popular). A mineira chegou em Florianópolis na quarta (14) e participou da tradicional Batalha da Alfândega – que acontece toda quinta-feira, no Centro -, onde também levou a melhor em cima de todos os homens com quem disputou.

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Post que a rapper fez depois de vencer a Batalha da Alfândega na quinta (14)

Nascida na capital mineira com o nome Bárbara Bretas Coelho, Sweet foi uma das primeiras a se se popularizar no “rap das minas“. Este movimento cresce cada vez mais, com as mulheres ocupando o ritmo tradicionalmente conhecido por seus expoentes masculinos, como Racionais MCs, Criolo e Emicida.

Saiba mais: show do Facção Central é cancelado em Florianópolis

A rapper, em para o Anexo Em Cartaz, contou um pouco como é ser mulher, feminista e ativa nesse cenário:

- O que a gente fez em Minas Gerais transformou muita coisa. A gente conectou as “muié” – explicou Bárbara Sweet, falando sobre as mulheres que hoje participam das batalhas de rap.

- É um espaço de empoderamento “sinistro” para mulher. Às vezes elas falam “Ah, eu fui na batalha e o cara me chamou de vadia, falou dos meus peitos, falou da minha bunda” e eu respondo “Mano, quantas vezes o cara já te chamou de vadia na rua? Quantas vezes o cara já falou dos seus peitos e da sua bunda na frente de uma obra? Aproveita que na batalha você tem um minuto e meio pra responder”.

No palco da II SAPo, a mineira de irreconhecíveis 29 anos e alcunha doce desvelou a amargura do machismo dos oponentes, todos homens. Como ela mesma diz, essa maioria masculina e machista é “coisa bem comum nesses espaços”.

- Na batalha a galera responde. Sabe por quê? Porque, na batalha, você quer ver o oprimido virar rei.

Na leveza do groove, o trio carioca Azymuth abre o Jurerê Jazz

30 de abril de 2015 0
O trio carioca Azymuth faz o show de abertura do Jurerê Jazz (Foto: Charles Guerra)

Banda fundiu bossa nova, samba e jazz no Teatro Pedro Ivo (Foto: Charles Guerra)

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com

A julgar pela abertura do Jurerê Jazz, na quarta-feira, a quinta edição do festival vai entrar para a história. O show que o Azymuth cometeu no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, lembrou por que a música brasileira é reverenciada pelo mundo: por causa do ritmo, da harmonia e, no caso do trio carioca, da excelência em fundir estilos como bossa nova, samba e jazz para formar uma massa compacta de groove e leveza.

Confira 13 destaques do Jurerê Jazz

O trio Azymuth comemora 40 anos em festival de Florianópolis

O baterista – e “mestre de cerimônia” – Mamão alternava viradas de dar inveja a muito roqueiro com sutis intervenções em que o volume das batidas era modulado apenas com a força empregada nas baquetas. Ivan Malheiros, no baixo, conduzia o balanço com segurança, provocando solavancos propositais com slaps esparsos. E Kiko Continentino, integrado há apenas quatro meses, transformou os teclados em uma usina de timbres, honrando o legado do falecido José Roberto Bertrami.

A banda comemorou 40 anos de carreira com clássicos como Voo Sobre o Horizonte, Faça de Conta, Partido Alto, Meditação (de Tom Jobim) e, lógico, Linha do Horizonte, que fechou a noite com o público cantando junto. O Jurerê Jazz continua hoje, com as bandas Rivo Trio e Brass Groove Brasil de graça às 17h e às 19h no Jurerê Open Shopping.

