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Posts na categoria "Teatro"

Teatro de Quinta - O Retorno

14 de dezembro de 2014 0
Irmã Frida

Irmã Frida

O Malaco da Costeira (meliante da Coxxxteira, não tem?) abriu a primeira noite do fim de semana de revival do Teatro de Quinta. Personagem do ator Igor Lima é hilário: uma releitura debochada daquele tipo manezinho da Ilha invocado. O humorístico, que em 2014 completou 10 anos de criação, não era apresentado desde 2011. Com grande parte do elenco na cidade, os atores decidiram se reencontrar para dois dias de apresentações no Teatro da Ubro e matar as saudades. Público ficou tão empolgado que os ingressos para as duas noites esgotaram e foi preciso uma sessão extra neste domingo.

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Seis personagens do Teatro de Quinta participam do retorno. Irmã Frida, personagem de Malcon Bauer, foi a segunda a apresentar seu número. Uma freira fofa que dá aulas de educação sexual. Há algum tempo Bauer não se apresentava com a Frida interagindo com a plateia. Deu sorte de um rapaz muito disposto entender o alemão enjambrado e que topou brincadeiras no palco.

Malaco da Costeira

Malaco da Costeira

Janeide, a faxineira interpretada por Grazi Meyer, voltou com a mesma língua afiada para escatologias. É uma personagem que mexe com questões politicamente incorretas e fez todo mundo gargalhar. A Lorelei, de Monica Siedler, é uma meiga (só que não!) tirolesa que desafia a morte. Personagem que pouco fala, mas muito grita, e faz graça com elementos simples.

Janeide

Janeide

A atendente de check in Heide voltou com inglês e espanhol ainda mais afiado. E crises de TPM supercômicas. Ela é a personagem da atriz Milena Moreaes, que viveu uma experiência real de trabalhar em companhia aérea e consegue trazer ironia fina para Heide. Cleosvaldo, o cobrador de ônibus  criado por André Silveira que chegou a integrar o programa de humor Zorra Total, da TV Globo, apresentou as piadas e os bons e péssimos momentos da vida de quem trabalha no transporte público.

Heide

Heide

O espetáculo teve pouco  mais de uma hora, com intervenções de cada personagem e dois números coletivos.

_ É tudo revival e alguns números foram adaptados _ disse Milena Moraes ao final da apresentação.

Embora cada um dos personagens do Teatro de Quinta não tenha deixado de existir com a extinção do humorístico e até integraram projetos individuais de cada integrante, os próprios atores admitem que para esse retorno a expectativa e o nervosismo foi bem grande.

1 - Cleosvaldo - ator André Silveira

Cleosvaldo

_ Acho que mais do que fazer um projeto para a volta do Teatro de Quinta, o mais legal é esse reencontro _ diz Igor Lima.

E há gerações diferentes de atores do elenco flutuante do projeto que nunca tinham se apresentado juntos, como André Silveira, do começo do humorístico, e Monica Siedler, que entrou depois.

Num ano em que a cena de humor ficou de lado diante de outros gêneros teatrais na cidade, a volta do Teatro de Quinta foi felizmente bem recebida. Uma possível volta do projeto não foi descartada. De toda maneira, vale a pena relembrar os bons tempos com as duas apresentações deste domingo.

Agende-se

O quê: Teatro de Quinta
Quando: domingo, às 19h e 21h (lotado)
Onde: Teatro da Ubro (Escadaria da Rua Pedro Soares, Centro, Florianópolis)
Quanto:  R$ 40 / R$ 20. Ingressos à venda no Portal Nós Vamos (www.nosvamos.com.br)

Lorelei

Lorelei

Rádio Loquaz, do grupo Dromedário Loquaz: arte que transforma. Não deixe de ver

06 de novembro de 2014 0

Rádio Loquaz Ator Sérgio Bellozupko Foto Cristiano Prim

Sérgio Dimas Bellozupko e Cezar Pizetta Fotos Cristiano Prim/Divulgação

Por Cris Vieira

A arte pode nos salvar. Os técnicos da psiquê, da ONU, os sociólogos… Estes devem ter explicações científicas para a afirmação.

A frase ia e voltava em minha mente durante todo a performance do excelente Rádio Loquaz _ ZYK 693 Pausas de Se Ouvir, da balzaquiana trupe Dromedário Loquaz (a peça segue em cartaz até domingo em Florianópolis). Suponho que minha explicação ao pensamento seja mais vira-lata. Mesmo assim, compartilho:

A arte - a de verdade, não o entretenimento com o objetivo fugaz de reproduzir consumismos e estereótipos - é de uma beleza seminal e promove um encontro com o humano, com o “nós”, tipo, dá liga. “Insightei”, vem um ahhhh, faz sentido. Espontaneamente, enquanto se consome cultura da boa, o corpo desfaz couraças, relaxa, conecta-se com o que realmente vale a pena. O mundo feroz lá de fora fica feio, intransigente. No sense. Dá-se um passo em direção à compreensão das coisas da vida. Ri-se ao espectador do lado para, quem sabe, deixar o teatro para mudar comportamentos.

