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JUVENTUDE E DOR

24 de novembro de 2014 0

Quando alguém jovem sobe ao plano espiritual (não sou espírita mas gosto da expressão), sinto uma pena e uma tristeza ainda maiores. Não que a juventude seja uma qualidade ou uma prerrogativa que coloque alguém no fim de uma fila imaginária. É fato que o jovem viveu menos, andou menos pelo mundo, do que alguém na terceira idade. É uma sensação de tempo perdido. Um tempo que ainda estava por vir. Além do tanto que o jovem perdeu – ele mesmo, ao ter sua vida interrompida – ainda existe uma considerável parcela de dor que brota naqueles que ficaram, privados da sua presença, abandonados e desamparados. Essa é a única dor visível. A dos que sentem a perda, a saudade, o vazio. O jovem se vai, bate suas asas angelicais e dele, nada mais saberemos. Digo isso com o intencional intuito da obviedade e apenas como uso de uma linguagem figurada, sem invadir o campo da crença e da fé de cada um. Ele passa a viver dentro dos que ficaram. Suas memórias e lembranças – aquelas que nos foram dadas compartilhar – passam a ser nossa propriedade. Delas nos alimentamos para povoar nossos dias com a presença daquele que partiu. Fotos, objetos, músicas e uma infinidade de veículos facilitam a sua “presença” entre nós. Em algum momento, a amargura da saudade e da ausência causam um cansaço. Uma exaustão da dor que não tem remédio. O pensamento de que a vida continua, é um atenuante dessa dor. Pensar que a vida dele – o jovem – continua além desse plano, também é um consolo valioso e fundamental para alguns. Mas existe uma dor que é associada ao que ainda gostaríamos de viver com essa pessoa que perdemos prematuramente. Uma dor do futuro que não vai acontecer.

Muitos desses pensamentos me ocorreram ao sair do cemitério onde fui me despedir do jovem Luciano Leindecker. Ele era jovem. Não tanto para se encaixar em alguns padrões, mas o suficiente para que se possa considerar cedo demais para sua partida. O clima na tarde de sábado, durante o velório, era  leve em certa medida. Ouvia-se música – jovens cantando e tocando violão – e o semblante das pessoas era um misto de tristeza e serenidade. A tristeza pela perda, pelo futuro que não aconteceria mais e pela saudade antecipada daqueles que eram mais próximos. A serenidade tinha sua fonte na personalidade do próprio Luciano. Sua longa luta contra uma doença implacável tinha deixado em todos uma sensação única: de alguma forma, ele havia vencido. As pessoas do seu círculo mais íntimo, todas elas, tinham depoimentos que convergiam para essa vitória, pois ele nunca havia se entregado. Nunca reclamou do que enfrentava. De uma injustiça do destino. O foco do Luciano era a vida.

Em momento algum ele abriu mão disso e essa é a extraordinária lição que ele nos ensinou. Se a doença terrível quis abatê-lo, derrotá-lo, subjugá-lo e convencê-lo de seu destino, ela fracassou. Acreditando na vida, lutando por ela estoicamente, ela, a doença, vergou seu corpo mas jamais a sua alma. Durante os oito anos que conviveu com essa batalha constante, ele foi se tornando um gigante aos olhos dos que acompanhavam e admiravam sua coragem. A sensação que se tinha – e no final isso pareceu ainda mais verdade – é que não era ele que se agarrava à vida, mas justamente o contrário. A vida, na busca de um herói, de alguém que lhe inspirasse, se agarrou a ele. A vida se encantou com aquele jovem de beleza impressionante. A vida aprendeu com o Luciano.

Ao observar e conversar com a Roberta, Bella, Julia – sua pequena família -, o Duca, a Dona Dália, tive a certeza que o Luciano ainda vive dentro de cada um deles, além de tantos amigos que lhe eram próximos e fortemente ligados. Sei que essa imagem é um lugar comum quando se fala da perda de alguém tão querido, mas ela é muito verdadeira nesse caso. Eu mesmo não era tão próximo do Luciano, mas com frequência pensava nele e na sua luta. Quando isso acontecia, eu me enchia de força para enfrentar minhas próprias batalhas. Nesses momentos, ele era minha inspiração. Continuará sendo. Um herói como ele não se encontra com muita facilidade pela vida.

