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Posts com a tag "livro"

Sortilégios da cozinha - J. A. Pinheiro Machado

31 de maio de 2013 0

Da série “filmes e livros que não envelhecem”. Revi esses dias, com o mesmo prazer de 15 anos atrás, Como água para chocolate, uma reflexão filosófica, digamos assim, sobre a gastronomia. A ideia geral é a exaltação dos sentidos, transformada numa história sedutora: o livro de Laura Esquivel superou a marca dos dois milhões de exemplares, e o filme, cujo roteiro ela escreveu sem trair nem o cinema e nem a literatura, teve platéias repletas e emocionadas em mais de vinte países. Tantos anos depois, resistiu ao tempo.

A história resiste e continua cativante porque funciona. Primeiro, funciona como celebração da cozinha, elevada a território mágico. Cozinhar não é um dever aborrecido a ser executado por uma dona-de-casa exausta e sem esperança, ou por empregadas contrafeitas, ou por alguém com pressa descongelando qualquer coisa num microondas. O bom desempenho na cozinha carrega, para Tita, o impulso de uma vocação e a urgência de um destino. “Amor”, segundo ela, era o seu maior segredo culinário.

Quando o mundo parecia desabar, Tita emergia de cada um de seus naufrágios agarrada à solidez do velho fogão a lenha, que governava como se fosse o timão que não pode ser abandonado numa tempestade. E se salvava da desesperança com o alento dos sortilégios que sabia retirar daquelas panelas gastas. Esses sortilégios, na forma de sabores às vezes insuspeitados, não eram resultados matemáticos de receitas bem executadas. As receitas, numa cozinha, são por certo indispensáveis como uma bússola em alto mar. Mas, receitas e bússolas se tornam instrumentos sem serventia se não houver, para decifrá-las, timoneiros como Tita, de rumos inabaláveis.

A história de Laura Esquivel também funciona como uma metáfora às vezes empolgante, às vezes dolorosa, sobre a supremacia dos sentidos. O paladar, o olfato e a atração sensual são amáveis fatalidades à espera.

A diferença de Tita é que ela se rende aos apetites e fatalidades. Como água para chocolate é um hino a essas saborosas rendições: seja nas cenas quase lúbricas em que os convidados se deliciam voluptuosamente à mesa, ou no esplêndido momento em que Tita, apesar da vida reconstruída por um afetuoso e paciente companheiro de conveniência, surpreende a platéia e “trai” o noivo, vivendo num instante irresistível a paixão da vida inteira. É desconcertante perceber que os impulsos sensuais reinam esmagadores sobre as certezas organizadas de nossa razão, feitas de acordos, resignações e desistências sem consolo.

Foto: Anna Magal - Divulgação/Creative Commons

Millôr, a gastronomia, o vinho e o livro

06 de abril de 2012 0

“O gourmet é um comilão erudito”, dizia Millôr Fernandes, que apreciava a boa mesa e um cálice de vinho de boa data, talvez em consequência de sua origem italiana incontornável, chancelada pelo sobrenome materno: Viola. “Gastronomia é comer olhando prô céu” dizia o seu apetite italiano. Apetite que se revelava na preferência por um restaurante com fortes sabores e sotaques peninsulares, o Arlecchino, que lhe inspirou um poema amargo na antevisão da morte: “Quando eu morrer/Tenho certeza,/ Meus amigos vão sentir/ Muito por mim,/ E, jantando no Arlechino,/Vão dizer que eu fui assim,/ Assim, assim & assim./ Mas não suspenderão/ Nem uma só/ Garfada de talharim.”

foto: divulgação

Esse ceticismo ilumina seu trabalho. Millôr, embora fosse um pioneiro em matéria de computador, não aceitava muito bem o livro para ser lido no computador, ou em outras “plataformas” virtuais. Millôr era do time de Guillermo Arriaga, diretor de cinema (“Burning Plain”) e roteirista (“21 Gramas”,  “Babel”, “Amores Brutos”) que sempre afirmou que o livro de papel é imbatível, e não vai morrer, por um motivo singelo: é mais prático.

“Existe algo mais perfeito que isso?” − pergunta Arriaga, sacudindo um livro com a mão. − “Posso abri-lo, fechá-lo, amassar suas páginas, dobrar, segurar debaixo do braço, virar, largar, pegar... Não vejo problema nos livros eletrônicos, mas não se pode manipulá-los, o que é grande parte da diversão. O livro de papel é perfeito, − e o livro eletrônico morre assim que acaba a bateria”.

