A música vai invadir Jaraguá do Sul durante o 7º Festival de Música de Santa Catarina (Femusc). Mais de 600 músicos entre alunos e professores, de 15 estados brasileiros e de 28 países passarão duas semanas entre 22 de janeiro a 4 de fevereiro para o maior festival-escola não competitivo do Brasil. Mas e a cidade está preparada para receber os instrumentistas, regentes, bandas e maestros?
O diretor-executivo do Femusc Fenísio Pires Júnior acredita que o Festival já promoveu mudanças de paradigma em Jaraguá do Sul. "Se comparar as opções de lazer, gastronomia e hospedagem no começo do Festival com agora esses segmentos apresentaram um grande avanço. Já evoluímos muito, tanto o Femusc como a cidade. Mas se preparar para receber os visitantes é algo que deve ocorrer todos os anos", opina.
O diretor explica que o Instituto Festival de Música, que realiza o evento, trabalha com um tripé: a educação, o produto cultural e o produto turístico. "O Femusc virou um produto turístico. Queremos aproveitar os turistas das praias para visitarem Jaraguá do Sul durante o Festival", explica. Para divulgar o evento e a cidade, reportagens em revistas como Guia TAM, revista de bordo da TRIP e Guia 4 Rodas trazem o Femusc como opção para quem estiver no Estado.
HOTÉIS

Fotos: Piero Ragazzi
Depois de um dia inteiro de aulas e concertos um bom lugar para descansar o corpo e a mente é fundamental. A gerente geral do Hotel Mercure, Vanessa Floriani, disse que o local está preparado para receber os visitantes. Segundo ela, o setor de hotelaria começou a se beneficiar do Festival apenas nos últimos anos. "No começo a procura não era grande. Mas no ano passado melhorou bastante com cerca de 15 apartamentos ocupados. A nossa hospedagem vai de segunda a sexta-feira e quando emenda o fim de semana é excelente", comemora Vanessa, informando que ocupação normal no fim de semana é de 15% e chega a 70% com o Femusc.
Para este ano, a previsão é que 20 apartamentos sejam ocupados por pessoas ligadas ao Festival. "A expectativa é maior ainda. Sabemos que a tendência do Festival é aumentar a cada ano. Queremos que o Femusc seja para Jaraguá como o Festival de Dança é para Joinville", deseja. O hotel não faz nenhuma preparação especial para o Festival, mas matem em seu quadro oito recepcionistas bilíngues, dispões de folhetos de programação e todos os funcionários estão inteirados de como funciona o Festival.
ALOJAMENTO
Quem não tiver condições de pagar por um hotel não ficará sem ter onde dormir. Três escolas da cidade servirão de alojamento. A escola Albano Kanzler acolherá as mulheres, o Alberto Bauer e o Abdon Batista os homens. No total são 350 vagas e cada sala terá dez colchões que serão disponibilizados pela organização. Os músicos terão apenas de trazer a roupa de cama. As escolas possuem local para banho, mas a cozinha não ficará aberta. As refeições serão no Restaurante Panorâmico da Scar e o custo foi incluso na inscrição.
ESCOLAS DE IDIOMAS
Por ser um festival internacional a primeira necessidade quando o assunto é melhor atender os visitantes é o idioma. Agora, saber se os alunos de escolas de inglês e espanhol procuram melhorar o segundo idioma por causa do Femusc, é quase impossível. A assessora de marketing do CCAA, Caroline Fert, explica que sempre há novas matrículas, mas nenhum aluno informou que o motivo dos estudos seria o Femusc. "A procura maior é por pessoas que trabalham em hotéis. Mas também não pelo Femusc, mas pelo turismo empresarial", justifica. Para Caroline, se tivesse procura seria interessante, tanto como preparação para a cidade receber os turistas estrangeiros quanto para as escolas de idiomas.
NA PONTA DA LÍNGUA

Se depender do taxista Claudio Roberto Sbardelati (foto) nenhum estrangeiro ficará sem se comunicar durante o Femusc. Há dois anos ele sentiu necessidade de falar um segundo idioma e encarou o desafio. "Vem muitos estrangeiros para Jaraguá do Sul não apenas no Femusc, mas durante o evento é quando mais pratico o idioma", admite. A previsão de Claudio é que as corridas aumentem em 20% nas duas semanas de Festival. Entre os clientes os professores são os que mais procuram o serviço. "Tem que ter um diferencial. Estudo inglês pela necessidade de me comunicar com os clientes de fora e isso inclui os músicos".
TAXISTAS
O fato da prefeitura disponibilizar transporte para levar os alunos e os instrumentos até a Scar faz com que os taxistas do terminal rodoviário quase não percebam aumento de serviço nos 15 dias de Femusc. O primeiro secretário da Associação de Taxistas de Jaraguá do Sul, Charles Roberto Wasch, acredita que o aumento nas corridas deve ser apenas de 10%. "No Centro sei que aumenta um pouco por causa do translado dentro da cidade, mas na rodoviária quase não tem diferença. Há três anos éramos nós que transportávamos os músicos. Mas por causa do tamanho dos instrumentos ficava bastante difícil", relata Wasch. A associação foi fundada em novembro do ano passado e conta com cerca de 20 sócios.
RESTAURANTES
Não é de apenas notas musicais que vive um músico. Eles também precisam comer. O coordenador do Núcleo de Gastronomia da Acijs, David Jorge Almeida, acredita que os restaurantes da cidade devem ter um incremento de 20% nas vendas de refeições durante do Femusc. Em novembro de 2011, o núcleo realizou um curso para garçons que contou com uma preparação diferenciada. O treinamento envolveu 15 restaurantes e ensinou boas práticas de atendimento. Um curso básico de inglês deve ser oferecido ainda esse ano. "Ano passado não deu tempo de abordar o inglês no curso. Temos essa preocupação não apenas com os restaurantes do Centro, mas ao redor, que aumenta muito o número de clientes na época do Femusc".
À VONTADE

Os estrangeiros, sobretudo dos países da América Latina, tem um local para se sentir em casa durante o Festival. O restaurante especializado em comida mexicana Arriba Mexican Bar é um dos locais mais procurados pelos músicos. O sócio do Arriba, Carlos Alberto Piloto (foto), acredita que pelo fato do bar ser temático atrai mais os visitantes. "Restaurantes mexicanos são muito comuns nos grandes centros e isso é um referência importante", garante. Segundo Piloto, a previsão é que o movimente aumente cerca de 15% nos dias de festival. "Durante os fins de semana quase não sentimos diferença porque a casa sempre está cheia. Mas durante a semana é que notamos a presença dos músico". Para atender esse público diferenciado, Piloto disponibiliza cardápio bilíngue, além disso, ele e mais duas pessoas que trabalham no local falam inglês.