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Posts com a tag "Porto Alegre"

Porto Alegre-Veneza

19 de abril de 2013 0

Entre outras vantagens, o voo direto Porto Alegre-Lisboa trouxe mais esta gentileza aos gaúchos: permite conexão a Veneza sem barulho, nem Guarulhos. Também é possível um amável interlúdio lisboeta, de uma noite por conta da Tap, antes de desembarcar na cidade encantada.

Chegar a Veneza de trem ou de automóvel é como entrar num palácio pela escada de serviço, escreveu Thomas Mann com toda a razão. Numa espécie de contradição poética, a única forma de entrar na cidade como nos velhos tempos, sem ser “pela escada de serviço” dessa vívida imagem de Mann, é chegando de avião. Isso porque, a partir do aeroporto de Mestre, há ligação regular de vaporetti e motoscafos, que funcionam como ônibus e táxis por mar, permitindo aos visitantes recuperar as emoções de Byron, Proust, Hemingway, do próprio Mann, de Casanova, Maquiavel e tantos outros que se comoveram na chegada, com a imagem da cidade se materializando aos poucos, em meio à bruma, como se estivesse emergindo das águas...

A cidade dos caminhantes, explore Veneza da melhor maneira: a pé. Foto: creative commons / Rui Ornelas

Não havia outra forma de desembarcar na cidade, até 1846, quando foi construída a ponte ferroviária sobre a laguna. Essa ligação seria duplicada com o viaduto rodoviário que permitiu aos automóveis chegarem perto. Entretanto, como nas casas orientais em que os visitantes tiram os sapatos na porta, na chegada por terra a Veneza, antes de entrar, os motoristas tem que deixar seus carros do lado de fora, em imensos e caríssimos estacionamentos de Piazzale Roma. Nas estreitas ruas da cidade – às vezes estreitíssimas, não permitindo duas pessoas lado a lado – todos sabem que é inevitável andar a pé.

Nada mau para quem vai se atirar de cabeça na extraordinária gastronomia local à base de peixes e frutos do mar fresquíssimos, exibidos como verdadeiros troféus no mercado do Rialto: por certo fatalmente cruzará aquela linha amarela da gula. Mas a Serenissima, ao mesmo tempo que impõe quilos a mais, em dezenas de restaurantes de primeira ordem e de preços variados, oferece as caminhadas infinitas e emagrecedoras.

Além dos comilões muitas outras tribos vão se regalar. Os consumistas não encontrarão em nenhum outro lugar do mundo um comércio tão eclético e variado, com ofertas e preços tão diversificados. Quem gosta de arte vai precisar de tempo para ver as igrejas, palácios, exposições e galerias. Em geral, a melhor dica é a flanerie: gostar de andar a pé, flanar. Veneza foi fundada, segundo os arquivos históricos, exatamente ao meio dia de 25 de março do ano de 421 – lá se vão 1592 anos. Desde então, como se sabe, não mudou muito.

E nesses quase 16 séculos, cultiva a mesma vocação: é a cidade dos caminhantes.

Entre os versos, almôndegas imensas

22 de fevereiro de 2013 1

Tive a certeza de que os homens passam, mas os bares permanecem para sempre, no fim de semana passado, ao encontrar o Milton Terepinski na beira do mar, em Arroio Teixeira. Certa época, ele foi um dos responsáveis pela excelência do Bar do Artur, um lugar que, - gosto de lembrar e relembrar - por tantos anos  sobreviveu aos fundadores, aos donos ocasionais, garçons e à inconstância dos frequentadores. Nas mesas de impecáveis toalhas quadriculadas, ancoraram aflições, esperanças, triunfos e desventuras de muitos de nós.

Ainda sobraram, na sombra do viaduto da Alberto Bins, vagos vestígios do prédio onde tantas vezes mudamos o mundo entrincheirados em bolachas de chope. Para muitos de nós, que ali partilhamos a última fímbria iluminada do crepúsculo ou a primeira claridade da aurora, é inevitável o sobressalto: dos cenários do nosso primeiro amor eterno, ou de planos infalíveis para salvar o país, restaram apenas ruínas envelhecidas.

Mas, ainda que seja como vaga recordação, o velho bar não morre: esses dias informei com ar solene ao Alarico que, bem ali, por trás daquelas paredes rotas era servido o melhor chope da cidade. E viajei em silêncio na memória dos projetos extraordinários, paixões definitivas e aflições intransponíveis de outras décadas. Estão lá, cuidadosamente salvas pela imaginação, arrumadas como sempre estiveram, as mesmas cadeiras, as velhas mesas, as paredes de lambris de jacarandá, o chope na pressão, as comidinhas... Por certo que, do lado de fora das velhas e elegantes portas de madeira escura, envidraçadas, com cortininhas, tudo mudou, e quase tudo foi esquecido.