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A CULTURA DA INTOLERÂNCIA

16 de outubro de 2012 1

Ando com uma imensa dificuldade de lidar com os cultos-intolerantes. Venho de outra linha de pensamento e criação e as pessoas que se encaixam nesse substantivo-adjetivo estão me causando um desconforto constante.

Tento ser otimista, um de-bem-com-a-vida constante, um confiante ser humano que não liga para a estupidez dos intelectuais mas confesso que não consigo… Enchi o saco!

Tenho tido o desprazer de cruzar com gente que lê (dizem que muito) mas que não parece tirar dos livros o fundamental aprendizado: a tolerância. Sofro  bullying orquestrado por gente que se julga culta. Gente que lê Roth, Cortázar, Calvino, Borges e não sei mais quantos ilustres da literatura mundial e que nada, ou quase nada, conseguem de fato captar do que leem. Digo isso com toda a certeza. Esse ilustres pregam o contrário. Escrevem o contrário! Alguns deram suas vidas lutando contra a intolerância!

Peço desculpas aos leitores do livro “A queda”, de Diogo Mainardi. Tenho certeza que se emocionaram com a triste história que ele narra… Mas, reconheço, tenho uma gigantesca dificuldade de acreditar na doçura e sensibilidade de alguém que diz que “prefere um filho drogado a um filho tuiteiro”. E ainda acha graça disso!!!

Só alguém sem um pingo de conhecimento do drama que milhares (milhões) de famílias – principalmente as mães – vivem na batalha diária e dramática de tirar seus filhos das drogas, para fazer uma comparação descabida dessas. Mães que acorrentam filhos em casa para evitar que saiam e voltem a consumir a droga que os está matando. Matando sim! Mães que tem que assistir a internação de seus filhos como única alternativa para afastá-los de um ambiente nocivo e destrutivo. Mães e pais. Pais amorosos como ele, Mainardi assume ser.

Desculpe, mas o escárnio, o desprezo, o deboche com que ele se dirige aos que lhe desagradam denota uma inaptidão em lidar com esse mesmo ser humano que ele – com horas de choro ao lado do berço do filho – não aprendeu a compreender, ou tolerar.

Foi ele mesmo que disse ter feito uma “brincadeira” com o cineasta gaúcho Jorge Furtado ao acusá-lo de ladrão nas páginas da revista Veja. Tenho convicção que os filhos de Furtado não acharam graça alguma. O mesmo pensou o juiz que condenou Mainardi por essa atitude “graciosa”. Isso é um intelectual?  Se comportou da mesma forma daqueles quem bebem muito e vão dirigir: sem se importar com as conseqüências. Ou será que a vida e a dignidade alheia para ele é mesmo uma brincadeira?

Tenho certeza que alguém como ele deve ter lido toneladas de boa literatura e fico imaginando que espécie de sentido o conteúdo dessas obras fez para ele alimentasse esse profundo desprezo pela natureza humana e suas deficiências. Alguém que chama uma mulher de “um troço”, para fazer críticas ao cargo que ocupa e o partido ao qual ela pertence.

Será que os escritores notáveis que ele – e estou usando Mainardi apenas como exemplo – leu poderiam imaginar ou supor o efeito nefasto que suas obras teriam na mente deste leitor? O que pensariam de sua conduta? Iriam julgá-lo com a mesma régua?

Sei que pareço exagerado. Sei que carrego nas tintas. Fico pensando em Malala Yousufzai, a  jovem de 14 anos baleada pelos talibãs por querer ter acesso aos estudos. O que será que ela espera das pessoas ditas esclarecidas? Intolerância? Óbvio que não!!

De intolerância, radicalismo e covardia inomináveis ela já foi vítima. Mas essas partiram daqueles que desejam negar seu acesso aos livros. Minha indignação tem origem na estupidez – com outros alvos e graus – que as redes sociais tratram de revelar.

