Querido amigo Giorgis!
Que honra receber tua mensagem. Aceito a crítica, que foi muito mais elegante do que meu texto merecia.
Minha indignação furiosa contra a destruição sistemática da memória coletiva, que desfigura a cidade, me levou a cometer duas injustiças. Ambas imperdoáveis. Uma delas contra uma das minhas maiores admirações: o grande arquiteto e professor Carlos Maximiliano Fayet, ícone da cultura e da arquitetura brasileira, autor do projeto do Tribunal de Justiça. O Fayet sempre foi um craque e o prédio do Tribunal de Justiça é moderno, e não "modernoso". Da mesma forma, o prédio da Assembleia Legislativa não merece ser posto abaixo, embora o antigo auditório Araujo Viana, que está ali sepultado, por certo não foi vítima de um incêndio. De qualquer modo, fui injusto e impreciso com ambos. Não me constranjo em me desculpar do excesso, o que farei publicamente.
Mas não adianta eu te mentir: meu coração continuará a sangrar diante de cada testemunho de nossa história que for substituído por um novo prédio, modernoso ou moderno. Dia desses, numa palestra no Colégio de Aplicação fiquei alarmado quando percebi que nem os professores sabiam da existência dos velhos pavilhões de madeira onde eu e tantos outros formamos nosso caráter e, nos anos 1950 e 1960 tivemos a ilusão de que seria possível tomar o céu de assalto... No caso, aquelas salas memoráveis onde descobrimos Fernando Pessoa, Einstein, Flaubert, os teoremas, onde ceeta vez Paulo Autran nos levou às lágrimas, onde vivemos os primeiros encontros e desencontros... deram lugar a uma estacionamento!
O convite está aceito. Vou te visitar. A nossa amizade e admiração mútua são prédios antigos com sólidos alicerces. Volto de viagem depois da segunda semana de maio e te ligo.
Recebe a gratidão e o abraço fraterno do José Antonio
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Para: Anonymus Gourmet
Assunto: Explicação