Iniciantes e veteranos dividem o mesmo palco no Floripa Tap 2015

11 de abril de 2015 0

 

Sansara Buriti

buritisansara@gmail.com

Começo dizendo que nunca tinha visto um espetáculo de sapateado. Sempre pensei nesse estilo de dança como algo tipicamente norte-americano, bonito nos filmes e na Broadway, mas muito distante da nossa cultura brasileira. Ontem (10), durante a noite de abertura da quinta edição do Floripa Tap – Encontro Internacional de Sapateadores, presenciei belos números de sapateado ao som de samba, maracatu, forró e baião, que comprovam que uma das virtudes da arte é justamente a capacidade de agregar, de misturar e ser universal.

Com música ao vivo, tocada pelos artistas Luiz Gustavo Zago, Rodrigo Paiva, Alexandre Damaria, Rafael Calegari e Pedro Loch, as performances com ritmos brasileiros ganharam ainda mais força e emoção. Mas boa parte do espetáculo foi ao som de música mecânica e, claro, ao som dos sapatos. Em alguns números achei a música um pouco alta, e isso acabou dificultando ouvir os passos dos dançarinos.

Com quase duas horas de duração, a abertura do evento começou com cara de apresentação de fim de ano de escola de dança: pais exaltados, aplaudindo fortemente os números de seus filhos iniciantes na dança.
Mas o show foi ganhando ritmo e o público pode conferir apresentações incríveis de veteranos como Lane Alexander.

O grupo Northwest Tap Connection, dos Estados Unidos, foi uma das boas surpresas. Extremamente bem ensaiados e com uma sincronia impressionante, arrancaram gritos e palmas de um CIC lotado.
As projeções de vídeo e a brincadeira com sombras na iluminação proporcionaram momentos interessantes.
Ao longo de 16 números, ficou evidente que para sapatear é preciso muita, muita prática, concentração e dedicação.
Lane Alexander, que já sabe muito bem o caminho, ensina:
- É preciso paixão, paciência e prática.

O Floripa Tap segue até domingo. A programação e informações estão no site: floripatap.com.br

Estilos contrastantes de Isabela Teixeira e Bruno Barbi se colidem e se completam em mostra no CIC

08 de abril de 2015 0
Exposição Entre o Retrato e o Abstrato, dos artistas Bruno Barbi e Isabela Teixeira (Foto: Cristiano Estrela)

O retrato de Bruno Barbi e o abstrato de Isabela Teixeira compõem a mesma pintura

Emerson Gasperin
emersongster@gmail.com


Dois artistas plásticos, dois estilos e dois públicos encontraram-se ontem à noite no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Isabela Teixeira, arquiteta, ligada à moda por meio da grife UseArte. Bruno Barbi, também arquiteto, baixista da extinta banda The Dolls.

Juntos, atraíram fashionistas, roqueiros, intelectuais, publicitários, cineastas, agitadores culturais e demais profissões-que-não-exigem-diploma para a abertura da exposição Entre o Abstrato e o Retrato.

Fotos: Cristiano Estrela

– Eu estava com o espaço reservado para fazer uma individual, então convidei o Bruno para expor comigo, já que ele tem um estilo totalmente diferente do meu e queríamos trabalhar esse contraste – explica Isabela, que conheceu o parceiro de mostra quando ambos estudavam na Udesc.

Leia mais sobre a exposição

Nos 15 trabalhos dela, sobressaem as formas não definidas, que utilizam-se de diversas técnicas para denotar múltiplos significados. Nos 15 dele, predominam os negros pintados com traços fortes em tons pastéis.

As quatro telas que pintaram juntos acentuam – e conjugam – essas diferenças, valendo-se do melhor de cada um para produzir um resultado original. Até o final da mostra, no dia 21 de abril, a dupla vai preencher ainda uma tela de quatro metros no local.
Serviço

O quê: Exposição Entre o Abstrato e o Retrato

Onde: Espaço Lindolf Bell, no Centro Integrado de Cultura (CIC) (Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis

Quando: abertura hoje, das 19h às 22h. Visitação: até 21/04/2015, de terça-feira a domingo, das 10h às 22h

Quanto: gratuito

 