Umberto Eco entusiasma-se dizendo que as variações não alteraram o “objeto livro” em mais de 500 anos:

“O livro venceu seus desafios e não vemos como, para o mesmo uso, poderíamos fazer algo melhor que o próprio livro. – diz o diz O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados. Você não pode fazer uma colher melhor do que uma colher.”

E se alguém sugere que o iPad tem toda a praticidade de um livro, − a começar pela forma semelhante, podendo ser utilizado comodamente para leitura numa poltrona, ou deitado na cama, − Eco permanecerá irredutível: por certo vai considerar um pouco arriscado ler um iPad na banheira.

Muitos anos antes, Millôr Fernandes, o gênio premonitório, antecipou-se ao debate com ironia soberba:

“Anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada, nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!”

Champagne, para aceitar o mundo

25 de novembro de 2011 0

Talvez nem o autor, Rubem Fonseca, pudesse imaginar que, hoje, quatro décadas depois de lançado, O Caso Morel teria mais atualidade, - ou talvez mais realidade, - do que em 1973, quando foi publicado pela primeira vez.  É um livro para ser degustado, embora para almas mais sensíveis possa ser de difícil digestão. Aquela ficção que décadas atrás parecia uma espécie de exagero expressionista, lida hoje, ganha inesperada sintonia com a vida quotidiana. Em geral, da ficção se exige mais verossimilhança do que da realidade. O mundo real tem direito ao absurdo, ao despropósito e à irracionalidade, e todos acabamos conformados, com um sacudir de ombros e alguma frase feita do tipo: “É o mundo... O que se pode fazer?” Anonymus Gourmet, nessas horas, gosta de um cálice de champagne para aceitar o mundo.

A ficção de Rubem Fonseca é verdadeira como a vida real, e restaura com esmero seus absurdos e despropósitos. O clima de violência, a brutalidade, e as dolorosas expressões de desencanto que formam o ambiente de O Caso Morel, hoje, quando levantamos os olhos do livro, aparece como uma maldição da realidade, por toda a parte, nas páginas dos jornais, ou caminhando pelas ruas, muitas vezes entrando em nossas casas, vivendo perto ou, o que é pior, dentro de nós. Em 1973, a violência física e moral, as obsessões do sexo e da morte, pareciam coisas dos outros, que nada tinham a ver com a segurança do nosso mundinho de classe média instruída, mundinho naquele tempo assegurado e iluminado pela imagem do Brasil Grande, o país rutilante da moral e dos bons costumes, do “ame-o ou deixe-o”. Mas, aquelas falas que, décadas atrás, poderiam soar como insólitas deformações dos personagens estranhos do Rubem Fonseca, têm o caráter premonitório que define a grande literatura.

O Caso Morel é um caso de grande literatura. O artista Paul Morel está preso acusado de um crime, e poderia ser retratado nos versos de Paulo Mendes Campos: “suas rugas são prantos da véspera, caminhos esquecidos, rastros erradios de um caminho que não vai e nem volta”.  Talvez para reencontrar caminhos, resolve perseguir os próprios rastros, escrevendo um livro, um relato de sua vida. Conta com o auxílio de Vilela, personagem que aparece em outras histórias do autor e que, como o próprio Rubem Fonseca, é ex-delegado e escritor. Não faltam momentos de vertigem, mas a leitura segue o rumo como um barco sólido: no timão, o olhar abrangente de um dos grandes mestres da literatura brasileira, sensível às contradições sociais, mas especialmente atento às desesperanças individuais. A história se estrutura sobre a combinação engenhosa das conversas de Morel e Vilela com o livro que Morel está escrevendo, alternando opiniões sarcásticas sobre arte e literatura com memórias de sexo e diálogos desencantados. O texto límpido ilumina cenas sombrias do comportamento humano, que ganham força de cenas da vida real. Essa mistura borbulha, e cativa o leitor pelo brilho da escrita: a agilidade da narrativa tem a marca de um romance policial de primeira classe.

Memórias do Anonymus Gourmet - Sucesso na Feira do Livro

16 de novembro de 2011 0
Mais um sucesso na Feira do Livro na Feira do Livro: o lançamento do último livro de José Antonio Pinheiro Machado, o Anonymus Gourmet. Na noite de autógrafos, destaque para o Alarico, citado nos livro, e personagem importante dos programas da TV. A pedido dos leitores, Alarico sentou na mesa junto com Anonymus e autografou do início ao fim da festa de lançamento. Muita gente presente e grande repercussão das "Memórias do Anonymus Gourmet" (L&PM, 246 páginas). Carlos Maranhão, Diretor da Veja São Paulo, saudando o lançamento, escreveu: "Sua prosa continua irresistível e impecável."