Leia mais sobre o espetáculo

Quando se apresenta um grupo como o Dromedário Loquaz, com DNA de Isnard Azevedo, há uma dignidade nata e um respeito mútuo entre público e cia. Rádio Loquaz começa com um baile. E, nós, espectadores podemos dançar sambas clássicos e/ou cantar “há um bíquini de bolinha amarelinho…” Com uma tacinha de champanhe nas mãos, servida na entrada.

Poucos dos 40 presentes - número máximo de plateia para a peça - dançam. A maioria observa. Mas o riso, aquele da conexão, está ali.

Rádio Loquaz Ator Vilson Rosalino Foto Cristiano Prim

Vilson Rosalino em ação

Os seis atores posicionam-se entre nós. Tão perto que é possível sentir a tensão da estreia, perceber a desenvoltura da expressão corporal e a concentração para atuar imune ao barulho do ventilador. O lugar também ajuda a criar o clima de magnitude. O Museu da Escola Catarinense, espaço revitalizado e devolvido ao Centro da cidade pela Mostra Casa e Cia do ano passado (promovida pelo Diário Catarinense), é por si só nobre.

A peça é para celebrar os 33 anos do grupo Dromedário Loquaz. Mas há pouca referência no texto sobre a história da trupe, apenas no início quando o grupo afirma: resistimos.

O meio rádio é o protagonista. O espetáculo é transmitido ao vivo pela internet. Ruídos permeiam todo a peça.
As divas do rádio são interpretadas, e a cor local dá o ar de sua graça. Interpreta-se a catarinense Neide Mariarrosa, cantando Eu Sou Assim, de Zininho. Eugenio Menegaz toca piano ao vivo. Aplausos!

As notícias de ontem que poderiam ser de hoje são o momento bem humorado e crítico da peça. Destaque para a reprodução de uma notícia de rádio de 1985 sobre o transporte coletivo local: tem poucos horários e não tem ônibus depois da meia- noite, justo em uma cidade turística?!?!

Rádio LOquaz Atri Diana Adada Padilha Foto Cristiano Prim
Mas a trama prende mesmo a atenção do público quando começa a radionovela. O amor nos tempos de guerra entre Gerturd e Hermann é interpretado com sapiência, seja no figurino, na sonoplastia ou na qualidade da atuação de Cezar Pizetta e Diana Adada Padilha (foto). Transporta o público aos áureos tempos do rádio.

Aplausos, agora, de pé. O belo Dromedário está de volta entre nós. Não deixe de ver.

 

Agende-se
O quê: espetáculo Rádio Loquaz _ ZYK 693 Pausas de Se Ouvir
Quando: de hoje a domingo e dia 28, às 21h; dias 29 e 30, às 20h e 22h
Onde: Museu da Escola Catarinense (Rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Florianópolis)
Quanto: R$ 20 / R$ 10 (meia), à venda. Os ingressos, limitados a 40, devem ser reservados pelo telefone (48) 9971-3128 e retirados na hora

Palhaçada Boa no Ri Catarina

02 de novembro de 2014 0

Se foto e texto tivessem som, você leitor estaria ouvindo agora gargalhadas. Mas daquelas de tirar o fôlego, das que fazem rolar de um lado ao outro no chão, em risos agudos e sinceros.  Na abertura  do Festival Internacional de Palhaços Ri Catarina, Carolino e Teotônio, palhaços do coletivo paulista Lume Teatro, protagonizaram cenas ridículas, delicadas e de doce ternura no espetáculo Cravo, Lírio e  Rosa.

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Foi pouco mais de uma hora e meio de espetáculo, sem falas, mas rico em expressão facial e gestos. Cravo, Lírio e Rosa já está há 19 anos no repertório do grupo. A história não é inédita: dois patetas que chegam com suas malas. Dentro delas objetos simples que abrem portas para um universo ingênuo e lúdico dos dois palhaços.

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A performance foi construída a partir da interação clássica entre dois palhaços (quem lembra da famosa dupla do cinema O Gordo e o Magro?). Apesar de não ter texto, a relação humana entre os dois e a plateia é a matéria prima, em jogos de cena e gags talvez até batidos, mas de certa forma executados com maestria e originalidade. Os dois palhaços se opõem e ao mesmo tempo se complementam: um é mais tímido, ingênuo e o outro é exibido e mandão.