Psicodália 2015: Lama, música e psicodelia no carnaval em SC

18 de fevereiro de 2015 4

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Texto:
Gabriel Rosa
Fotos: Diorgenes Pandini

Lama, lama, lama, lama. Por todo o lado. Na entrada da barraca, no caminho para a barraca, na frente do palco, embaixo das botas, dentro dos espaços fechados e para qualquer lugar que se olhasse. Um maluco sem camisa usando uma capa de chuva passeia na estradinha, tocando no triângulo uma batida genérica. É seguido por uma pequena plateia de 15 pessoas, algumas batem palmas e outras cantam qualquer coisa, pulando de Dominguinhos para Tim Maia e para Tom Zé.

Essa sempre foi a simplicidade mágica do Psicodália, um alívio no restrito cenário musical de Santa Catarina. Um megashow com milhares de pessoas ou uma roda de violão, qualquer coisa serve. Em 2015, a chuva constante diminuiu gravemente os ânimos, mas não impediu os mais empolgados de se enfiarem até a canela na lama para assistir Ian Anderson, Arnaldo Baptista, Baby do Brasil, Júpiter Maçã e Jards Macalé. O festival ocorreu em Rio Negrinho, no Norte de SC, e terminou nesta quarta-feira (18).

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São cinco dias seguidos em que o horário é medido pela luz do sol ou pela programação dos shows. De famílias com oito horas de sono por dia a malucos que só vão dormir no fim do festival, todo mundo sempre conseguiu encontrar seu espaço: oficinas, bandas de todo o país, música até quase amanhecer. Imersão é a expressão que melhor resume o Psicodália.

Um revival de um tempo onde ninguém se importava com a seriedade da vida, misturado a um tempo onde todo mundo se preocupa até com o destino de sua bituca de cigarro. Pode ser um hippie-chique sustentado pelos pais e frequentador de baladinhas na Lagoa da Conceição, um metaleiro cabeludo ou um vendedor de artesanato que mora numa comunidade hippie. Você pode ser sujo e autodestrutivo, mas se jogar lixo no chão, leva esporro do vizinho.

Será que eu vou virar bolor?

Camisetas dos Beatles, The Doors, Rolling Stones, Raul Seixas, Janis Joplin. Bottons e bandeiras com rostos e bandas de artistas mortos, aposentados ou convertidos. Meus heróis morreram de overdose, outros apenas envelheceram e viraram caretas. O Psicodália é aquele lugar onde pessoas avessas ao som do momento e aos rituais carnavalescos conseguiram usar o feriadão para ver de perto algumas das figuras que protagonizaram os momentos mais importantes da música brasileira recente, mesmo que estas já estejam mais para o lado de lá que para o de cá.

Uma multidão na faixa etária dos 20/30 se amontoando para um show de uma não-tão-Nova-assim-Baiana de 64 anos, pastora com requintes de Calypso e gritos de glória a deus – mas tocando músicas de um tempo em que maconha fazia parte do café da manhã, para satisfação da multidão.

Já Arnaldo Baptista, a pessoa mais feliz do Psicodália, encontrou o lugar perfeito para tocar do seu jeito de quem virou bolor, desvirou e agora é admirado por isso. A dificuldade do mutante em sincronizar voz, mão esquerda e mão direita é óbvia. Mas ninguém se importou. Todos o acolheram como merece, e foi a coisa mais bonita que vi em todo o festival: acabou o show, as pessoas pediram bis, ele voltou e tocou mais uma música. O nervosismo de um dos maiores gênios da história da psicodelia brasileira era evidente:

– Obrigado! Desculpa, viu? – e foi embora apressado, deixando a plateia com vergonha de pedir que ele voltasse mais uma vez.