Houve um tempo que essa brutalidade-bem-informada ficava restrita à conversas de bar. Hoje, as bestas-cultas não se envergonham de destilar seu ódio para que seus seguidores retuítem orgulhosos a manifestação de miséria humana de seu “mentor”.

A preocupação dos que se afligem com o futuro de nosso planeta não deveria se restringir ao meio-ambiente, ao aquecimento global, às guerras religiosas… Devíamos nos debruçar sobre a deterioração das relações humanas quando a origem dessa deterioração está nos meios ditos intelectualizados.  Ou seja, por que leem, estudam e se gabam de um conhecimento enciclopédico que possuem se só fazem disseminar ódio? E essa é a palavra: ÓDIO. Não me refiro à crítica ou à discordância. Me refiro aos que, detentores de conhecimento e meios, proliferam a cultura de intolerância. Gente que não sabe criticar sem ofender. Não sabe discordar sem desmoralizar ou desqualificar. Não sabem se opor sem rebaixar. Doninhos da verdade e do saber.

Eu falei em bullying porque essas pessoas nada mais são do que valentões (covardes) que ao invés de esmurrar, chutar e constranger alguém com o uso da força, o fazem escudados pelo saber. Ao invés de um soco-inglês, carregam livros.

Ao invés da força bruta, usam a distância e o anonimato para impor seu ódio. São aqueles que, ao vomitar seu ódio no twitter, por exemplo, não colocam o “@”. Eles não desejam o debate pois seus criticados não tem “nível” para isso. Eles querem apenas dar seu show para seus seguidores (em geral, em número reduzido) demonstrando a força de seu saber contra a babaquice dos criticados. Imagino o inferno que deva ser o convívio diário com alguém assim no mundo real! Se é que eles vivem em um mundo real. Não creio. Se olhassem pela janela, se tivessem noção de sua própria miséria, teriam que ler todos os livros que já leram na vida novamente.

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CROSBY, STILLS AND NASH

15 de maio de 2012 2

O Nenhum de Nós fez um show – talvez o melhor de sua carreira na cidade – em Belo Horizonte na sexta passada. Aproveitei para ficar no sábado e assim assistir um dos grupos que marcaram a história do rock: Crosby, Stills and Nash.

Sei que muita gente desconhece os caras. Eles não tem, de fato, nenhum mega-conhecido sucesso. Não entraram em muitas trilhas de filmes ou tiveram regravações de sucesso. Por tudo isso é que é notável esse status que eles possuem. São, literalmente, “lendas vivas” da música produzida nos gloriosos anos 70. Ali pertinho – cronologicamente falando – dos Beatles, Beach Boys e Bob Dylan.

Pois foi nessa época que eles produziram obras de impressionante valor. Em 1969 lançaram um disco de estréia homônimo com uma das capas mais simples e legais, na minha opinião, da história do rock. Essa abaixo…


Para um disco qualquer de carreira, esse já seria um clássico instantâneo, agora imaginem para um disco de estréia! Vale à pena ouvir! Mas daí para a frente a carreira dos caras foi se tornando cada vez mais sólida, consistente, inspirada e fantástica…

Não vou falar de história, vou expressar meus sentimentos ao assistir esses caras. Foi um “tocar no céu”. Foi uma sublime experiência musical. Jamais ouvi ou presenciei vocais mais afinados. Eram vozes de deuses. Vozes de um outro tempo. Um tempo iluminado. Muitas vezes já tive a sensação de que eu teria sido mais feliz se tivesse vivido minha juventude nos anos 70. Assistindo o show eu tive ainda mais essa convicção. Foi uma deliciosa viagem.

Poucas vezes a música simplesmente, sem efeitos de luz ou cenário, teve tamanho impacto em mim. A dinâmica dentro de cada canção, a espiral crescente dos fantásticos solos de Stephen Stills, as vozes que se elevavam e costuravam melodias incríveis… Cada movimento desses causava um arrepio que quase doía. Música no estado puro! Tive vontade de chorar algumas vezes, sem pieguice. Era arrebatador. O sublime valor de uma música tão poderosa que inspira e leva nossa vida a uma transformação.