Vendi o Fiat 147 mas não entreguei a saudade, os exilados voltaram, o Grêmio foi campeão da América, do mundo e da Série B, cairam o Muro de Berlim e muitas de nossas ilusões, o Fidel branqueou a barba mas ainda está lá, não esqueci a cor dos teus olhos mas o verso antecipatório que eu declamava ganhou inevitável atualidade: “sou restos de um menino que passou, rastos erradios de um caminho que não vai e nem volta, e que circunda a escuridão como os braços de um moinho…” Entre os versos aterrissavam o sanduíche aberto, as almôndegas imensas do tamanho avantajado de um bife (Gebacktes Rinderschnitzel) o Hackepeter, bife de carne crua que trazia à mesa ecos do velho Rembrandt, e o Sulze, uma delicada gelatina de joelho de porco. O chope era transcendente e, como se não bastasse... em copos de cristal! Existiam poucos lugares tão agradáveis de aterrissar entre o fim-de-tarde e o amanhecer. Ainda ouço antigas vozes, lembro os olhos azuis cheios de lágrimas, as causas perdidas e, sobretudo, as nossas encantadoras certezas.


Hackepeter ou Carne de Onça, como é conhecido por aqui, é um prato típico alemão feito à base de carne crua e com outros temperos fortes.


Alarico e Anonymus no Pequena Correria

09 de outubro de 2012 0

No mês das crianças o projeto CorreRia entra na brincadeira junto com os pequenos! No último sábado começou o “Pequena CorreRia”, projeto do Vida e Saúde que incentiva as crianças a praticar atividades físicas. E o Anonymus e o Alarico não poderiam ficar fora dessa! Veja os detalhes aqui.

Fotos: Divulgação


Especial com Roberta Horn Gomes no Anonymus Gourmet

05 de setembro de 2012 2

A chefe de cozinha Roberta Horn Gomes abre as portas de sua cozinha para o Anonymus Gourmet
em um programa repleto de sabores, aromas e cores nesta quinta-feira (06) na TVCOM.


Natural de Criuva, lugarejo de 500 habitantes da Serra Gaúcha, Roberta tornou-se protagonista de destaque na gastronomia de Porto Alegre por oferecer uma elegante fusion cuisine, com leve sotaque de terras longínquas, combinada com a força de suas raízes na Serra Gaúcha.
No programa, Roberta mostra suas charmosas preparações que denunciam influências cosmopolitas. No cardápio, camarões com cuscuz, foie gras com caju e um autêntico crème brulée. Tudo acompanhado por vinhos tinto e branco. Não perca!

Programa Anonymus Gourmet – Especial Roberta Horn Gomes
Quinta-feira, 06/09, às 20 horas na TVCOM

Feira da Agroindústria Familiar no Canal Rural

10 de julho de 2012 1

O Anonymus Gourmet visita a 1ª Feira da Agroindústria Familiar/SUSAF-RS que aconteceu no centro de Porto Alegre, que reuniu cerca de 25 expositores com produtos diversificados como embutidos, lácteos, sucos, vinhos, cachaça, pães e mel. No cardápio, um saboroso Escondidinho de Charque. Não perca!

Fotos: Divulgação

É nesta quarta-feira, dia 11, às 11h no Canal Rural!

Bistrô do Anonymus – Schneider / Mahler

09 de julho de 2012 0

Em mais uma edição, o Bistrô do Anonymus acontece na Churrascaria Schneider, em Porto Alegre, onde aconteceu o lançamento da nova linha de espetos e acessórios para churrasco da Mahler.


Fotos: Franco Rodrigues


No programa, bate papo com nomes conhecidos da música do Rio Grande do Sul, como Cristiano Quevedo, Ângelo Franco, Fátima Gimenes e Enzo & Rodrigo. Não perca!

É nesta terça-feira, dia 10, às 20h na TVCOM!

O charme de um restaurante

29 de junho de 2012 3

Uma jovem médica natural de Criuva, simpático lugarejo de 500 habitantes da Serra Gaúcha, neta da Vó Lorita, tornou-se protagonista de destaque na gastronomia de Porto Alegre. A neta da Vó Lorita é a chef Roberta Horn Gomes, que busca oferecer uma elegante fusion cuisine, com leve sotaque de terras longínquas, combinada com a força de suas raízes na Serra Gaúcha. Essa mistura ocorre nos amplos e amáveis ambientes do Lorita, um aprazível restaurante da Rua Castro Alves. Quando a chef diz que vai abrir as portas da sua casa para um jantar, não fala em sentido figurado. Roberta vive o restaurante intensamente, — tão intensamente que mora ali.

