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Muita pimenta e seios à mostra

17 de fevereiro de 2012 0

No carnaval, New Orleans, a amável capital da Louisiana, deixa transbordar duas inclinações centenárias de seu caráter: a pimenta e a irresistível inclinação festeira. Para surpresa do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife, cartazes espalhados pela Bourbon Street e pelas adjacências anunciam: “New Orleans: um dos melhores carnavais do mundo”. E a grande festa é o “Mardi Gras”, que começou na Louisiana em 1699 por influência dos colonizadores franceses. É a terça feira gorda, com música, dança e pratos típicos com muita pimenta, o ingrediente indispensável na rica cozinha da cidade: peixes, carnes, aves, saladas incendeiam os paladares dos visitantes. Nos restaurantes, conta o chef John Huckleberry, os bifes são guardados na geladeira previamente apimentados.

Não por acaso, New Orleans, além de reconhecida como capital mundial do jazz, considera-se uma espécie de capital mundial da pimenta. É uma saga que começou em 1868, quando, depois de ver seus negócios arruinados pela Guerra Civil americana, o banqueiro de New Orleans Edmund McIlhenny engarrafou as primeiras 350 garrafas do molho fabricado nos fundos de sua casa, em Avery Island, no sul do Estado da Louisiana. Usou pimentas que ele mesmo havia plantado com as sementes de Capsicum frutenscens secas, presenteadas por um amigo viajante. Decidiu chamar o molho de “Tabasco” e o sucesso foi imediato: a marca logo ganhou o mundo. Edmund segredou aos amigos: “Descobri uma mina de ouro.” Ele não descuidou do tesouro: antes de engarrafar, continuou até a morte a provar e aprovar pessoalmente o molho. A tradição prossegue, com a indispensável degustação de um membro da família. Hoje, o produto é distribuído em mais de 150 países, rotulado em 22 línguas e dialetos diferentes, transformando-se na marca do Estado de Louisiana mais conhecida do mundo. Cerca de 700 mil garrafinhas de 60 ml são produzidas por dia na fábrica da ilha de Avery.

A metáfora é irresistível. O gosto apimentado se aplica também aos costumes locais em matéria de festejos: a tradição de nudez do carnaval de Nova Orleans é secular, documentada desde 1889, com mulheres mostrando os seios. Até hoje, um ponto alto da festa é o desfile das garotas, geralmente universitárias, mostrando os seios. A tradição manda que, em troca, recebam inocentes colares de continhas atirados pelo público.

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