Fico pensando no que falei lá no início na ausência de sucesso notório… Todos os três passaram por bandas de sucesso (Byrds, Buffalo Spingfield e Hollies), tiveram altos e baixos, uniram-se e separaram-se e tiveram vidas atribuladas. Como pode então a união dessas vozes ser tão poderosa? Talvez a resposta seja a música em si. Um poder que eles não puderam compreender ou controlar. No palco ficou evidente que essa música era (é) uma força da natureza. Incontrolável em certa medida e irresistível em todos os aspectos.

Foram 3 horas de show. 3 horas de êxtase. 3 horas de viagem. Confesso que retornei outro. Não seria possível passar incólume por uma experiência como essa… Felicidade. Essa palavra contém muito do que senti. Plena! Inspiração não só para a música mas para a vida!!!

Thanks, guys!!!!

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MÉXICO!

05 de abril de 2012 3

Tenho entre minha preferências artistas mexicanos. Alguns muito conhecidos, outros nem tanto.

Entre os conhecidos estão Café Tacuba (ou Tacuva, como querem eles…) e a cantora Julieta Venegas. Ambos são grande influência para mim e para o Nenhum de Nós. Em nossa última temporada no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, até incluímos a canção “El presente”, de Venegas.

Entre os desconhecidos está um cara chamado simplesmente Chetes. Com origem na música independente mexicana, este cantautor – maneira bacana que a mídia latina se refere aos cantores que compõe – já tem três discos solo. Ele ficou conhecido por sua participação em bandas como Zurdok e Vaquero. A primeira pertenceu ao movimento musical chamado “Avanzada Regia”, que floresceu em Monterrey nos anos 90.

A influência de sua carreira solo é, visível e incontestavelmente, Beatles. Sugiro uma visita ao seu site para ouvir alguma coisa e tomar contato com uma bela obra. http://chetes.net/

Mas minha citação a ele passa por uma dica que ele fez no twitter de duas compilações da moderna música que se produz hoje no México. O que se houve é algo rico e inspirador. Belas canções originais ou versões bacanas de artistas que, infelizmente, jamais chegarão aos nossos ouvidos trazidos pela mídia local…

Confiram e boa viagem!!!

http://soundcloud.com/warpla/sets/compilado-mun-vol-1

http://soundcloud.com/warpla/sets/compilado-mun-vol-2

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MANFREDINI

10 de setembro de 2011 0




Carmem e eu

Carmem Manfredini e eu, no camarim da festa A VOLTA DOS 80.



Nesta semana participei de uma festa em Brasília. Uma que já é tradicional na cidade e que louva a produção cultural dos anos 80.

Cada edição tem uma atração surpresa. Nessa, fui eu…

Além do que estava programado – cantar 4 músicas do Nenhum de Nós da fase dos 80 – ainda rolou uma colaboração inesperada e emocionante para mim.

Eu já aguardava no camarim, acompanhado da ilustre figura de Philippe Seabra – do Plebe Rude, que também daria uma canja – quando fui apresentado a uma pessoa de feições que me faziam lembrar de alguém. Antes que o nome fosse dito, vasculhei a memória tentando desvendar de onde vinha a referência… Os olhos, o sorriso e o formato do rosto formavam um quebra-cabeças. Antes que eu chegasse a uma conclusão veio o nome: Carmem Manfredini, a irmã de Renato Russo. Como se não bastasse a surpresa de conhecê-la, fui informado à queima roupa que cantaríamos juntos. Meu coração disparou!

Nem vou entrar em explicações ou justificativas sobre os motivos dessa reação emocional exagerada. Digo apenas que muito foi em função do Renato, mas grande parcela em função dela mesma – por conhecer sua importância na formação e trajetória do legionário.

Sentamos lado a lado e conversamos por um longo tempo.

Ela me perguntou – para minha surpresa – se “aquela coisa do Renato com o Nenhum de Nós se resolveu”?

Ela se referia a um episódio citado em um trecho de uma biografia apressada de Renato Russo, onde o escritor fazia uma citação de uma declaração do poeta ao Nenhum de Nós. Renato dizia algo como “tem banda que acha que rock é fazer uma versão de David Bowie e não cair na estrada”….ou algo assim.

