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Veja duas receitas de Pão Recheado preparados pelo Anonymus e Alarico

Na companhia de Alarico, Anonymus comemorou o Dia do Amigo....

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Entre alcovas e travessas de macarrão

Numa tarde ensolarada deste verão italiano, quando estiver no vaporetto...

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Assista ao Anonymus na Fenadoce e aprenda a preparar o Quindim

Em sua visita à Fenadoce deste ano, Anonymus Gourmet aproveitou...

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Panqueca de Banana para as férias

Você deve estar com seus filhos em casa nesse período...

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Eu fiz assim: Bolo de Arroz e Espinafre

Você que é fã de invenções na cozinha e adora...

Itália é celebrada no programa especial ao sabores dos imigrantes

16 de maio de 2014 0

Nos programas do especial Origens você descobre um pouco mais sobre as pessoas de diversas partes do mundo que colonizaram o Rio Grande do Sul, trazendo sua cultura e absorvendo nossas tradições, tornando-se autênticos gaúchos. No terceiro programa da temporada você confere um pouco da História do Rio Grande do Sul sobre a visão dos imigrantes italianos. Música, receitas, danças e um pouco da cultura do nosso estado. Anonymus Gourmet conversa com convidados e em seguida vai para a cozinha onde prepara um delicioso Tortéi Recheado e uma saborosa Carne de Panela. Tem também grostoli para o lanche!

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PROGRAMA ANONYMUS GOURMET
CARDÁPIO: Especial Origens – Tortéi Recheado com Carne de Panela
QUANDO: 17 de maio, às 8h30
ONDE: na RBS TV

Queijo Limburgo e bolachinhas

16 de maio de 2014 0

No trabalho dos artistas em geral, e dos escritores em particular, o “invisível espírito do vinho”, para usar a elegante expressão de Shakespeare, é um mito. Charles Bukowski, por exemplo, que passou dos 70 anos escrevendo e bebendo em escala industrial, encerrava-se no seu escritório, todas as noites, com um bloco de folhas de papel ofício e uma garrafa de Beaujolais (ou Juliènas, ou ou Brouilly, ou Fleurie — ele amava vinhos jovens, levemente refrescados). Pela manhã, sua empregada encontrava sempre na soleira da porta um envelope com um conto impecavelmente datilografado e uma garrafa vazia.

A polêmica sobre os efeitos encantadores ou devastadores do vinho (e do álcool em geral) no trabalho de um escritor é um tema em aberto.

Gosto de lembrar um belo artigo de Gore Vidal —um dos nossos colaboradores mais assíduos na sempre lembrada revista Oitenta—, em que ele afirmava, com um toque de inflamada dramaticidade, que “o álcool matou Scott Fitzgerald aos 45 anos e impediu que Hemingway e Faulkner escrevessem qualquer coisa valiosa nos seus últimos anos”.

Edmund Wilson

Edmund Wilson foi um escritor, ensaísta, jornalista, historiador e crítico literário estadunidense.

Mas Gore Vidal evitou a tentação de engarrafar um dogma. Com o fascínio habitual, também se rendeu ao oposto. Nesse artigo da Oitenta ele reconhece que, mesmo para quem o consome em escala industrial, o álcool não é necessariamente o fim da atividade literária. Exemplificava com um homem que enchia páginas com a mesma disposição que esvaziava garrafas: Edmund Wilson. Perto dele, Bukowski era quase um abstêmio. Segundo Gore Vidal, Wilson escreveu mais e também bebeu mais do que, juntos, Fitzgerald, Hemingway e Faulkner, “as três estrelas despedaçadas”, na sua bela e amargurada definição.

Mesmo bebendo tanto assim, Edmund Wilson chegou perto dos 80 anos de idade em plena forma. Trabalhou e bebeu profissionalmente, em tempo integral, até o final. A dieta de Wilson era de arrepiar a geração saúde: entrava no Princeton Club e pedia seis martinis extra dry, a serem preparados e consumidos não em sequência, mas simultaneamente. Aos setenta e tantos anos, escreveu em seu diário, num sábado, 13 de agosto: “Bebi uma garrafa inteira de champagne, depois terminei um vinho de Porto. A seguir abri um ótimo tinto francês que consumi com queijo Limburgo e bolachinhas. A longo prazo isto pode me fazer mal”.

O que Edmund Wilson temia: o queijo Limburgo ou as bolachinhas?

Aprenda a fazer o Escondidinho Alemão para a janta

15 de maio de 2014 2

Neste segundo programa da temporada você confere um pouco mais da História do Rio Grande do Sul, agora sobre a visão dos imigrantes alemães. Música, receitas, danças e um pouco da cultura do nosso estado. Anonymus Gourmet conversa com convidados especiais e ainda prepara o clássico Escondidinho de Linguiça.
Não perca! Voltaremos!

