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Posts na categoria "World Music"

Público lota Green Park para ver show de Di Melo, lenda da soul music brasileira

18 de abril de 2015 0

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(Foto Marco Favero, Agência RBS)

Era quase 1h da manhã de sábado. A noite estava lindona – a chuva tinha dado uma brecha boa. Parte da Estrada da Joaquina ficou tomada de carros estacionados. O estacionamento do Green Park idem. E foi dali mesmo que Di Melo, uma lenda da soul music brasileira, surgiu. Passou pela entrada como o público, adentrou o pátio ao ar livre (abraçado pelas longevas árvores da Joaca, que fazem do Green Park um lugar especial), beijou uma artista que pintava quadros, cumprimentou aqueles que o reconheceram e subiu no palco.

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Largou logo Kilario, seu maior sucesso, e a malta pirou. Foi bonito de ver tanta gente prestigiando um cara das antigas, que despontou nos anos 1970, ficou esquecido por 20 anos e de repente voltou. Sem aquele papo gourmet de se reinventar, porque música boa – soul music seminal – é atemporal. Só fazer de novo, igual, e todo mundo vai dançar. E todo mundo dançou. Foi um calorão lá dentro, que a chuva fina de mais tarde serviu para refrescar.

Di Melo é figuraça. Fala pra caramba durante o show, declama poemas ou rimas, agradece a banda local que o acompanha e também o público. Dança, pinta e borda. À vontade. Vida longa ao Imorrível. 

Confira uma galeria de fotos do show

 

Renato Borghetti faz participação emocionante no Acústico Brognoli

26 de setembro de 2014 2

Por  Duda Hamilton (*)

Se na primeira noite a viagem pelo mundo da música do Acústico Brognoli foi surpreendente com Hermeto Pascoal, na segunda, os sons da banda instrumental estavam como a Seleção da Alemanha, passes certeiros, dribles intensos e muito vigor na execução das músicas. Ou seja, se Fernando Sulzbacher (violino); Pablo Greco (bandoneon); Tuco Marcondes (viola portuguesa e citara); Carlos Schmidt (bombardino e trombone); André FM (percussão), Alegre Corrêa (guitarra elétrica e arranjos); Arnou de Melo (baixo acústico e elétrico); Luis Gama, o Pelé (percussão), Mariano Siccardi (piano), Nicolas Malhome (percussão); Richard Montano (bateria) e Dudu Fileti (voz) e Emília Carmona (voz) fizeram na quarta-feira uma partida de campeonato, na quinta eles subiram ao palco para decidir a final.

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Fotos: Cristiano Estrela / Agência RBS

Mais à vontade, numa sintonia fina, com uma forte pegada e boas improvisações e solos, esses talentosos instrumentistas mostraram a intensidade da música que se faz hoje em Florianópolis. Muitos deles não são daqui, mas vieram de diferentes partes do País e do Mundo para ancorar nesta Ilha de tons e sons, entre eles Guinha Ramires, Alegre Correa, Pablo Greco, Mariano Siccardi, Arnou de Melo.

Dividido em cinco atos, a primeira parte do espetáculo ficou muito bem costurada, com a entrada dos instrumentos aos poucos e com vozes gravadas anunciando a próxima viagem sonora. Pontos altos o arranjo de Guinha Ramires para Eleanor Rigby, dos Beatles, executada na citara com percussões, bateria, baixo, violão e guitarra; e o Ato 2 Fusion Rio da Plata, com clássicos do tango e da milonga e ainda a voz de Emília Carmona, que mandou bem no espanhol.

Bandoneonista Pablo Greco

Bandoneonista Pablo Greco

A segunda noite contou ainda com os convidados especiais, Renato Borghetti e Daniel Sá (violão), velhos conhecidos de Alegre Corrêa e Guinha Ramires, com quem lá na década de 1980 viajavam para se apresentar em festivais e shows pelo Rio Grande do Sul e também no exterior. E para não perder a oportunidade, o quarteto voltou a se reunir para executar Barra do Ribeiro, composição de Guinha Ramires, que Borghettinho não tira do repertório. Aqui, uma cumplicidade e um diálogo instrumental que só velhos amigos sabem interpretar. Depois, acompanhado do violão inconfundível de Daniel Sá, o homem da gaita de oito baixos abriu o fole em Sem Vergonha (Edson Dutra e Valdir Pinheiro); KM 11 (Tracito Coco Marola) e Redomona (Os Serranos).

Mais uma vez Borghetinho chama ao palco Alegre e, em trio – gaita, guitarra e violão – tocam Sétima do Pontal (Borghetti e Veco Marques), na próxima música Laçador, composição do guitarrista, Guinha volta ao palco para  uma conversa animada entre os quatro instrumentos.  O público, até então participante só com aplausos, resolveu acompanhar Dudu Fileti na canção Felicidade, de Lucipinio Rodrigues, numa improvisação que fez também Alegre Correa soltar a voz na tradicional música Luar do Sertão, de Gonzagão.