Cenas hilárias, gargalhadas sinceras. O espetáculo que abriu o festival comprova a qualidade do Ri Catarina, que nesta quarta edição é realizado sem apoio do Governo do Estado – apesar de ter projeto aprovado para receber recursos do Funcultural. É um festival importante no Brasil por reunir mestres mundiais na arte da  palhaçaria, que vão apresentar até o próximo domingo as diferentes linguagens de palhaço.

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Público é quem patrocina

Em atitude louvável e corajosa, a Cia Pé de Vento Teatro, idealizadora  do evento, optou por realizar o Ri Catarina mesmo sem apoio público. Convidou o público a refletir sobre o valor da  arte e a pagar o preço que achar justo pelas apresentações. Na primeira noite o público aderiu à ideia e lotou o Circo da Dona Bilica, sede da Pé de Vento Teatro e do festival.

Na entrada, um painel trazia a seguinte mensagem: Você é patrocinador do Ri Catarina. Na abertura, o ator e  palhaço Pepe Nuñez fez uma fala emocionada em que ressaltou o carinho e a dedicação com as quais estão realizando o festival.

Neste domingo tem mais. Às 19h o grupo AtrapaTrupe, de Florianópolis, apresenta  o espetáculo Super Banda.

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CRÍTICA - Atreva-se uma comédia de mistério

27 de outubro de 2014 0

Por Priscila Andreza de Souza

A cena é esta: casa mal assombrada e pequenas pistas para descobrir o mistério. Acrescenta uma pitada de humor e temos a peça de comédia que mistura suspense e riso: “Atreva-se”. É nesse clima sombrio que a história se passa em uma mansão com divas e astros do cinema nas paredes que encanta e assusta. É com suspense que “Atreva-se” promove uma série de gargalhadas em Joinville.

Foto: Divulgação/ Agência RBS

Na peça nada é o que parece ser. Tem uma atmosfera explicitamente inspirada nos filmes noir, gênero usado no anos 20 que priorizava o contraste do preto e branco para enfatizar os mistérios dos personagens. O espetáculo dirigido por Jô Soares destaca a performance do grupo de atores que transitam pelo humor e pelo exagero. Os atores da peça são conhecidos do público por fazerem humor na internet e TV: Fabio Rabin, Mariana Santos, Júlia Rabello e Beatriz Morelli. Apesar do elenco formado por artistas ligados a projetos de humor, o espetáculo coloca a plateia em constante suspense.

O texto escrito por Maurício Guilherme faz referência a clássicos do cinema de diretores como Alfred Hitchcock. A cenografia, a iluminação, o cenário e o figurino não são apenas bonitos e construídos nos mínimos detalhes, mas são inteligentes na medida em que interagem com o texto e com as interpretações. No palco, tudo é preto, branco ou cinza, permitindo pensar que a intensão é fazer parecer que estamos assistindo a um filme em preto em branco. Estes se completam com o texto, quando o personagem pergunta:- Você vai com este casaco amarelo? (o detalhe é que no palco a atriz coloca um casaco preto). Fica claro para o público estar inserido em um filme em preto e branco.

A protagonista de “Atreva-se” é uma mansão construída no início do século 20 em algum lugar dos Estados Unidos. Os acontecimentos que a narrativa expõe se passam em três décadas diferentes: em 1929, em 1942 e em 1963. Dividido em quatro partes: A Mansão, O Medo, O Pacto e De Volta à Mansão. Em cada um deles, os personagens têm seus objetivos distintos e a tarefa do espectador é unir as peças.

Para ajudar o público a desvendar o mistério, a peça conta com uma personagem que aparece no início e entre as cenas para junto com o público tentar entender a história do casarão. A personagem é uma “Lanterninha” do cinema antigo e garante boas risadas enquanto o cenário é preparado para a mudança de cenário.

Na minha opinião, a peça mostra as emoções da condição humana, ampliada pela ótica exagerada da comédia. O texto ganha destaque para os nomes estrangeiros e afetados, de um outro país e de uma outra época. Procura também associar o mundo misterioso de um local desconhecido ao desconhecimento da mente humana.

O espetáculo é uma sátira àquelas obras de suspense que nunca se explicam direito. Os diálogos são inteligentes e afetados fazem referência aos antigos filmes dublados. As personalidades dos personagens junto com as reviravoltas a cada cena deixa claro a complexidade do lado escuro da alma humana temperados com o humor. Em um emaranhado de situações absurdas, o controle vai se desfazendo nas mãos das personagens e o impacto dos sustos vai tomando conta da lógica.

Foto: Divulgação/ Agência RBS

As falas dos personagens provocam a reflexão de situações da vida como quando o cadeirante diz que uma vez que se tem o primeiro medo é impossível parar de sentir medo. Ou quando a Sara em um excesso de lucidez e loucura diz que quer ter controle sobre a vida dela sem que experiências externas interfiram como chegar atrasada devido ao trânsito, por exemplo. Ou ainda o comentário da futura proprietária do casarão comenta que tem a sensação de estar dentro um filme.