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PROGRAMA ANONYMUS GOURMET
CARDÁPIO: Especial Origens – Escondidinho Alemão
QUANDO: Sexta-feira, 16 de maio, às 18h30
ONDE: na TVCOM

Visitamos três restaurantes participantes do Brasil Sabor 2014

13 de maio de 2014 0

Maior festival gastronômico do país. A nova edição do Brasil Sabor acontece nos melhores bares e restaurantes oferecendo aos clientes pratos especialmente preparados, representativos da culinária local, com preços promocionais. O tema desse ano é “O Brasil inteiro pedindo mais um”. Anonymus Gourmet foi conhecer alguns destes sabores em três restaurantes de Porto Alegre: Vermelho Grill, Boteco Dona Neusa e Santuá.

Escondidinho de Charque - Brasil Sabor

PROGRAMA ANONYMUS GOURMET
CARDÁPIO: Brasil Sabor 2014
QUANDO: Quinta-feira, 15 de maio, às 18h30
ONDE: na TVCOM

Acompanhe o programa especial alemão e anote as receitas

10 de maio de 2014 1

Neste segundo programa da temporada você confere um pouco mais da História do Rio Grande do Sul, agora sobre a visão dos imigrantes alemães. Música, receitas, danças e um pouco da cultura do nosso estado. Anonymus Gourmet conversa com convidados especiais e ainda prepara o clássico Escondidinho de Linguiça, além de provar os melhores Bolinhos de Batata da Serra Gaúcha. Assita aqui:

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Bolinho de Batata

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Escondidinho de Linguiça e Bolinho de Batata no programa alemão

09 de maio de 2014 0

Anonymus Gourmet – Origens Alemãs, aqui você descobre um pouco mais sobre as pessoas de diversas partes do mundo que colonizaram o Rio Grande do Sul, trazendo sua cultura e absorvendo nossas tradições, tornando-se autênticos gaúchos.

Neste segundo programa da temporada você confere um pouco mais da História do Rio Grande do Sul, agora sobre a visão dos imigrantes alemães. Música, receitas, danças e um pouco da cultura do nosso estado. Anonymus Gourmet conversa com convidados especiais e ainda prepara o clássico Escondidinho de Linguiça. Não perca! Voltaremos!

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PROGRAMA ANONYMUS GOURMET
CARDÁPIO: Especial Origens – Escondidinho de Linguiça
QUANDO: Sábado, 10 de maio, às 8h30
ONDE: na RBS TV

O legado do cozinheiro escritor

09 de maio de 2014 0

Vargas Llosa lamenta que seus antigos compatriotas, os incas, não tenham deixado história: quando morria o imperador, morriam com ele não só suas mulheres e concubinas, mas também seus intelectuais – os “amautas” ou homens sábios, aqueles que registravam as histórias e feitos do soberano. O novo inca assumia o poder “com uma corte reluzente de novos sábios”, encarregados de recontar a história oficial, como se tudo de bom fosse obra do novo soberano: os antecessores e a memória deles seriam tragados pelo esquecimento.

Penso nessa trágica lembrança que deixou os incas sem história, ao lembrar alguém que fez justamente o contrário: Antonin Carême. Já falei aqui do confeiteiro e cozinheiro francês que inventou o suflê, o merengue, o molho branco, a massa folhada e dezenas de outros milagres de forno e fogão. Carême foi o chef de cozinha favorito de Napoleão Bonaparte, do czar Alexandre da Rússia, dos reis ingleses, da família Rothschild e de toda elite europeia. Não por acaso ficou conhecido como o cozinheiro dos reis e o Rei dos cozinheiros: inventou até mesmo o chapéu de chef de cozinha, que usava como coroa legítima de rei.

Carrême

Carême foi o chef de cozinha favorito de Napoleão Bonaparte, do czar Alexandre da Rússia e dos reis ingleses.

Mas, na verdade, ele foi mais do que tudo isso, porque deixou um legado escrito. O maior mérito de Carême não foi o privilégio daqueles momentos fugidios de glórias e gloriolas diante dos figurões deslumbrados, enfastiados e extasiados com seus quitutes. Ao contrário dos incas, ele teve o talento e o empenho de escrever, contando com vivacidade e graça a História e as histórias: das receitas, dos comilões e dos incansáveis trabalhadores que davam vida, e muitas vezes a própria vida, aos fornos e fogões. Registrou em cadernos bem organizados não só o passo a passo de suas criações culinárias, mas também observações e curiosidades sobre os salões e as cozinhas do seu tempo. Com isso, tornou-se um escritor notável de suas receitas, e também de crônicas e registros tão valiosos quanto as delícias que levava às mesas mais importantes do início do século XIX.