Em 2014, por exemplo, o pernambucano Di Melo – que gravou apenas um disco em 1975, um dos melhores da black music nacional – se abalou ao encontrar tanta receptividade e tietagem num camping embarrado em Santa Catarina. Eu chutaria que jamais ele havia testemunhado um público tão feliz em tê-lo no palco. Chutaria também que ele não ficava tão feliz fazendo um show desde a década de 70, pois continua absolutamente fora da televisão e rádio.

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Esta é a principal marca do Psicodália: você assiste em SC o que jamais conseguiria sem viajar o Brasil inteiro. Já estive em shows de três Novos Baianos. Nos últimos anos vi o Sérgio Dias tocando sozinho, e com os Mutantes, e só o “Tudo foi feito pelo sol”. Casa das Máquinas, Sá & Guarabyra, Hermeto Pascoal, Yamandu Costa, Almir Sater, Wander Wildner, Made in Brazil e o Terço. Só o Alceu Valença eu perdi porque peguei no sono na hora errada.

É importante ressaltar que a grande maioria trata-se de bandas novas e em ascensão por todo o país, especialmente da região Sul. Trombone de Frutas, Charles Racional, Skrotes e O Terno são algumas das que mais me impressionam. Bandinha Di Dá Dó e Confraria da Costa são hors concours e sempre causam tamanha explosão na plateia que devem ser ouvidos até em Joinville. Mas os destaques são sempre as grandes e dinossáuricas celebridades:

This song was written in nineteen-seventy-two… in nineteen-seventy-four… nineteen-seventy-one… – explicava um grisalho e empolgado Ian Anderson antes de cada música para o maior público entre todas as atrações do evento.

Adeus, saloon!

O Psicodália 2015 foi o maior e mais organizado festival em que já estive, mas não posso dizer que que isso seja exatamente positivo. Pequenas alterações por todo o lado. Por exemplo: nunca havia visto um segurança (talvez eles sempre tenham existido e eu nunca tenha prestado atenção). Este ano, eram muitos os guardas privados fantasiados de Bope caminhando pelo local. Boina, cassetete, roupa preta. Era impossível confundi-los.


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Espaços antes livres agora são cercados. Portas fechadas, muita fila. Placas de “somente funcionários” e “proibido entrar” me chamaram a atenção, imediatamente me lembrei da única placa que vi no ano passado, de “proibido proibir”. O público cresce, é preciso criar mais regras.

– Me vê uma lata de cerveja por favor?

– Cara, aqui no restaurante só vendemos cerveja gourmet.

Em edições anteriores, passei noites e noites enfurnado naquele espaço de madeira batizado de saloon, ao lado do palco principal, dançando rodeado por outras pessoas que também não sabiam que horas eram até que já estivesse amanhecendo. Rodas de samba, reggae, bandinha alemã, rock and roll. Algumas de minhas melhores lembranças do Psicodália foram criadas dentro do saloon.

Aos marinheiros de primeira viagem: até ano passado, o Palco dos Guerreiros funcionava naquele espaço de madeira onde, em 2015, foi o restaurante. Muito melhor que o palco, era uma ilha quentinha e acolhedora no mar de lama em festivais chuvosos, como foi em 2013 e em 2015. Este ano, trocaram por um buffet de R$ 34 o quilo.

Os preços, por sinal, restringiram muito o público (que sempre foi bastante restrito). O passaporte médio aumentou muito em relação ao ano. As comidas também encareceram. Na verdade, tudo encareceu: R$ 4,20 numa lata de cerveja (comum, não gourmet. Essas estavam R$ 10, R$ 12) e R$ 8 numa fatia de pizza é preço de ambulante em festa de rua.

Isso muda – e muito – o tipo de público. A elitização de um evento como o Psicodália afasta aquele artista de rua molambento que vende CDs para pagar a viagem e aquela hippie que faz dreads para se sustentar, e essas são algumas das pessoas mais legais. Isso já ficou claro em 2015 e, caso continue nesse ritmo, tenho medo que o festival caia na armadilha de virar mais um Lollapalooza.

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