Quem é fã de cinema noir, tramas de mistérios e gosta de rir sobre a complexidade da existência humana a peça está mais do que indicada. “Atreva-se” é uma comédia de mistérios dessas imprevisíveis a cada gesto e um susto a cada risada.

O espetáculo “Atreva-se” iniciou a turnê pelo Sul do País no início de outubro passou por Florianópolis, Porto Alegre, Londrina e encerrou em Joinville, no último domingo.

CRÍTICA - Um espetáculo onde a palavra não engole o ator, por Julianna Rosa de Souza

24 de outubro de 2014 0

Por Julianna Rosa de Souza

Faz algum tempo que tenho assistido na cena teatral a atores que são devorados pelo texto. Percebo que esse tipo de encenação, enquadrada numa concepção tradicional de teatro, acaba por fazer do ator um intérprete e reforça uma posição hegemônica do autor/dramaturgo. Como espectadora, me sinto enfadada ao ver o ator se debater contra o texto, como se cada palavra o sufocasse em uma métrica monocórdica.

Foto: Espanca! / Divulgação

Foto: Espanca! / Divulgação

Em outras palavras, um ator a serviço do texto  torna-se refém do próprio texto.

Em Líquido Tátil, os atores parecem saber deste perigo e por isso saboreiam cada palavra. Sem temer a irreverência do texto e a direção do argentino Daniel Veronese, os atores se colocam nas fronteiras do real e da ficção e compartilham com o público as inquietações de uma suposta realidade da cena.

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Os três atores (Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro) não se escondem por trás de cortinas e tampouco se colocam numa zona intocável e protegida pela quarta parede. O grupo ESPANCA! coloca em cheque a representação teatral, e para isso utiliza  a própria representação para questionar a instável separação: palco/plateia.

Líquido Tátil não é uma comédia leve – ao contrário, é uma encenação que “morde”  o espectador (como o cão que não aparece no palco, mas que está em cena a todo o tempo) e por isso foge da tradicional necessidade de celebração do herói/protagonista.

Sem dúvida, Líquido Tátil marcou a programação do Festival Isnard Azevedo, trouxe para Floripa o brilhantismo de Daniel Veronese e a sintonia/ritmo dos atores do grupo ESPANCA!

Enfim, um espetáculo que não se deixa engolir pelo texto.

 

Por Julianna Rosa de Souza, atriz e mestre em Teatro pela Udesc.

$em Vintén$ é produção local de alta qualidade dentro da programação do Isnard Azevedo

23 de outubro de 2014 0

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Fotos Festival Isnard Azevedo/ Divulgação

Uma das boas novas do Festival de Teatro Isnard Azevedo é a mostra paralela Circuito Universitário, que conta com 11 companhias da Udesc e três da UFSC. O ampliado espaço que a produção universitária tem no evento mostra a força da produção local e da pesquisa em teatro catarinense


Confira a programação completa do Festival


Pois na noite de quarta-feira vimos um Teatro Ademir Rosa lotado. A atração era convidada, mas não vinha de outro estado brasileiro (com todo o respeito as boas produções que tem passado pelo Festival). O CIC lotou para ver $em Vintén$, espetáculo do núcleo de teatro da Udesc (CEART/UDESC).

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A comédia musical é inspirada na Ópera dos Três Vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. O espetáculo é daqueles que não perdem a atualidade. O capitalismo, a corrupção e as relações de poder dão o tom da história, com prioridade para a corrupção - perceptível em gestos simples das relações humanas.

A adaptação de Diego di Medeiros é sagaz. Preserva a verve original, com breves e perspicazes sacadas atuais. Destaque para os cartazes que entram discretamente em cena e trazem mensagens como: “Cadê o RU?”, “Me Chama de Copa e Investe em Mim” e também sobre a graduação em dança da Udesc, o que arrancou risadas do público.
A trama se desenrola em torno do  bandido Macheath,  conhecido como Mac Navalha. Ele se casa escondido com Polly, filha de Peachum, um empresário local. Inconformado com o casamento da filha, Peachum planeja a prisão do genro e quer que ele seja condenado à forca. Subornado por Mac, o chefe de polícia Tiger Brown não pretende prender o bandido.

O figurino e maquiagem são impecáveis, assim como a banda ao vivo, que emociona em vários momentos. 

 

 

 

Rodada de Negócios para o Teatro de SC

23 de outubro de 2014 0

Por Jefferson Bittencourt

Na quarta-feira, 22 de outubro, foi realizado em Florianópolis, dentro da programação do Floripa Teatro, um evento de extrema importância para os grupos de teatro da cidade (e também de Santa Catarina): a Feira de Negócios Teatrais.