O inglês Ian Kelly, autor da magnífica biografia de Carême (“Cozinheiro dos Reis”,  Zahar, 2005) mostra que ele relatou não só os lances diplomáticos que se desenrolavam nos salões, mas também os problemas e infortúnios que afligiam os criados, numa crítica às péssimas condições de trabalho: o próprio Carême acabou sendo envenenado pela fumaça do carvão com que trabalhava em seus fogões. Dos salões, entre os registros notáveis que deixou Carême, estão as conversas com Talleyrand, o mais poderoso político francês de todos os tempos. Quando perguntaram a Talleyrand, no Congresso de Viena, em 1814, o que seria necessário para assegurar os direitos dos franceses, Carême anotou a resposta do grande líder: “Mais panelas!”

Veja os belos sabores da Serra Gaúcha

08 de maio de 2014 0

Na primeira temporada do Especial Origens vamos homenagear alguns dos imigrantes que fazem parte desta história, com receitas saborosas, muita música, dança e um pouco da cultura que faz do Rio Grande este belo estado. No primeiro programa, Anonymus explora um pouco da vida na colônia. Ao lado da família, o apresentador prepara um verdadeiro Café Colonial. Uma deliciosa receita de Cuca Recheada, um surpreendente Pão de Abóbora.

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Café Colonial traz as receitas Cuca Recheada e Pão de Abóbora

03 de maio de 2014 4

No primeiro programa da temporada sobre as Origens, Anonymus explora um pouco da vida na colônia. Ao lado da família, o apresentador prepara um verdadeiro Café Colonial. Uma deliciosa receita de Cuca Recheada, um surpreendente Pão de Abóbora e ainda outras dicas para quem quer preparar uma bela surpresa.
Veja as receitas por aqui.

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O jantar de Dom Quixote

02 de maio de 2014 0

Nossos apetites continuam os mesmos. Mas os tempos mudam.

Nove anos atrás, Portugal e Brasil tinham em comum sonharem acordados que estavam no primeiro mundo. Cá tínhamos esquecido inflação, corrupção, estagnação e outros ãos; lá, os portugueses pensavam que estavam ricos, e também os brazucas que viajavam para lá para cumprir tarefas modestas em troca de euros. Recordar é viver. O jantar foi naqueles tempos delirantes, repasto esplêndido desde o primeiro prato: a canja anunciada não era uma prosaica sopa. Era uma canja “de pombo bravo”.

Logo percebi que não era esnobismo do cardápio: era o prenúncio de sabores e aromas selvagens. Fechei os olhos para captar toda a dimensão das notas e sensações do caldo extraordinário. As papilas gustativas em alerta estremeceram com o poderoso alarme do sabor. Era uma delícia que galinha alguma, por mais caipira que fosse, por mais bem temperada e bem cozida, jamais conseguiria igualar.

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O Almirante e o Monteiro, que me acompanhavam solidários, também pareciam emocionados. O Almirante teria deixado escapar uma lágrima? O certo é que degustamos a tal canja de pombo bravo, guarnecida por um severo tinto do Douro, comovidos e em silêncio: qualquer palavra poderia perturbar o deleite. Enquanto aguardávamos a próxima atração, convidei os companheiros de emoção para um brinde ao bom gosto de Cervantes. Afinal, a dieta de Dom Quixote incluía “filhote de pombo bravo como acréscimo aos domingos”. Cheguei a especular como ele preparava o tal pombo bravo: no forno, crocante, com cebolas e batatas? Ou quem sabe na caçarola, perfumado por um daqueles tintos soberbos de Rioja?

Concluí que só poderia ser uma canja como aquela! Agora eu sabia. Numa espécie de delírio, tive certeza que, ali, na minha frente, fumegava o prato sugerido por Cervantes em 1604. Quatro séculos depois, outra vez, eu tinha que me curvar diante do maior de todos os escritores. Até como gastrônomo, Cervantes reinventava a realidade melhor do que os outros: nada se iguala a uma canja de pombo bravo.  Ainda nos recuperávamos da comoção do pombo, e lá vinha o prato principal,  um exuberante arroz com lebre, irretocável por certo. A lebre saltou no nosso conceito, mas não voou nas alturas do pombo. A sobremesa esteve à altura. Veio à mesa uma surpreendente “barriga de freira”, da melhor tradição dos doces conventuais portugueses. Entretanto, nada mais poderia alterar a história daquele jantar. Tudo ficou menor diante da magnitude da canja de pombo bravo. Lisboa nunca mais seria a mesma. Depois daquela canja, Cervantes, que já era imenso, ficou eterno.