 

A vó Lorita fazia de tudo em Criuva: acolchoados, compotas, festas de família, pão de nata, cuzcuz de milho, almôndegas com manjerona, tortelli — e quando tinha macarrão com perdizes, ela caçava a matéria prima junto com o vovô. Além de toda essa atividade, aquela veneranda senhora encontrava tempo para servir fígados fritos com ovo para familiares e agregados numa mesa ampla de duas dezenas de convivas, entre eles uma netinha de seis anos que até hoje não esquece suas lições de vida.

A netinha saiu pelo mundo, e foi longe: fez intercâmbio na Nova Zelândia, onde se descobriu cozinhando — mais para se manter do que para se distrair. Na volta, passou no vestibular de medicina e, para combater um certo tédio do curso, comprou livros de culinárias exóticas e começou a misturar sabores indianos com as novidades aprendidas na Nova Zelândia, temperadas pelas antigas lembranças da infância em Criuva, para encanto dos colegas e professores da faculdade. Conseguiu se formar em medicina e se tornar uma cozinheira de primeira classe.

A determinação obstinada (que ela disfarça com um jeito suave) fez com que não abandonasse nenhuma dessas duas inclinações. Assim, a psiquiatra Dra. Roberta escuta as esperanças e desilusões de seus clientes com a mesma atenção e entusiasmo que a chef Roberta dedica ao acabamento do seu indizível risoto de cogumelos defumados e tomates, prenúncio do prato principal de hadock com cuscuz crocante — charmosas preparações que denunciam influências cosmopolitas. Entretanto, pelos salões do restaurante residência, acima de tudo, flutuam os aromas e sabores de uma infância embalada pela avó encantadora. Mais do que uma homenagem ao carinho da vovó, o nome “Lorita” parece ser um compromisso.

Um passeio saudável

21 de maio de 2012 8

Para quem procura bem-estar e qualidade de vida, visitar uma feira é a dica de hoje do Alarico!
As feiras são sempre um belo lugar para comprar frutas, legumes e verduras direto dos produtores. Sem falar que pode ser um passeio bacana para a família toda!


Neste sábado Alarico foi visitar a Feira Ecológica do bairro Menino Deus, aqui em Porto Alegre.
A feira funciona nos sábados pela manhã e nas quarta-feiras à tarde. Está localizada no pátio da Secretaria de Agricultura –RS na Avenida Getúlio Vargas, número 1384.

O local é ideal para as pessoas que procuram produtos para ter uma alimentação mais saudável. Lá todos os produtos são cultivados sem o auxilio de agrotóxicos e os produtores vêm de diversos lugares do Rio Grande do Sul como Nova Hartz, Morrinho do Sul, litoral, Torres, e toda região da serra, para vender suas mercadorias.
Trazem produtos frescos e de ótima qualidade para que a comunidade tenha acesso a alimentos orgânicos.

O presidente da Associação, Sr. Belmonte Schunck, coordena a feira e destaca a importância de uma alimentação saudável, que traz benefícios a saúde e livra o organismo de doenças.

Aproveitando o passeio, Alarico provou o Suco da luz do sol e a receita já está reservada para levar ao programa!
Alarico visita a Feira Ecológica desde muito pequenininho e você costuma visitar feiras? Então nos envie fotos e sugestões de feiras legais que existam na sua cidade para compartilharmos aqui no blog!

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O botão da blusa e o ponto da gema

02 de dezembro de 2011 0

Porto Alegre tem resistido bravamente a muitos de seus administradores. Mas, certas batalhas têm sido irremediavelmente perdidas. David Coimbra, na semana passada, nesta ZH, flagrou mais uma dessas amargas vitórias da mediocridade sobre a cidade: a avenida Salgado Filho, outrora um cativante bulevar, transformado num inóspito terminal de ônibus. Por certo que a cidade precisa de terminais de ônibus, mas fazer um deles numa de suas ruas mais aprazíveis tornou-se uma afronta perene.