Foto: Dieve Oehme / Divulgação Integrantes do grupo Teatro Sim... Por Que Não?!!!

Foto: Dieve Oehme / Divulgação
Integrantes do grupo Teatro Sim… Por Que Não?!!!

Foram convidados curadores de Festivais de destaque no cenário teatral brasileiro, para formar uma banca, onde cada grupo da cidade poderia “defender’ seu trabalho, apresentando vídeos, fotos, material teórico etc. Uma oportunidade única para os grupos de mostrar suas novas criações (ou mesmo repertório) para pessoas importantes, que determinam, muitas vezes, o percurso de uma obra teatral e também o que o público brasileiro terá a oportunidade de ver.

Criado e executado pela própria organização do Festival (que leva, desde já meus cumprimentos e todos os méritos pela investida) este evento, por mais simples que possa parecer a quem não é do meio teatral, é de extrema importância para impulsionar o teatro feito em Florianópolis para outros centros.

Muitos grupos não conseguem chegar até esses curadores pois, como acontece na maioria das vezes, ou somente o material gráfico e vídeo enviado num processo de inscrição não mostra  toda a potência do trabalho (algo que uma simples conversa como essa já resolve de maneira muito prática), ou a imensa carga de trabalhos recebidos durante esses processos de inscrição, faz com que a análise fique prejudicada.

Assim, de maneira mais clara e objetiva, os curadores dos Festivais de Londrina (FILO), Porto Alegre em Cena e FITBH (Belo Horizonte) puderam analisar a consistente produção teatral feita por estas bandas, com cada grupo ‘vendendo seu peixe’, buscando levar a arte que se faz por aqui para públicos de outros Estados e regiões do país.

Este evento mostra a maturidade da organização do Festival que, além de toda a programação de apresentações para a cidade , se preocupou também com as perspectivas do teatro feito em Santa Catarina. E também mostra que, cada vez mais, os Festivais de Teatro no Brasil estão interligados, possibilitando aos grupos uma facilidade maior de circulação neste país de extensão continental.

Jefferson Bittencourt, diretor teatral

CRÍTICA - Os Gigantes da Montanha, do Grupo Galpão. Por Gláucia Grigolo

22 de outubro de 2014 2

Por Gláucia Grigolo

Novamente Gabriel Villela une-se ao Grupo Galpão para mais um projeto ousado e encantador. A parceria teve início nos anos 1990, com a montagem de Romeu e Julieta (1992), que se tornou um marco no teatro brasileiro. Depois veio A Rua da Amargura (1994). Os Gigantes da Montanha,que estreou no ano passado, é o mais recente trabalho do grupo mineiro, que pelas mãos do diretor (também mineiro) traz à cena o texto do italiano Luigi Pirandello.

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

A presença do grupo na programação do Festival Isnard Azevedo não é novidade. O público de Florianópolis já teve oportunidade de ver outros espetáculos em edições anteriores. Desta vez, os Gigantes estavam no palco do Teatro Ademir Rosa diante de uma plateia lotada e curiosa.

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Fala-se de teatro fazendo teatro. Uma companhia teatral decadente chega a uma vila cheia de fantasmas e pessoas estranhas que vivem no mundo da utopia. É através da linguagem metateatral que o grupo conta a Fábula do Filho Trocado e outras histórias, embaladas por canções italianas muito bem executadas pelos próprios atores. Aliás, o rigoroso trabalho musical do grupo sempre é encantador, uma característica marcante na trajetória do Galpão.

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

A Condessa Ilse, personagem principal, tem o desejo de que a Fábula seja encenada para o grande público. Como não há muita gente na Vila, o governador/mago Cotrone sugere que a peça seja feita para os gigantes da montanha. Mas alerta que o povo vizinho não é muito apreciador de arte. Sendo assim, a peça torna-se também metafórica e crítica: quem são os gigantes senão nós, o público que assiste a uma peça dentro da peça? Qual é o lugar do teatro no mundo e o que ele tem a dizer?

Pirandello deixou a obra inacabada, não escreveu o último ato. Em cena, os atores representam o final da peça apropriando-se de um gramelot (língua inventada), fazendo alusão ao que Pirandello teria contado ao filho Stefano sobre o final. E chamam a atenção sobre a importância que a arte e a poesia tem na vida das pessoas: precisamos dos poetas para dar coerência aos sonhos… O ser humano inventa verdades, mas não há sonho mais absurdo do que essa nossa realidade.

Em tempos de dura realidade na cena política e cultural brasileira, quem vai dar coerência aos nossos sonhos?

Ilha de Santa Catarina, 22 de outubro de 2014.