Anonymus Gourmet, desde o ano 2001, vem sendo um dos líderes de vendas na Feira do Livro de Porto Alegre, com os livros de receitas, que já venderam mais 400 mil exemplares. Este ano, a novidade foram as "Memórias", um livro de textos, com as histórias das viagens e aventuras do Anonymus, no Brasil e no exterior, incluindo "degustações" literárias de seus autores favoritos, e muitos bastidores do programa da TV.
Comentando o lançamento, Pinheiro Machado disse atende uma parcela importante do público que reclamava um livro com o "lado" de jornalista e escritor do Anonymus:
"No dia a dia dos programas da TV, sempre tenho retorno das pessoas, que falam de sua preferências, às vezes com antagonismo radical entre aqueles que gostam de doces ou salgados, por exemplo. Entre as várias 'tribos' de nos acompanham, havia uma que estava, digamos assim, 'desassistida': os meus leitores, das crônicas que escrevo, há mais de 10 anos, às sextas-feiras, no caderno de Gastronomia da Zero Hora."


Pensando nesses leitores, Anonymus Gourmet utilizou muitas de suas colaborações com Zero Hora, inclusive a longa matéria publicada sobre o melhor restaurante do mundo, o Noma de Copenhague. Mas o livro ganhou uma estrutura orgânica. Não é uma simples coleção de artigos de jornal:
"O livro foi escrito e reescrito inteiramente, da primeira à última página. Uma coisa é escrever para o jornal e outra para um livro que, necessariamente, tem um sentido de permanência".
A pergunta inevitável: novos livros em projeto?
"Sim. Para o ano que vem VOLTAREMOS com uma seleção de novas receitas. E também um outro livro com novas crônicas, reportagens e relatos de viagem."



Anonymus na Feira do Livro de Porto Alegre

08 de novembro de 2011 0

Anonymus Gourmet não podia ficar de fora da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre. Fomos à Praça da Alfândega, sob a beleza dos jacarandás, falar com a patrona Jane Tutikian e sentir o clima da maior feira do livro ao céu aberto da América Latina.

No próximo domingo, 13, J.A. Pinheiro Machado autografa "Memórias do Anonymus Gourmet", lançado pela L&P Editores, que reúne crônicas com algumas das melhores histórias da boa mesa e da boa vida!

Quando:
13/11/2011 - 19:30

Onde:
Praça de Autógrafos


Memórias do Anonymus Gourmet

04 de novembro de 2011 0

Depois de ter aparecido no programa da RBS TV ao lado do Anonymus Gourmet, sinto-me constrangido a dar algumas explicações sobre o livro “Memórias do Anonymus Gourmet”, lançado nesta Feira do Livro de Porto Alegre. Começo lembrando o Prêmio Nobel de literatura de 1978 Isaac Bashevis Singer, que, na apresentação de seu livro Love and Exile – A MemoirAmor e exílio, L&PM, 1985, na bela tradução de Lya Luft), faz uma arguta observação: “Na realidade, a história verdadeira da vida de uma pessoa jamais poderá ser escrita. Fica além do poder da literatura. A história plena de qualquer vida seria a um tempo absolutamente aborrecida e absolutamente inacreditável”. A parte “absolutamente inacreditável” da história de Anonymus Gourmet aparece nos textos das “Memórias”: desde sempre ele teve vida própria. Muitas pessoas me confundem com Anonymus, mas raramente ele age de acordo com minhas opiniões ou meus desejos. Fui obrigado a me contentar com a posição de biógrafo, às vezes solidário, às vezes conformado, com as excentricidades do “radical da cautela” que se considera “um pesquisador das ciências da mesa”. A gastronomia seria apenas um dos pilares das “ciências da mesa”, segundo Anonymus Gourmet. Nesse pilar da gastronomia, ele inclui a culinária e os “espíritos”: (

– Vamos aos espíritos! – costuma dizer Anonymus, quando pede a bebida. Diante de uma garrafa que se abre, ele tem uma expressão de solene expectativa, e sempre lembra Baudelaire, com “as volúpias perigosas e fulminantes do vinho”, mas também não esquece o “sol interior que o deus da videira desperta”.

