Além de apresentar a cidade, as ações e os indicadores ambientais de Joinville, o prefeito Carlito Merss vai dar três "recados" aos líderes mundiais que participam da conferência principal da Rio+20. "Para contribuir com esta caminhada para a sustentabilidade, em nome da cidade de Joinville, apresento três recomendações para a comunidade global", diz parte do texto que serviu como base para a apresentação.
1
Fazer da equidade social o instrumento principal da sustentabilidade, promovendo a repartição de riqueza e de oportunidades como ferramenta de promoção social e de uma nova consciência de consumo integrada responsavelmente com o meio ambiente. A riqueza das nações não deve ser medida apenas pelo seu produto econômico, mas pelo seu todo. Especialmente pelos seus indicadores de infra-estrutura, mobilidade, saneamento básico, educação ambiental, satisfação de vida e pelo conjunto dos indicadores sociais agregados culturalmente.
2
É preciso fomentar medidas práticas para que o Poder Local tenha condições de investir nas ações preventivas e corretivas necessárias à sustentabilidade ambiental. Fundos de investimento globais nas cidades são imprescindíveis para provocar mudanças concretas e imediatas na vida das cidades.
3
Promover programas e capacitação de gestores motivando por um ambiente positivo de concorrência por referenciais de boas práticas de gestão pública, especialmente àquelas direcionados à participação direta das comunidades nas decisões política e no controle social da governança. A sustentabilidade significa uma articulação em rede e o compartilhamento global do conhecimento, da inteligência e da tecnologia para garantir uma sociedade mais justa.
O prefeito discursará na sexta-feira, às 11h45. Confira o texto que serviu de base para a apresentação.
"A defesa da natureza é a defesa da vida. Falar em sustentabilidade é apenas dizer que queremos conciliar as necessidades da ocupação humana com a preservação das condições evidentes para que a vida seja longa e com qualidade. É não deixar a natureza, a vida humana e o futuro morrer.
É na cidade que as pessoas vivem. Moradia, trabalho, estudo, lazer. Entender que o poder local produz condições globais para a mudança é enfrentar responsavelmente o passivo produzido por décadas de crescimento desordenado e uma ocupação predatória e acelerada do meio ambiente.
Joinville é a maior cidade do Estado de Santa Catarina. 520 mil habitantes em 1.135 km². Cercada pela Baia da Babitonga, por manguezais, sete bacias hidrográficas e pelo poderoso bioma da Mata Atlântica. Na cidade mais industrializada do Estado temos 707 km² de florestas e uma biodiversidade generosa. Em dez anos duplicamos o número de veículos e a pujança de uma indústria metal-mecânica e de plásticos, dinâmica e competitiva, promove o emprego, atrai migrantes, incentiva a ocupação urbana e o surgimento de novos empreendimentos econômicos.
Mantemos indicadores positivos de sustentabilidade pela responsabilidade social e ambiental das empresas e pelo forte incremento da educação, da saúde, do apoio à criança, pela preservação de nossos morros, pela proteção dos mananciais hídricos, dos manguezais e pela valorização da agricultura familiar, através do turismo rural e do abastecimento alimentar da rede pública de ensino.
O controle rigoroso do território, através de ferramentas de geoprocessamento, permitiram a elaboração de um plano de macrozoneamento e de um projeto de lei de uso e ocupação territorial que equaliza a ocupação com o crescimento e a qualidade de vida.
Planejar é a chave de uma gestão comprometida com o futuro. Planejar a adensamento humano para otimizar os equipamentos públicos e evitar a expansão horizontal sobre áreas verdes. Planejar a mobilidade urbana para priorizar o transporte público, as ciclovias e criar artérias garantidoras da circulação viária. Planejar para que a política habitacional atenda a demanda por moradias dignas e para que tenhamos ferramentas de gestão adequadas para a tomada de decisões.
Por isso, já elaboramos o Plano de Educação Ambiental e Mobilização Popular, o Plano de Macrodrenagem da Bacia do Rio Cachoeira, o Plano de Saneamento Básico – Água e Esgoto, o Mapa de Fragilidade do Solo, os Planos de Manejos da Serra da Dona Francisca e do Morro do Boa Vista, a rede de monitoramento pluvial, a inspeção ambiental móvel, o Programa de Agentes Ambientais e estamos trabalhando no Plano de Resíduos Sólidos e no de Mineração.
A partir deste planejamento, estamos revertendo passivos históricos como parques, praças, áreas de lazer, academias de ginástica para a melhor idade e a construção de binários nas vias urbanas e corredores de transporte coletivo. Considero, entretanto, os investimentos em saneamento básico, reservação de água potável, drenagem, arborização e educação ambiental as maiores realizações para uma cidade que agrega valor com seus indicadores ambientais.
É preciso, urgente e inadiável que os gestores globais produzam alternativas para que o poder local tenha condições de governança capazes de viabilizar uma intervenção duradoura na recuperação ambiental e na promoção de condições futuras para o crescimento sustentável.
Por isso, para contribuir com esta caminhada para a sustentabilidade, em nome da cidade de Joinville, apresento três recomendações para a comunidade global:
1
Fazer da equidade social o instrumento principal da sustentabilidade, promovendo a repartição de riqueza e de oportunidades como ferramenta de promoção social e de uma nova consciência de consumo integrada responsavelmente com o meio ambiente. A riqueza das nações não deve ser medida apenas pelo seu produto econômico, mas pelo seu todo. Especialmente pelos seus indicadores de infra-estrutura, mobilidade, saneamento básico, educação ambiental, satisfação de vida e pelo conjunto dos indicadores sociais agregados culturalmente.
2
É preciso fomentar medidas práticas para que o Poder Local tenha condições de investir nas ações preventivas e corretivas necessárias à sustentabilidade ambiental. Fundos de investimento globais nas cidades são imprescindíveis para provocar mudanças concretas e imediatas na vida das cidades.
3
Promover programas e capacitação de gestores motivando por um ambiente positivo de concorrência por referenciais de boas práticas de gestão pública, especialmente àquelas direcionados à participação direta das comunidades nas decisões política e no controle social da governança. A sustentabilidade significa uma articulação em rede e o compartilhamento global do conhecimento, da inteligência e da tecnologia para garantir uma sociedade mais justa."