Gláucia Grigolo é atriz e produtora cultural (glaucia.grigolo@gmail.com)

Explosão de cores, texturas e expressões

O repórter fotográfico do Diário Catarinense Marco Favero registrou em fotos a apresentação dos Gigantes da Montanha no Teatro Ademir Rosa. Confira:

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

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Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Foto: Marco Favero / Agência RBS

Discriminação e anti-humor - Elenira Vilela escreve sobre "A história do comunismo contada aos doentes mentais"

21 de outubro de 2014 3

Por Elenira Oliveira Vilela

No último domingo, dia 20 de Outubro, fui assistir à peça A história do comunismo contada aos doentes mentais, encenada pelo Companhia Anjos Pornográficos, de São Paulo, no Teatro Ademir Rosa, que compõe a Programação do Festival de Teatro Isnard Azevedo, indevidamente rebatizado como Floripa Teatro, mas isso é outra questão.

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Eu costumo frequentar esse Festival desde a sua criação e me acostumei a ir às peças sem procurar muita informação sobre os espetáculos. Até ontem, nunca havia me arrependido dessa decisão. Vi peças que gostei mais ou menos, que concordei mais ou menos, que tinha mais ou menos críticas, mas nunca antes tinha tido vontade de me levantar durante um espetáculo, um espetáculo de horrores, aliás.

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Um esclarecimento anterior se faz necessário, eu sou comunista, anti-stalinista, feminista, anti-homofóbica. Sou professora de matemática e estudo há quase 20 anos a obra do psicólogo russo Lev Semenovich Vygotskii, que foi perseguido por Stálin. Ele foi materialista histórico e dialético e fez, juntamente com seus companheiros e seguidores, um trabalho impressionante na pesquisa objetiva sobre a Psicologia, desenvolvendo trabalhos atualmente reconhecidos em todo o mundo sobre o desenvolvimento humano, os fundamentos da plasticidade do cérebro, a relação da arte com a construção da psique humana, o desenvolvimento de pessoas com deficiências e o próprio desenvolvimento do método científico em psicologia.

Também como professora, tive a oportunidade de trabalhar com pessoas com diferentes tipos de deficiências intelectuais e emocionais, como autismo, uma adolescente que sofria de perda de memória recente, crianças e adolescentes com problemas de desenvolvimento cognitivo, entre vários outros. Convivi por pouco tempo com esquizofrênicos, pessoas com transtornos compulsivos e depressão. Também atuei com estudantes que tinham deficiência auditiva, visual e dificuldades de aprendizagem variadas, como déficit de atenção, dislexia e discalculia.

Então, não faço essa crítica de uma posição neutra, simplesmente olhando a peça do ponto de vista estético ou em seu valor artístico, primeiro porque não tenho competência para tanto. E, segundo, porque não acredito que nenhuma obra de arte tenha um valor artístico neutro, independente dos valores que dissemina, das questões que suscita e da “moral da sua história”. Tampouco considero que o valor estético seja pouco importante ou que ele próprio não seja fundante do que é ser humano.

Confesso: o título da peça me deixou apreensiva, mas resolvi ir aberta e investir a minha confiança na avaliação do festival, que, como já afirmei, não me havia desapontado antes. Resisti bravamente à vontade de sair antes do fim. Não podia sair dali sem expressar minha indignação diretamente aos Diretores e atores/atrizes. Foi o que fiz, ao final, em alto e bom som.

Depois da peça resolvi buscar referências do autor do texto, ainda não tenho nenhuma capacidade de avaliar se a montagem é ou não fiel ao texto e ao espírito do autor. Mas o fato é que o que vi foi um trabalho cheio de preconceitos, de um humor baixo e rasteiro, a la humor estadunidense, pastelão, disseminador de preconceitos. Anti-humor que sequer era engraçado ao (à) brasileiro (a), mais refinado (a) e inteligente do que o pastelão estadunidense.

Sei que o autor é romeno e sofreu com as pressões do regime nada comunista que se instalou em sua terra natal, por óbvio, é fácil entender o ressentimento. Li também que seu maior inspirador é um monarquista muito conservador, fato facilmente identificável na peça. Soube que se inspirou em artistas surreais e do absurdo como Kafka e Salvador Dali, cujas obras eu conheço um pouco. Não reconheço de nenhuma maneira referência a obra destes artistas na peça que vi ontem, eles não usaram sua arte para tripudiar e ironizar com os já tão oprimidos pela sociedade.