O outro pilar das ciências da mesa seria o que Anonymus Gourmet chama de “arte da conversação”. Nada mais do que o papo que rola em toda mesa onde se misture o aroma fumegante de algum cozido, uma boa garrafa, alguns copos – “e almas esquecidas das coisas mortas”. Na mesa ninguém envelhece. Ali, o tempo para, e velhos amores, negócios fabulosos, paixões inesquecíveis, partidas de futebol disputadas nos gramados do sonho, ou simplesmente alguns instantes de graça e humanidade ganham vida e colorido.

Anonymus surgiu em 1979, na alegre redação da revista Oitenta: “éramos eternos e pretendíamos tomar o céu de assalto” diz ele, olhando para o fundo do cálice de um tinto de boa data. Tantos anos depois, Anonymus me convoca a escrever suas memórias. Atento à advertência de Bashevis Singer, tive o cuidado de evitar os momentos aborrecidos. Fiquei com a melhor parte: o relato de suas andanças e lembranças, de suas aventuras e desventuras, de suas certezas e enganos, de  suas esperanças e desesperos, de seus triunfos e desilusões. Confesso, por um dever de lealdade, que, mesmo quando não aparece explicitamente, tudo o que há no livro, de uma forma ou de outra, é mérito – ou quem sabe culpa – do Anonymus Gourmet.

Alarico escritor

31 de outubro de 2011 3

Neste último sábado, dia 29, quem autografou livros foi o Alarico. A Mudança no Mundo do Faz de Conta, foi um livro escrito por todas as 2ª séries da escola do Miguel. Após uma apresentação no Teatro Sancho Pança ocorrereu a sessão de autográfos. E sabe quem foi prestigiar o afilhado? O Anonymus Gourmet!


Fim do livro?

19 de janeiro de 2011 0

O fim dos livros, ou pelo menos a diminuição radical de sua importância é uma das certezas da era da internet, do iPod, do blog, do Twitter, do Facebook e de tantas outras mídias alternativas. Mas, na verdade essa certeza não tem apoio na realidade dos fatos, e se baseia apenas numa sensação aparente. Parece que, assim como o cinema não acabou com o teatro e assim como a televisão não acabou com o rádio, tudo indica que as novas mídias não vão acabar com o livro. Os dados concretos mostram que cada vez mais livros são escritos e impressos. E a produção mundial de livros cresce. Enquanto a população mundial aumenta  1,8% ao ano, a pro­dução de livros avança na razão de 2,8% ao ano. No tempo de Gutenberg, que inventou a impressão de livros e jornais nos anos 1400, lançavam-se 100 obras por ano. Em 1952, a soma girava em torno de 250 mil lançamentos. E, no ano 2000, foram lançados mais de 1 milhão de títulos. Hoje, a cada 30 segundos é impresso um livro. Portanto, embora se fale no fim do livro, a realidade é que poucas atividades são tão prósperas como a indústria livreira.

03 de novembro de 2010 1

Olá! Amanhã, quinta-feira, na Feira do Livro, o lançamento do 11º livro de receitas de Anonymus Gourmet, um livro com uma centena de receitas fáceis para fazer com a ajuda de um liquidificador. 100 Segredos de Liquidificador. Se há um utensílio domés tico que todo mundo tem na cozinha é um liquidificador. Então, nada melhor do que 100 receitas que possam ser elaboradas sem mistério em apenas um único apare lho. Este novo livro mostra como preparar salgados e doces num apertar de botão, desde lanches rápidos até receitas que podem ser servidas no almoço e no jantar, como pizzas, massas, pratos com arroz, carnes variadas, quiches e sopas. E quem não vive sem um doce vai se espantar com a variedade de combinações: bolos, panquecas, pudins, tortas, musses, sem falar na sobremesa mágica. Segredos saborosos e acessíveis a todos os bolsos. O lançamento deste livro de Segredos de Liquidificador será amanhã, quinta-feira, com autógrafos às 18h30, na Praça de autógrafos da Feira do Livro.

Anonymus na Feira do Livro de Porto Alegre

29 de outubro de 2010 2
Olá! Feira do Livro começando! Não perca! Entre outros lançamentos, receitas simples e fáceis do Anonymus Gourmet, com uma homenagem ao eletrodoméstico que eu levaria para uma ilha deserta: o livro tem uma centena de segredos de liquidificador.

A sessão de autógrafos do livro 100 Segredos de Liquidificador acontece no dia 04 de novembro, às 18h30, na Praça de Autógrafos, na Feira do Livro de Porto Alegre.