Aqueles que são jovens há mais tempo, como dizia com delicadeza o Dr. Brizola, ainda lembram da Salgado Filho dos edifícios elegantes, das calçadas em que nas noites de verão era irresistível uma caminhada sem rumo, espiando vitrines de sonho. O cine São João, bem ali, por algum tempo foi o mais chique da cidade. Morar na Sangado Filho, que hoje é sinônimo de dor de cabeça, já foi indicativo de status: não exatamente status de riqueza, mas de bom gosto e refinamento. Os bares e restaurantes das proximidades eram repletos de histórias. Num deles, uma misteriosa índia de olhos verdes, atendente sempre muito séria e compenetrada, apaixonou uma geração de jovens repórteres: certa vez abriu “um sorriso de pérolas fosforescentes” (e também um botão da blusa) para um deles, que passou a gastar seu salário integralmente na Mônica, onde ela brilhava de madrugada. Anonymus Gourmet lembra com saudade de alguns lugares de boa gastronomia: o Corujão, por muitos anos o melhor chope da cidade, acompanhado por filés extraordinários; o Bon Ami, bem em frente, com um filé a parmagiana generoso e saboroso capaz de alimentar uma editoria de esportes inteira; o Gilbert’s, que tinha diversas alternativas de drinques e acepipes, e uma delas em que era absolutamente inigualável: o melhor presunto com ovos que Anonymus Gourmet já experimentou. A simples lembrança dá água na boca. Como se sabe, o presunto com ovos – e sua prima irmã, a omelete – estão entre as mais complexas elaborações da culinária mundial. São poucos ingredientes – ovos, presunto, manteiga e queijo, e naturalmente a destreza do cozinheiro – que precisam ser acionados com rapidez e eficiência. O ponto certa da gema, segundo Anonymus Gourmet, é um enigma quase indecifrável que aflige a história da cozinha há séculos: meio minuto de fogo a menos fica crua e desagradável, meio minuto a mais, vira um insosso ovo cozido. Quando o cliente pedia presunto com ovos, um experiente garçom do Gilbert’s ia direto para a cozinha, afastava o cozinheiro com um gesto seco, e preparava o prato. Só ele sabia decifrar o enigma do ponto exato da gema.

O dono do fogão do Pampulhinha

18 de novembro de 2011 1

Desde a fundação, no longínquo 1971, Anonymus Gourmet se acostumou a encontrar no Pampulhinha um porto seguro para suas navegações gastronômicas. O Pampulhinha dos primórdios era um salão comprido e estreito, que logo se tornou acanhado para os comilões de todas as latitudes que se conformavam em aguardar. Longas e pacientes esperas por uma mesa que abriria as portas de um paraíso de frutos do mar de primeira classe. No fundo do salão, a cozinha tinha a marca dos grandes restaurantes da boa tradição: Jaime Pinheiro, o dono da casa, era também o dono do fogão.

Certa vez, depois de um daqueles almoços inesquecíveis, Jaime convidou Anonymus para conhecer as então futuras instalações da casa, na mesma avenida Benjamin Constant. Um lugar deslumbrante: salão, cozinha, adega, câmara fria, espaço para milhares de garrafas, mármores e granitos por toda parte… Anonymus ficou inconsolável: “O Jaime vai quebrar…” – comentou com Madame Queiroz que, solidária, escondeu uma lágrima furtiva.

Mas, não quebrou. O “novo” Pampulhinha ampliou o sucesso. Os clientes fiéis não precisaram mais esperar por uma mesa. E continuaram a se regalar com as grandes travessas, forradas por fresquíssimos legumes, hortaliças, cogumelos, aspargos verdes, brócolis, ervilha torta, etc., onde repousam lagostas que lembram páginas de Hemingway, camarões que lembram lagostas, cavaquinhas melhores que lagostas, atuns alimentados a caviar, congrios que cruzaram a cordilheira, linguados de sotaque francês… Conta a lenda que um freguês descobriu uma pérola em meio a um prato de ostras. Segundo Miss Taylor, que testemunhou o episódio à distância, não era uma pérola, era uma metáfora da perfeição do jantar.

E, como se não bastasse, a carta de vinhos… Não faltam tintos, brancos, rosés, champagnes e espumantes para harmonizar com as delícias da cozinha. Há duas adegas na casa. Na parte de baixo, abrindo para o salão, há uma caixa forte: um imenso cofre de verdade que pertencia a uma agência bancária que funcionou no local. Trata-se de outra metáfora: em vez de dinheiro e títulos de crédito, hoje ali estão, sob rigoroso controle de umidade e temperatura, algumas das garrafas mais preciosas produzidas no planeta: Petrus, Château Margaux, Mouton Rothschild, Lafite Rothschild, Romanée Conti, Montrachet, Vega Sicília, Brunello de Montalcini, Barca Velha, entre outros 5.000 rótulos de um total de 200.000 garrafas. Não há sede que resista.

Na cozinha, que pode ser observada do salão, é possível ver o segredo do sucesso: como nos velhos tempos, Jaime Pinheiro, pilotando o fogão, garante a honra do estabelecimento.