Durante toda a peça me lembrei de uma fala de Gregório Duvivier, humorista do grupo Porta dos Fundos, que destacou que “Tem graça rir do opressor e não do oprimido” e essa peça fez exatamente o contrário. Vários dos grupos sociais já fortemente oprimidos pela sociedade e cuja opressão é fartamente reproduzida pelo “humor supostamente neutro, que só quer ser engraçado” são achincalhados e ridicularizados também nesta peça: pessoas com deficiência ou doenças (você conhece uma piada do louquinho, do esquizofrênico, do bêbado, do ceguinho, do menino burrinho…), das pessoas LGBT’s (piada da bichinha, do sapatão), das mulheres (a piada da burra, da puta).

Acrescenta-se aí mais um o preconceito fartamente disseminado e reproduzido da maneira mais abjeta e pobre, particularmente pelos Estados Unidos durante o período da guerra fria e que a mídia brasileira segue repetindo com um outro alvo que fica nos mares do Caribe.

Em todo aquele período, nos EUA e em outros do mundo subsidiariamente, as piadas com o povo russo foram frequentes, preconceituosas, injustas e mentirosas sobre eles. O povo russo conseguiu, por forças próprias, sair de uma situação feudal, ainda existente no início do século 20, para se tornar a segunda maior potência do mundo em vários setores, iniciando a corrida espacial e desenvolvendo tecnologias de ponta, desenvolvendo um vasto parque industrial e uma agricultura de grande produtividade. A educação e a saúde públicas foram universalizadas e a formação era completa e tinha qualidade. Durante a segunda grande guerra, esse povo se sacrificou fortemente pela paz, chorando, ao final, 10 milhões de mortos (sim, mais do que os judeus) e foi fundamental para assegurar que esse conflito terminaria, evitando ainda mais mortes e massacres.

 

Tratar este como um povo que adorava cegamente, de maneira fanática e sem nenhum motivo objetivo o Stálin não é uma crítica ao Stálin, mas uma ridicularização do próprio povo. Hoje a grande mídia brasileira faz esse tipo de ridicularização dos cubanos, tratando-os como idiotas que seguem a Fidel como fanáticos religiosos, que não conseguem alcançar o “nível de consciência” de gente pusilânime como Yoani Sanchez, cubana que se dispõe, em troca de muita grana, a desfazer daquela experiência de maneira a não permitir que ela se torne exemplo de como a vida pode mudar quando povos organizados tomam a decisão de não aceitar a exploração como algo natural.

Visniec (este não sei em que medida, pois não sei o quanto a montagem é fiel a sua obra), Abujamra, Hernandez e a Companhia Anjos Pornográficos decidem reproduzir todo esse preconceito, como por exemplo, ao se utilizar de uma estética grotesca para demonstrar essa idolatria ao poderoso dirigente, através de uma mulher que tem desejos e prazer sexual a cada vez que o nome de Stálin é citado. É ridículo e risível uma mulher ter desejos sexuais? Por um ídolo que seja? Se não fosse o Stálin, mas fosse o Reynaldo Gianechini, o Brad Pit ou o Edir Macedo, seria diferente?

No centro, os “doentes mentais”. É ridículo e risível ver uma pessoa em sofrimento por viver em uma condição cognitiva de dificuldade? Você riria de uma criança autista que não consegue interagir com outras crianças?

E não fica nisso, um desses “doentes mentais”, em certo momento, passa batom e calça sapatos altos ridicularizando a homossexualidade. Isso é engraçado? Por quê? O cartunista Laerte é engraçado pelo mesmo motivo? Qual a graça?

E qual a graça do escritor fazer um trabalho que envolva a arte no tratamento desses “doentes mentais”? A arte deve ser negada a quem já tem tanto sofrimento?

Sim, é verdade, o Stálin usou de práticas absurdas e inaceitáveis, inclusive tratando como doentes mentais pessoas simplesmente por não aceitarem a todos os mandos e desmandos do regime que conduzia.

Mas, há duas questões importantes a se considerar a respeito disso. A primeira é a oposição orquestrada mundialmente contra qualquer governo em países que não se alinhem aos ditames do grande capital internacional, que não tenham no capitalismo a única possibilidade de existência da humanidade. Diante dos ataques, estes países, tais como China, Laos, Vietnam, Cuba, simplesmente são impedidos de se abrirem ao mundo, precisam se defender dos ataques sofridos e potenciais. Basta verificar as centenas de tentativas da CIA em assassinar Fiel Castro, ou o tratamento recentemente dispensado a pessoas como Snowden, ou o Assange, ou a manutenção de diversos níveis de bloqueio econômico, medidas restritivas, perseguições, financiamento de oposições, mercenários e golpes, como o em andamento na Ucrânia, para forçar a sua entrada na União Europeia. Nem tudo que acontece é exatamente uma escolha desses governantes e ninguém apura a responsabilidade do ocidente no que aconteceu e acontece nesses países e com essas populações em relação a isso.