Quando li a coluna de um jornalista que citava tal declaração (no JB, se não me engano), fiquei triste de verdade, pois minha admiração por Renato já era grande e eu julgava que ele estava sendo extremamente injusto. O sucesso do “Astronauta de Mármore” parecia incomodar até mesmo a ele, o que era um absurdo. Não com tudo que a Legião já havia construído.

Como nosso advogado para assuntos relativos à gravadora era o mesmo – Antônio Coelho Ribeiro – resolvi ligar para ele e consultá-lo sobre minha intenção de falar pessoalmente com Renato. Queria convencê-lo da injustiça que cometia.

Coelho Ribeiro não apenas me incentivou a fazê-lo como fez uma ligação prévia ao Renato comunicando-lhe que eu entraria em contato. Quando liguei, Renato já atendeu dizendo: Xi! Falei merda, né?! Nossa conversa foi serena, gentil e longa. Ele me deu conselhos que jamais esqueci e, para minha alegria, me tratou como um “igual”, no que se refere ao labor do rock.

Para mim, apenas essa conversa conciliatória já significava uma pedra no assunto e uma imensa alegria. Mas Renato fez mais. Sem que eu pedisse ou sugerisse, no dia seguinte, na mesma coluna do jornal saiu algo mais ou menos assim: “Renato Russo me ligou pedindo que eu publicasse essa nota onde ele pede desculpas pelas declarações injustas acerca do Nenhum de Nós…”

Ao contar essa “continuação” da história para Carmem, vi seus olhos vívidos se encherem de alegria. Além do mal-estar desfeito, eu apenas reafirmava com minha narrativa, a grandeza do coração de Renato.

Subimos ao palco e cantamos juntos “Quase sem querer”. Em seguida Felipe se juntou a nós para uma versão matadora de “Que país é esse?”! Justo em Brasília. E justo na véspera do dia da Independência e da manifestação contra a corrupção. Por tudo isso, antes de cantar, dediquei a canção à Jaqueline Roriz e seus 265 amigos anônimos. Foi uma comoção!

Carmem foi gentil e quis tirar várias fotos para registrar nosso encontro. Nos despedimos com promessas de reencontros no palco ou em algum outro camarim do rock brasileiro.

Uma noite memorável para mim!

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AS GERAIS

05 de setembro de 2011 0

Fizemos uma mini-tour por Minas Gerais neste final de semana. Conselheiro Lafaiete, Divinópolis e Coronel Fabriciano.

Talvez seja um pouco de exagero meu dizer, mas acredito que foi uma de nossas melhores passagens pelo estado – tirando as temporadas na capital.

Além de produções corretas e caprichadas, encontramos um público que surpreendeu pelo conhecimento e interesse no trabalho da banda. Supreendeu pelo fato de ser um GRANDE público – em quantidade – com essa predisposição a ouvir mais do que apenas os hits do Nenhum.

Quando se lança disco novo, fica complicada a missão de elaborar um roteiro para o show. A dificuldade é mesclar as novas canções – que tanto queremos mostrar – com o material antigo e mais os tradicionais covers.

Abrir sempre com uma do “Contos de Água e Fogo” é ponto de honra. Em geral é “Outono outubro” ou, dependendo do local, “Água e fogo”. Daí pra frente a engenharia da coisa varia.

Mas o principal, é que nessa passagem por Minas, percebemos que se pode levar adiante uma ideia de condução de carreira sem que nós nos tornemos reféns do nosso passado. Isso me deixou imensamente feliz. Os shows foram selvagens – no melhor dos sentidos.

Ainda para coroar o final-de-semana especial, em Fabriciano, dividimos o palco com uma das bandas mais fantásicas do rock nacional: 14 BIS. Além de grandes músicos –  e enorme influência para nós – os caras confirmaram a fama de “gente fina” que eles tem.

Temos algo de pressentimento – nada místico – de que shows assim são um sinal de mudanças em nossa carreira. Coisas boas que vem por aí. Vamos esperar pra ver…

VALEU MINAS!!!!!

