B. Traven é um dos maiores enigmas da literatura mundial. Teria nascido ao que tudo indica em Chicago (como Traven Torsvan) por volta de 1890. Entretanto há versões divergentes que consideram São Francisco, nos EUA, ou Schwiebus, na Alemanha, como sua cidade natal. Viveu na Alemanha pré nazista ganhando a vida como ator e atuando em movimentos revolucionários (como Red Marut). Proibido de viver nos EUA, emigrou ao México nos anos 1920, para se estabelecer em Chiapas (como Hal Croves). Há muitas dúvidas sobre seu nome verdadeiro e nenhuma segurança sobre a data e o local exatos do seu nascimento – e também sobre sua morte, ocorrida possivelmente no México em 1969.
Mas há certeza absoluta sobre a irretocável excelência de seu trabalho de escritor. A começar pelo esplêndido “O Tesouro de Sierra Madre”, com primorosa adaptação para cinema de John Huston, estrelada por Humphrey Bogart e pelo pai do diretor, Walter Huston, ambos à altura da empreitada. Também não há como esquecer “O Visitante noturno e outras histórias” e, por certo, “O Barco da morte”, o livro que Albert Einstein afirmou que levaria para uma ilha deserta.

"O Tesouro de Sierra Madre", baseado na obra homônima de B. Traven, foi um dos primeiros filmes a realizar locações fora dos EUA.
Nas tratativas para negociar os direitos do filme, John Huston viajou ao México e marcou uma reunião com B. Traven no hotel em que estava hospedado. Apareceu um homem que apresentou-lhe um bilhete: “De B. Traven a John Huston. Estou enfermo e não posso ir vê-lo. O portador, meu amigo Hal Croves, que conhece minha obra tão bem como eu, poderá responder a todas as suas perguntas.” Somente anos depois, Huston descobriria que “o amigo Hal Croves”, com quem se reunira e tratara todos os detalhes do roteiro, era o próprio B. Traven.
Apesar de sua qualidade literária, foi durante boa parte da vida um fugitivo, por suas ideias anarquistas e revolucionárias. Conseguiu manter a identidade em segredo, apesar de sua produção literária ter sido traduzida para dezenas de idiomas, ultrapassando todas as barreiras do anonimato. Para completar o insólito, sua melhor biografia saiu publicada em quadrinhos (estupendos) de Guy Nadeau, mais conhecido como Golo.
No México, em Chiapas, onde foi acolhido como um filho e escreveu grande parte de uma extensa e, apesar tudo, ainda subestimada obra, era chamado de “gringo misterioso”. Conta a lenda que gostava de bebidas fortes e, assimilando o gosto mexicano, comidas muito apimentadas. Depois de sua morte, possivelmente em 1969, suas cinzas teriam sido lançadas ao vento.




