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Posts do dia 9 março 2012

Separe os ingredientes do Risoto de costela

09 de março de 2012 2

foto: Adam Scheffel

1,3kg de costela
2 xícaras de arroz
4 xícaras de caldo de carne
1 dente de alho
1 xícara de ervilha
200g de creme de leite fresco (nata)
Opcional: 200g de cogumelo em conserva
60g de cogumelo seco

O programa completo vai ao ar neste sábado na RBS TV, às 8h30. Não perca!

@voltaremos!

Cortar a língua dos artistas?

09 de março de 2012 0

O pedante na cozinha (Editora Rocco, 142 pgs.) é um livro que vale a pena. O autor, Julian Barnes, é um escritor inglês de prestígio (O papagaio de Flaubert, entre outros livros marcantes), que relata suas aventuras e desventuras de sofisticado cozinheiro amador. Em português (em inglês e em italiano também) a palavra “pedante” tem dois significados. No sempre consultado Aurélio, pedante é (1) aquele que “se expressa exibindo conhecimentos que realmente não possui; parlapatão, impostor, vaidoso, pretensioso”. Noutro sentido, (2) é aquele que “ostenta erudição afetada e livresca; afetado, amaneirado, rebuscado”. O pedante do livro de Barnes não é o parlapatão do primeiro significado e sim o rebuscado que ostenta erudição livresca. E a graça do livro são exatamente as dúvidas e naufrágios de um cozinheiro teórico, muito informado, diante das surpresas de um fogão da vida real.

Barnes despreza “o cozinheiro amador autodidata, ansioso e que faz cara feia para os livros de receitas”, lembrando uma posição típica dessa prolífica fauna: “Ah, não leio receitas − dizem eles. Ou então: ‘Leio receita só para aproveitar idéias’. Certo, ótimo, mas vou fazer uma pergunta: alguém contrataria um advogado que dissesse: ‘Ah, eu dou uma olhada em algumas leis, mas só para aproveitar idéias’?”

Também sobram estocadas para os chefs esnobes. Barnes diz que o pior prato que comeu na vida − “pior no sentido de me deixar mais indignado” − foi num restaurante francês cheio de estrelas em que o chef utilizava a “cozinha do instinto”, desprezando as receitas: “naquela noite, a intuição dele o fez usar, sozinho, toda produção de vinagre do país, prato após prato”. Por isso, acredita que os grandes chefs que falam demais merecem a sentença de Matisse: “Deviam cortar a língua dos artistas”.

Com orgulho Julian Barnes afirma: “continuo a ser um cozinheiro que se baseia em textos” e confessa que não é competitivo, nem está interessado em saber se “cozinhar é ciência ou arte”. Ele se conforma “se for um hobby como marcenaria ou reparos domésticos”. Ao falar em hobby, Barnes aproveita para fazer uma maldade, dizendo que ficou surpreso “ao descobrir que a jardinagem, com todo aquele ar de serenidade anterior ao pecado original, é furiosamente competitiva, e quase sempre quem se entrega a essa atividade são os invejosos, os desonestos e os criminosos discretos”.