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No Rio

11 de abril de 2011 8

Fizemos um belo show na ExpoTchê Rio de Janeiro, mas uma coisa muuuuuito legal foi essa mensagem que o Ricardo Campos nos enviou. Ele estava inspirado…hehe Nós todos curtimos muito as impressões dele sobre a banda e o show.

Vajam aí!


Só queria agradecer ao Nenhum pelo show inesquecível aqui no RJ ontem (Rio de Janeiro, Rio centro – Expotchê – 01/04),  esperei 18 anos da minha vida pra ver vocês. Quando eu era criança, vocês tocaram na minha cidade, BARRA MANSA – RJ, em um evento chamado overdose de rock, junto com a banda Uns e Outros e Inimigos do Rei, foi um evento super badalado na época, e eu queria ir só pra ver vocês, mas minha mãe não deixou pelo fato de eu ser menor de idade, levei essa frustração comigo até ontem. Cara, vcs tocam demais, a pegada da banda, o entrosamento, o Stein, putz, sem comentários, esculachando na guitarra havaiana, nos solos, em sua fender strato de som inigualável, no bom gosto e nas timbragens das distorções, verdadeiramente guitarra rock é um dom pra poucos, o Veco, preciso e criativo, não deixa vazar nada nos solos, não vacila em nenhum bend, perfeito, o João nos teclados harmoniza de forma muito criativa e faz teclado ser uma peça indispensável numa banda de rock, coisa raríssima. O que falar do Sady, entusiasmado, vc olha e o cara tá tocando no maior tezão, cantando todas as músicas da banda o tempo todo, o cara vive a banda, respira a banda, um metrônomo, punch de batera rock como não se vê mais no Brasil. E o Thedy, po cara… talento, presença de palco, interação com a galera, sem falar nas composições, um genuíno Band Leader de banda de rock, uma lenda, um cara que é protagonista na trajetória do rock brasileiro, O NENHUM DE NÓS é uma lenda viva do Rock Brasileiro, que saudade eu tinha de ouvir uma genuína banda de rock brasileiro, sem intervenções de produtores ‘jabazeiros’, sem influências externas, uma banda pura na essência, rock de verdade, rock de alma e coração, maturidade musical, pegada, entusiasmo e energia na banda toda, O CARINHO DA BANDA COM O PÚBLICO, O CARISMA, ATENDER OS FÃS NO FINAL (infelizmente não pude ficar, moro muito longe dali, e estava tarde…), não se vê mais isso no Brasil, enfim… SÓ TENHO A AGRADECER PELA NOITE DE ONTEM, aos 30 anos de idade eu me senti como um adolescente, quando vi vocês no palco tocando camila, logo no início do show, numa boa, meus olhos marejaram, é uma energia impressionante, e foi assim o show inteiro, lavei a alma, minha única tristeza é saber que NÃO SEI QUANDO VOU TER ESSA OPORTUNIDADE DE NOVO… VOCÊS MERECEM TODO O SUCESSO DO MUNDO RAPAZEADA… PARABÉNS POR TUDO…


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BETHÂNIA

16 de março de 2011 4

O dia de hoje começou com a polêmica notícia de que a cantora Maria Bethânia teria conseguido aprovar o valor de 1 milhão de reais para a realização de um site/blog.

À primeira vista parece um absurdo. Talvez seja. Talvez…

Pelo que li, o projeto se refere a um site onde ela depositaria diariamente um vídeo com interpretações suas filmadas e dirigidas por Andrucha Waddington. A ideia é fantástica! Qual fã de Bethânia não concorda comigo?

A questão é saber se existe algum senão ético ou legal no projeto e sua aprovação. Do segundo item, saberemos apenas se houver alguma apuração ou fiscalização por parte dos órgãos competentes. Quanto ao segundo, a discussão pega fogo.

Existe uma verba governamental orçada relativamente à Lei Rouanet. Um total. Um montante destinado a toda produção intelectual e cultural do país.

