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Juarez Machado questiona projeto para revitalizar Rua das Palmeiras

05 de março de 2012 17

Patrimônio tombado de Joinville desde 2005, a rua das Palmeiras vem sofrendo com as avarias do tempo e de frequentadores nada amigáveis. Mas um projeto sonha em resgatar o respeito e o glamour da antiga alameda Brüstlein, como era conhecida pelos primeiros colonizadores.

MURAL:  Você concorda com a alteração na rua das Palmeiras? Deixe sua opinião.

O projeto de requalificação urbana da rua das Palmeiras foi desenvolvido pela Fundação Cultural, Ippuj, Seinfra, Conurb e Secretaria Regional do Centro e será apresentado oficialmente hoje, na presença do prefeito Carlito Merss e do presidente da FCJ, Silvestre Ferreira. Na mesma ocasião, também será apresentado o Plano Municipal de Cultura.

Mas a notícia da revitalização da rua das Palmeiras, no coração de Joinville, não agradou ao autor da última intervenção no ponto turístico, feita na década de 1970. Em passagem pela cidade, Juarez Machado tomou conhecimento das mudanças e volta para Paris, onde atualmente reside, com má impressão da nova proposta para o espaço, que começa a ser posta em prática a partir de amanhã. “Me sinto magoado, traído por não terem me consultado. Estão mexendo no que temos de mais nobre em Joinville”, opina.

Além da abertura da ala central da rua, a mudança prevê a ligação direta do espaço com o Museu Nacional de Imigração e Colonização, a partir da implantação de uma faixa de pedestres elevada na rua Rio Branco.

Juarez Machado foi o responsável por pensar a atual configuração paisagística do cartão-postal de Joinville. O projeto fechou a rua das Palmeiras para os veículos, mantendo o trânsito somente de moradores da localidade. Juarez Machado também introduziu gramados e ornamentou a rua com flores, que, segundo ele, possibilitaram que os joinvilenses tivessem a rua como um local de lazer para ler, namorar e brincar, sempre com o lema “é permitido pisar na grama”. “Duvido que algum outro projeto seja melhor do que o meu”, desafia.

A Fundação Cultural de Joinville não se pronunciou oficialmente sobre a discussão mas, para o coordenador de patrimônio cultural da fundação, Raul Valter da Luz, a revitalização não nega o projeto elaborado pelo artista, apenas possibilita uma maior acessibilidade para pedestres, que terão uma pista central à plantação de palmeiras, e outra ao lado exclusivamente para transitarem. O fluxo eventual de carros, que atualmente divide-se nas laterais da alameda, será canalizado para uma única pista. “A rua das Palmeiras sofreu modificações durante toda a sua história para atender às necessidades da cidade. Não queremos contrariar o artista, mas a revitalização era um pedido da comunidade”, explica o funcionário.

A reconfiguração da rua das Palmeiras passa por estudos e comissões desde 2002. Em 2004, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na época representado pelo superintendente regional Dalmo Vieira Filho, aprovou a alteração na área tombada. Marcel Virmond Vieira, arquiteto e urbanista do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuj), um dos profissionais que assina o projeto de revitalização, conta que a ideia de repaginar o cartão-postal surgiu durante a criação de rotas de caminhada no Centro de Joinville, e que a essência do projeto do artista, que foi retirar os carros do ponto turístico, será mantida. “A ideia é de que o espaço vire uma praça para a realização de eventos e, assim, atrair mais pessoas para o lugar. Agora é questão de diplomacia, necessidade de fazer uma reaproximação entre Juarez Machado e a Fundação Cultural”, avalia Marcel.

Em sua última visita à cidade, o artista acompanhou por horas a movimentação da rua das Palmeiras, afim de perceber como ela estava sendo ocupada pelos moradores. O resultado não o agradou. O atual uso em nada alcança o que foi projetado há 40 anos, segundo o artista. “A rua deveria ser uma alameda cultural, com comércio de produções catarinenses, gastronomia, ao invés de estacionamentos”, critica.

>>> Reportagem de Rafaela Mazzaro

Comentários (17)

  • Idalézio diz: 5 de março de 2012

    A cidade precisa se modernizar a atender as necessidades locais. Parabéns à equipe responsável pela atitude, Joinville precisa trabalhar mais e discutir menos.

  • Iara diz: 5 de março de 2012

    Joinville deveria ter uma fundação cultural permanente , não politica , muito menos administrada por indicados ao cargo ……aí da no que vem dando faz tempo , desastres.

  • Ivo Aoki diz: 5 de março de 2012

    Se o pessoal do PT mexer, vai estragar. Anotem.

  • Camile diz: 5 de março de 2012

    Magoado? Ah, me poupe né!
    A rua é pública e quem deve saber o que precisa ser feito é a Prefeitura e a população que VIVE AQUI. E não um artista que trocou a cidade pela Europa há tempos.
    “Duvido que algum outro projeto seja melhor do que o meu”? Mas é muita pretensão mesmo. Não tenho nada contra, mas será que ele acha que é o único ser pensante desta cidade?
    É evidente o seu talento, mas daí a achar que deve obrigatoriamente ser consultado antes de mudar algo na cidade é um pouco de abuso.

