O Nenhum de Nós fez um show - talvez o melhor de sua carreira na cidade - em Belo Horizonte na sexta passada. Aproveitei para ficar no sábado e assim assistir um dos grupos que marcaram a história do rock: Crosby, Stills and Nash.
Sei que muita gente desconhece os caras. Eles não tem, de fato, nenhum mega-conhecido sucesso. Não entraram em muitas trilhas de filmes ou tiveram regravações de sucesso. Por tudo isso é que é notável esse status que eles possuem. São, literalmente, "lendas vivas" da música produzida nos gloriosos anos 70. Ali pertinho - cronologicamente falando - dos Beatles, Beach Boys e Bob Dylan.
Pois foi nessa época que eles produziram obras de impressionante valor. Em 1969 lançaram um disco de estréia homônimo com uma das capas mais simples e legais, na minha opinião, da história do rock. Essa abaixo...
Para um disco qualquer de carreira, esse já seria um clássico instantâneo, agora imaginem para um disco de estréia! Vale à pena ouvir! Mas daí para a frente a carreira dos caras foi se tornando cada vez mais sólida, consistente, inspirada e fantástica...
Não vou falar de história, vou expressar meus sentimentos ao assistir esses caras. Foi um "tocar no céu". Foi uma sublime experiência musical. Jamais ouvi ou presenciei vocais mais afinados. Eram vozes de deuses. Vozes de um outro tempo. Um tempo iluminado. Muitas vezes já tive a sensação de que eu teria sido mais feliz se tivesse vivido minha juventude nos anos 70. Assistindo o show eu tive ainda mais essa convicção. Foi uma deliciosa viagem.
Poucas vezes a música simplesmente, sem efeitos de luz ou cenário, teve tamanho impacto em mim. A dinâmica dentro de cada canção, a espiral crescente dos fantásticos solos de Stephen Stills, as vozes que se elevavam e costuravam melodias incríveis... Cada movimento desses causava um arrepio que quase doía. Música no estado puro! Tive vontade de chorar algumas vezes, sem pieguice. Era arrebatador. O sublime valor de uma música tão poderosa que inspira e leva nossa vida a uma transformação.
Fico pensando no que falei lá no início na ausência de sucesso notório... Todos os três passaram por bandas de sucesso (Byrds, Buffalo Spingfield e Hollies), tiveram altos e baixos, uniram-se e separaram-se e tiveram vidas atribuladas. Como pode então a união dessas vozes ser tão poderosa? Talvez a resposta seja a música em si. Um poder que eles não puderam compreender ou controlar. No palco ficou evidente que essa música era (é) uma força da natureza. Incontrolável em certa medida e irresistível em todos os aspectos.
Foram 3 horas de show. 3 horas de êxtase. 3 horas de viagem. Confesso que retornei outro. Não seria possível passar incólume por uma experiência como essa... Felicidade. Essa palavra contém muito do que senti. Plena! Inspiração não só para a música mas para a vida!!!
Thanks, guys!!!!


