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Posts do dia 18 novembro 2011

O dono do fogão do Pampulhinha

18 de novembro de 2011 1

Desde a fundação, no longínquo 1971, Anonymus Gourmet se acostumou a encontrar no Pampulhinha um porto seguro para suas navegações gastronômicas. O Pampulhinha dos primórdios era um salão comprido e estreito, que logo se tornou acanhado para os comilões de todas as latitudes que se conformavam em aguardar. Longas e pacientes esperas por uma mesa que abriria as portas de um paraíso de frutos do mar de primeira classe. No fundo do salão, a cozinha tinha a marca dos grandes restaurantes da boa tradição: Jaime Pinheiro, o dono da casa, era também o dono do fogão.

Certa vez, depois de um daqueles almoços inesquecíveis, Jaime convidou Anonymus para conhecer as então futuras instalações da casa, na mesma avenida Benjamin Constant. Um lugar deslumbrante: salão, cozinha, adega, câmara fria, espaço para milhares de garrafas, mármores e granitos por toda parte… Anonymus ficou inconsolável: “O Jaime vai quebrar…” – comentou com Madame Queiroz que, solidária, escondeu uma lágrima furtiva.

Mas, não quebrou. O “novo” Pampulhinha ampliou o sucesso. Os clientes fiéis não precisaram mais esperar por uma mesa. E continuaram a se regalar com as grandes travessas, forradas por fresquíssimos legumes, hortaliças, cogumelos, aspargos verdes, brócolis, ervilha torta, etc., onde repousam lagostas que lembram páginas de Hemingway, camarões que lembram lagostas, cavaquinhas melhores que lagostas, atuns alimentados a caviar, congrios que cruzaram a cordilheira, linguados de sotaque francês… Conta a lenda que um freguês descobriu uma pérola em meio a um prato de ostras. Segundo Miss Taylor, que testemunhou o episódio à distância, não era uma pérola, era uma metáfora da perfeição do jantar.

E, como se não bastasse, a carta de vinhos… Não faltam tintos, brancos, rosés, champagnes e espumantes para harmonizar com as delícias da cozinha. Há duas adegas na casa. Na parte de baixo, abrindo para o salão, há uma caixa forte: um imenso cofre de verdade que pertencia a uma agência bancária que funcionou no local. Trata-se de outra metáfora: em vez de dinheiro e títulos de crédito, hoje ali estão, sob rigoroso controle de umidade e temperatura, algumas das garrafas mais preciosas produzidas no planeta: Petrus, Château Margaux, Mouton Rothschild, Lafite Rothschild, Romanée Conti, Montrachet, Vega Sicília, Brunello de Montalcini, Barca Velha, entre outros 5.000 rótulos de um total de 200.000 garrafas. Não há sede que resista.

Na cozinha, que pode ser observada do salão, é possível ver o segredo do sucesso: como nos velhos tempos, Jaime Pinheiro, pilotando o fogão, garante a honra do estabelecimento.