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Fernando Sulzbacher, da banda Dazaranha

Se o vanerão, a milonga e a rancheira corriam soltas, o final foi com os 16 músicos no palco, numa execução inusitada do clássico chamamé Mercedita, de Ramón Rios, onde todos os instrumentos tiveram sua vez para o solo, num deleite sonoro de improvisações, que fez o público mais uma vez aplaudir sem parar. No outro bis e para fechar de forma afinada a 10ª edição do Acústico Brognoli, Milonga Missioneira.

Desenhado para se ouvir todos os sons do mundo, o Acústico Brognoli alcançou seu objetivo nas duas noites: fazer com que a música ali executada levasse o público a lugares incríveis, seja com um solo de guitarra, o som do bandoneon, da citara, da percussão… Parabéns ao produtor musical, Nani Lobo que soube formar o time de instrumentistas, às produtoras Eveline Orth e Nilva Camargo, e à Brognoli, que há 10 anos investe nesse evento, hoje referência no âmbito cultural da Ilha.

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Emília Carmona soltou a voz


Duda Hamilton é jornalista.  E-mail: duda.hamilton@gmail.com

 

Acústico Brognoli, um dos melhores shows do ano em Florianópolis

25 de setembro de 2014 2

Tem gente que explica a música com técnica e matemática. Mas não se pode negar que antes da métrica vem o sentido, antes das notas musicais vem o som e que para além dos sentidos está algo muito maior que somente a arte pode traduzir. Trazendo sons do mundo inteiro num espetáculo ousadíssimo e complexo na última quarta-feira no Teatro Ademir Rosa (CIC), a décima edição do Acústico Brognoli  foi um dos melhores shows do ano em Florianópolis. E nesta quinta-feira tem mais.

Fotos: MateoTroncoso / Divulgação

Fotos: Mateo Troncoso / Divulgação

Foram combinações improváveis de ritmos como cacumbi, afoxé, tango, chacarera, até canto indígena e batuque africano, tudo isso com uma pegada jazzística e muita, muita sofisticação. A partir do tema Sons do Mundo, o diretor musical Nani Lobo – que merece aplauso pela produção ousada –, junto com músicos como Alegre Corrêa e Guinha Ramires, montou uma banda universal que foi capaz  de desconstruir e construir gêneros musicais, borrar classificações e unificar a música por meio da emoção. Sabe aquela música que dá arrepios? Foi assim durante todo o show.

O Acústico Brognoli foi dividido em cinco atos temáticos e gravações antigas fizeram a ponte entre um bloco o e outro, dando ar bem contemporâneo. Destaque para a música Fortaleza, de Guinha Ramires, interpretada por toda a banda e com voz da cantora Emília Carmona. Guinha é um dos gênios da música instrumental de Santa Catarina, um músico especialmente humilde e tímido em contraponto à grandiosidade de sua obra.

O cantor Dudu Filetti fez participação singular no espetáculo. Soltou a bela voz usando-a como mais um instrumento. Fernando Sulzbacher, violinista da banda Dazaranha, também merece aplauso pela versatilidade com que tocou seu instrumento. Impossível não mencionar ainda os percussionistas André FM, Luís Gama e Nicolas Malhomme e o bandoneonista Pablo Greco.

Dois momentos grandiosos do show antes da apresentação de Hermeto Pascoal foram a interpretação de O Pequeno Cigano, belíssima composição de Alegre Corrêa (imagine flamenco com berimbau?!), e Eleanor Rigby (All the Lonely People), dos Beatles, numa versão tocada com Citar por Tuco Marcondes que lembrou a afinidade do grupo inglês com o músico indiano Ravi Shankar.

 

Hermeto Pascoal é,de  fato,um mago da música. E da Simpatia 

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Mas aí chegou a vez de Hermeto Pascoal. Além de um dos melhores shows do ano em Florianópolis, o Acústico Brognoli foi também um dos maiores, literalmente. Foram quase três horas de show e só parou porque praticamente foi preciso tirar o bruxo da música do palco do Ademir Rosa à força. Que energia para alguém com 78 anos!

Hermeto se apresentou com Aline Morena, sua parceira na vida e na música. Tinha um punhado de instrumentos ao seu dispor, de flauta, sax até bichinhos de pelúcia. “Meu primeiro som foi quando nasci”, explicou-se.

Seu carisma é tão comovente quanto sua genialidade como músico. Conversou com a plateia e a fez interagir, inclusive no palco: convidou voluntários a colocarem sapatos ou qualquer objeto no piano, só para experimentar um novo som.

Aline Moreira é também multi-instrumentista e surpreendeu com tamanha versatilidade. Só não fez tão bonito com a voz, talvez por ser aguda demais ou por cantar muito alto, e desafinou algumas vezes.

No quase-final, Hermeto convocou os músicos da terra para continuarem a festa da música universal no palco. Parecia não ter fim e o público se entusiasmou. Improvisou canção de Tom Jobim, desafiou Pablo Greco no bandoneon e ainda Fernando do Dazaranha no violino – que respondeu à altura.

Show único. E imperdível. Quinta-feira, ainda bem, tem mais.

Agende-se

O quê: Acústico Brognoli – Sons do Mundo,com Renato Borghetti
Quando: quinta, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis
Quanto: R$ 80 / R$ 40 (meia)

Carol Macário
caroline.macario@diario.com.br