Segundo e mais importante ao analisar este espetáculo: o que foi feito de inaceitável por STÁLIN NÃO É DENUNCIADO, em NENHUM MOMENTO nessa peça. A adoração a ele é ridicularizada, mas não se sabe como ele está ligado a ela (não pelo que é apresentado).  Sugiro a leitura de O zero e o infinito, de Alexander Soljenítsin, esta sim uma obra com crítica consistente ao Stalinismo e que mostra como esse personagem deturpou parte fundamental do ideário que motivou a criação da União Soviética. Existem muitas outras obras que fazem isso sem cair em clichês e mentiras simplistas.

Me impressionei quando descobri que este é um texto recente (publicado no Brasil em 2012, seu autor tem apenas 58 anos). Como já afirmei, a peça somente fomenta o preconceito contra povos e segmentos humanos já fartamente oprimidos e violentados e estes são ridicularizados para fortalecer o ódio e para fazer a alegria dos exploradores e opressores.

Não admitirei nenhum preconceito sem protestar, sem alertar e denunciar! Isso não é arte, é ódio… Não é crítica, é fascismo! Não se combate a opressão com mais opressão!!

Florianópolis, madrugada de 21 de outubro de 2014. Primavera.

Elenira Oliveira Vilela – eleniramtm@hotmail.com

CRÍTICA - "Nina, o monstro e o coração perdido" tem delicadeza e densidade poética

20 de outubro de 2014 0

Por Marisa Naspolini

O que fazer com as emoções quando elas parecem nos invadir de tal forma que nos paralisam? Para onde essa pergunta pode levar se feita por uma criança? A angústia vivida por Nina, uma menina como tantas outras, que quer se livrar de suas alternâncias de humor e altos e baixos emocionais, gera uma jornada em busca de seu próprio coração, que passa a bater fora do peito.

Foto: Luciane Pires / Divulgação

Foto: Luciane Pires / Divulgação

Em Nina, o monstro e o coração perdido, espetáculo infantil com texto de Martina Schreiner e direção de Lúcia Bendati, do grupo Clareira de Teatro (Porto Alegre), apresentado domingo no Teatro Pedro Ivo dentro da programação do Festival Isnard Azevedo, os atores se desdobram em narradores e diversos personagens, num jogo constante e divertido que se alterna entre narrar e agir, com delicadeza e densidade poética, sem abrir mão do dinamismo, reforçado pelo intenso movimento do cenário e dos objetos de cena, que vão se reposicionando e se transformando no decorrer da história. O uso das diversas escadas para criar os mais variados ambientes e o efeito provocado pelos pinheiros no fundo da cena são alguns exemplos bem sucedidos de respeito à capacidade imaginativa no universo do teatro infantil.

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O monstro, amigo de Nina, se desdobra para recuperar a capacidade da menina de viver suas próprias emoções, tentando salvá-la de uma vida tediosa e entediante. Na verdade, busca trazê-la de volta à própria vida visto que, com o coração fora do peito, seus dias estão contados. Nesta jornada heroica quase épica, o monstro atrapalhado se depara com suas incertezas, medos e descobertas. Há alguns momentos durante a viagem que se estendem em demasia e arriscam perder a atenção do público infantil, particularmente dos menores, mas o jogo se restabelece com a entrada em cena do menino, que dá novo gás rumo ao final do espetáculo.

As atuações, pautadas em jogos corporais e na relação com a plateia, merecem atenção constante para que não caiam no exagero nem em uma interpretação infantilizada, risco que existe – e em alguns momentos é mais evidente, particularmente na figura do monstro – mas é minimizado pelo conjunto da encenação.

O elenco, aliás, formado por Alex Limberger, Gustavo Dienstmann e Valquiria Cardoso, se desdobra com competência em outras funções, assinando a coautoria do figurino (Martina Schreiner, Gustavo Dienstmann e Valquiria Cardoso) e do cenário (Martina Schreiner e Alex Limberger).

Também cabe chamar a atenção para a iluminação cuidadosa, que valoriza ambientes e atmosferas criados pela bela trilha sonora. O espetáculo encanta e suscita reflexões nos pequenos espectadores, e também nos grandes. Como acontece com Nina, provoca emoções desencontradas em seu público. A ideia de desejar dar uma pausa ao coração se assemelha a pedir um pouco de silêncio ao mundo. Coisa de que andamos todos muito necessitados.

Marisa Naspolini é jornalista, atriz, pesquisadora e produtora cultural. marisanaspolini@gmail.com

Agende-se

O quê: Nina, o monstro e o coração perdido, do grupo Clariera de Teatro – Festival Isnard Azevedo
Quando: quarta e quinta, às 9h30 e às 14h30
Onde: Teatro Dionísio (Servidão Safira, 148, Ingleses, Florianópolis)
Quanto: gratuito