  • Rafael Volpi diz: 5 de março de 2012

    concordo com Juarez Machado e insentivo a ideia de colocar cultura no local através de estabelecimentos no ramo de artesanato por exemplo, que geraria uma movimentação maior de pedestres. transfornar o local em cultura viva, por exemplo restaurando os casarões e transformando-os em espaços de exposições e eventos culturais.

  • Beto diz: 5 de março de 2012

    Magoado, traído por não ter sido consultado? quem ele acha que é, nem ao menos mora em JOinville, se achando dono ou prefeito ou queria alguma um algo mais.
    valeuuu

  • vitautas ostaska diz: 5 de março de 2012

    Revitalizar a rua das palmeiras, sem mexer em seu entorno é jogar dinheiro fora.
    O local não oferece segurança. Os imoveis desocupados e ou mal aproveitados não terão o seu uso alterado só porque vão maquiar o local. Melhor uso do dinheiro seria desapropriar pelo menos um imovel e instalar por exemplo delegacia de policia que
    faria o policiamento do local 24 horas.

  • Silvio diz: 5 de março de 2012

    Sinceramente! Tem alguma obra de arte lá que vale a pena questionar uma revitalização?

  • Gilberto Gadotti Junior diz: 5 de março de 2012

    Eu sou contra a retirada do gramado, o resto sou à favor. A rua precisa ser vitalizada, mas isso não significa que precisa alterar o paisagismo existente. Joinville precisa de ver e de mais segurança. Se policiamento no local a marginalidade continuará adornando as ruas das Palmeiras.

  • Junior diz: 5 de março de 2012

    Juarez Machado disse tudo. Não precisamos de mais uma praça de pedras na cidade.

  • Jones Selonke diz: 5 de março de 2012

    Juarez Machado tem o seu valor inquestionável. Mas é muita pretensão se achar a “azeitona da empada”. A rua das Palmeiras precisa de revitalização sim, é visivel.

    Acho que Juarez Machado deveria ter a humildade, se quer se útil para a cidade, de se colocar a disposição da Fundação Cultural, Ippuj, Seinfra, Conurb e Secretaria Regional do Centro ao invés de olhar a questão só do ponto de vista de seu umbigo.

    Mais consciência de suas limitações como ser humano que é, mais modéstia, Juarez Machado! A cidade precisa do espírito de coletividade e não de vaidades exageradas.

  • Alberto Kistoff diz: 5 de março de 2012

    Quem serão essa tal Camile e sjueito denominado Beto. Serão jonvillenses? Se forem, é uma pena para a cidade.
    Juarez Machado é uma das poucas celebridades de nossa cidade e que tem um grande orgulho de dizer que é joinvillense. Demonstra seu amor por esta terra de uma forma unica. Consulta-lo seria um ato de nobreza, mas “atos de nobreza” estão muito longe daqueles que infelizmente estão conduzindo nossa amada Joinville.
    Ah, ia esquecendo… morar em Paris não é para qualquer um…

  • matisse diz: 5 de março de 2012

    PIQUET foi bem melhor que o senna

  • João diz: 5 de março de 2012

    Acredito que uma mudança se faz necessário a começar pelas casas abandonadas, como exemplo aquela que pegou fogo é uma vergonha estar como esta.

  • Margolf diz: 5 de março de 2012

    O problema que a prefeitura remodela e depois não mantém, deixa tudo ao “deus dará”, é o caso da rua das palmeiras, a muito tempo só se corta a “grama”, a rua esta abandonada, o comercio formal praticamente não existe, a rua é muito pouco ela é usada pelos joinvillenses, o local hoje é ponto de prostituição e comércio de entorpecentes, tem locais totalmente abandonados, da medo circular no local, Espero que com a remodelação a vida volte a rua das palmeiras, até porque é loca de visitação de turistas e é a porta da frente do museu da colonização.

  • Pedro Jr. diz: 5 de março de 2012

    Olha, se a prefeitura não consegue sequer consertar a avenida beira-rio (defronte a Lepper) onde as bonitas figueiras ali plantadas, ocasionaram um desnível na pista de rolamento e geram perigo aos motoristas, será que vale a pena mexer na rua das palmeiras? Melhor deixar como está e só fazer a manutenção. Não vamos desfigurar o cartão postal da cidade.

  • João Henrique Kiehn diz: 6 de março de 2012

    Da mesma forma que o Sr. Juarez Machado foi convidado para dar um novo visual na Alameda Brüstlein em 1973 pela autoridade da época este mesmo direito tem a autoridade atual e como terão as futuras. O que mais me chama atenção neste caso é que ao meu ver, nunca foi respeitada a idéia inicial do Sr. Brüstlein. Todos se arvoram no direito de serem donos da cidade ou de suas obras que se tornam públicas.

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