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Olhos gulosos para os biquínis

01 de junho de 2012 0

O navio sai de Civitavecchia, perto de Roma, à noite e chega à Sardenha, uma ilha imensa da Itália, de manhã cedo. Num dos salões do navio, próximo a Anonymus Gourmet, a gorda camponesa abria o seu farnel com o pão rústico, fatias de mortadela que pareciam grandes guardanapos, uns tomates e umas folhas verdes bem rijas, uma garrafa de vinho e uma garrafinha menor de azeite de oliva que ela derramou com vontade, encharcando o pão.

A ilha de Sardenha é um dos destinos mais requisitados no mediterrâneo


Ao vivo e a cores, um pouco da ilha e de uma de suas riquezas: na Sardenha e no sul italiano está o berço da grande onda do mundo da alimentação na década passada: a Dieta Mediterrânea, que combate o mau colesterol, a hipertensão arterial, diversos tipos de câncer e promete a longevidade. Essa promessa de vida longa é cumprida com rigor. Na ilha há 24 pessoas que passaram dos 100 anos de idade em cada 100 mil habitantes, três vezes mais do que a média europeia. Reforçando a lenda, muitos desses centenários, enquanto observam com olhos gulosos as estrangeiras de biquíni nas praias magníficas da ilha, murmuram que continuam em plena forma.

Por certo que a paisagem é decisiva para prolongar a vida: as praias mais lindas do mundo, com águas calmas que ficam azuis ou verdes de acordo com a luz e o lugar, o clima tépido, com invernos e verões sem extremos. Mas a Dieta Mediterrânea parece ter papel decisivo, com todos os seus encantos, inclusive um leve sabor de pecado: por ser meio permissiva, ao incluir o vinho e o azeite de oliva, tolerando alguns amáveis excessos como a boa mortadela local, e valorizando vegetais e saladas saborosas, quebrou o conceito popular de dieta, ligado à fome e à restrição alimentar.

A Dieta Mediterrânea, essa “dieta da longevidade”, como foi chamada com justiça, já conquistou adeptos por toda a parte, porque inclui também alguns princípios de estilo e qualidade de vida: valorizar a mesa como ponto de encontro, e as refeições como intervalos relaxantes; dar importância aos alimentos preparados com simplicidade e com ingredientes naturais; preferir o azeite de oliva entre os óleos utilizados na cozinha, porque é menos nocivo mesmo para as frituras; consumir com abundância os produtos hortifrutíferos: cenoura, tomate, alface, cítricos, pimentões, morangos, etc.; comer peixe pelo menos três vezes por semana; e, muito importante: uma taça de vinho durante as refeições principais exalta o sabor do prato que o acompanha e melhora os processos digestivos, estimulando a produção dos sucos gástricos.

Além de todas essas amáveis restrições e saborosas imposições, a Dieta Mediterrânea, garantem seus adeptos, não engorda e, com certeza, prolonga a vida.

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