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Posts do dia 20 abril 2012

Eu fiz assim - Especial Lanches

20 de abril de 2012 2

A telespectadora Deize Quadros deu seu toque especial nas receitas de Quiche de frango com palmito, um lanche simples mas com resultado surpreendente, e a Torta fria do Anonymus, com maionese turbinada, feito com camadas e mais camadas de vegetais frescos e coloridos.

“Turbinei a maionese e coloquei uma camada de tomate sem pele picado, pepino em conserva, cenoura e queijo prato ralado grosso. Ficou uma delícia! Outra receita que mudei um  pouco foi a massa do Quiche de frango que coloquei uma pitada de sal, de açúcar e uma colher rasa de fermento para bolo. Não foi nenhum sacrifício comê-la!”, escreveu Deize.


Foto: Arquivo Pessoal


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Último suspiro do anjo iluminado

20 de abril de 2012 0

A velha questão que volta sempre: música no jantar. Anonymus Gourmet, que ainda hoje lê autores esquecidos, acha graça da frase de Talleyrand: “Música no jantar é sempre uma traição: ao maestro ou ao cozinheiro”. Acha graça, mas discorda amavelmente, porque adora jantar com Schubert. Ou jazz – dependendo do cardápio. O jazz ajuda a comer, beber e escrever.

Lobo Antunes diz que aprendeu a escrever com os saxofonistas de jazz, principalmente Charlie Parker, Lester Young e Ben Webster, o Webster da fase final, de Atmosfera para Amantes e Ladrões, “onde, se entende mais sobre metáforas diretas e retenção de informação do que em qualquer breviário de técnica literária”. Lobo Antunes lembra que Lester Young começou por tocar bateria. Certa vez, um crítico perguntou-lhe por que mudou da bateria para um instrumento de sopro, e Lester Young explicou: “Sabe, a bateria é complicada. No fim dos concertos, quando acabava de desarmá-la, já todos os colegas tinham ido embora com as garotas mais bonitas.” O fato de desejar ter também garotas bonitas levou-o, entre outras obras-primas, a These Fooling Things onde, segundo Lobo Antunes, “cada nota parece o último suspiro de um anjo iluminado.”


Lester Young


Na hipótese de Schubert ao jantar, Anonymus não esconde a preferência pelo Allegro Vivace, com a Royal Philharmonic Orchestra, regência de Jonathan Carney, com Ronan O’Hora ao piano. Em qualquer hipótese, na sobremesa, doce de ovos moles, sempre! Depois da sobremesa, num desses jantares frugais, já com o Allegro Giusto sonando, Anonymus recordou Schubert, num trecho do Livro de San Michele, do grande Axel Munthe (outro esquecido), antigo best seller da gloriosa Coleção Catavento, da Editora Globo: “Schubert tinha dezenove anos quando compôs a música para o Erlkönig de Goethe e enviou-lha com uma humilde dedicatória.

Nunca perdoarei ao maior poeta dos tempos modernos o não ter enviado uma palavra de agradecimento ao homem que imortalizou o seu poema. O gosto musical de Goethe era tão mau como o seu gosto artístico. Schubert nunca viu o mar, mas nenhum compositor, nenhum pintor, nem poeta algum, salvo Homero, nos fez compreender como Schubert, o calmo esplendor do mar, o seu mistério e as suas cóleras. Tinha 32 anos quando morreu na maior miséria, como tinha vivido. Nem sequer possuía um piano. Depois da morte, todos os seus bens terrestres, as roupas, os poucos livros e a cama, foram vendidos em hasta pública por sessenta e três florins. Numa maleta velha debaixo da cama, foi encontrada uma porção de canções imortais que bem mais valiam que todo o ouro dos Rothschild da sua Viena, onde viveu e morreu.”