Seria correto supor que o projeto de Bethânia – em termos de valores – não estaria adeqüado à realidade do país? Percentualmente, quanto Bethânia abocanhou desde total destinado à cultura? É possível avaliar que a proposta do site/blog tem tamanha relevância artística que mereça a renúncia fiscal a ela destinada? Para responder parte dessas perguntas existe uma comissão do governo. Ela decide quem ganha ou não o direito à lei. Decidi, inclusive, se o projeto analisado poderá ter 100% ou percentual menor de renúncia fiscal. O projeto de Bethânia ganhou 100% de direito à renúncia? Seria um caso raro…

A gravação do DVD de Ivete Sangalo no Maracanã já havia ganho 800 mil de renúncia da Lei Rouanet. Certamente não era 100% do valor do projeto.

O certo é que todos esses valores são colocados à disposição do público através do site do MinC e portanto não carecem de “denúncia” para serem trazidos à tona. A polêmica está na discussão se um vulto da MPB, como é o caso de Bethânia, precisa ou merece tal distinção do MinC. Minha opinião é de que ela merece sim. Talvez não para um projeto desse tipo – já que ela acabou de lançar um CD/DVD ao vivo. Mas decidir QUAL o projeto adeqüado a determinado artista não é papel da comissão que aprova a Rouanet. Ter bom senso para avaliar quais projetos atendem a eterna necessidade de estímulo à área da cultura, isso sim é papel dessa comissão. Quando ela – a comissão – acerta, não existe uma linha ou reparação pública sequer. Quando ela supostamente se equivoca, se transforma em polêmica. Muito cuidado aí! Existem pessoas que defendem a injeção de dinheiro público e renúncia fiscal a grandes bancos e empresas e acha abominável que ocorra o mesmo com a cultura. Aí é a parte da fumaça, e não do fogo, na discussão.

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SCLIAR

28 de fevereiro de 2011 3

Moacyr Scliar é um escritor fundamental na formação de muitos artistas e intelectuais que conheço. Muitos deles são de minha geração. Sua escrita cria uma proximidade entre a narrativa e o leitor que acaba por deixar marcas profundas naqueles que embarcam nas viagens que ele propôe.
Foi assim com o “Exército de um homem só”, “Centauro no Jardim” e “Guerra no Bom Fim”.

Sempre segui sendo seu leitor e admirador. Com minha participação no Café TVCOM, pude, em fim, conhecê-lo.
Sentei ao seu lado na gravação do programa e conversamos muito durante o programa e nos intervalos. Eu, como bom fã, queria aproveitar ao máximo aquela proximidade. Foi entre tantos assuntos que tivemos que abordamos o que relato agora…

Eu havia lançado meu primeiro livro – Bruto – em 2006. Fui convidado a participar de uma pequena e modesta feira do livro no litoral gaúcho. Ao me convidar, o responsável pela feira me disse que o Scliar também estaria lá. Achei estranho que um escritor de sua estatura – um imortal – tivesse realmente topado.
Então lhe perguntei se ele “ia mesmo” a tal feira… Ele me disse que não apenas iria a essa feira, como procurava comparecer a todas que o convidavam. Fiquei surpreso. Percebendo minha surpresa ele me disse algo que foi um norte para mim desde então. “Tu tens que ir em TODAS as feiras que puder! Esse é o teu papel na literatura. Se o teu público da música entrar na feira para ter ver e te ouvir, a literatura e a música sairão ganhando. Tu és a ponte!”
Senti-me imensamente grato, honrado e valorizado com suas palavras. Tratei de obedecê-lo e seguir à risca sua orientação.

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PROFESSORES

28 de fevereiro de 2011 3

Na última sexta o Nenhum de Nós fez algo pouco usual para uma banda de rock: um show às 10:30h da manhã!!!

O motivo é mais do que honroso. Fomos tocar para professores (professoras na imensa maioria) da rede pública municipal de Canoas – que fica do lado de Porto Alegre. Uma bela iniciativa da secretaria da educação de Canoas e um presente para nós.

Os professores.

Minha lista de professores inesquecíveis é loooooonga e, com certeza, me esqueço dos nomes de alguns mas não da sua importância para mim.

É o caso de minha professora da 4ª série. Eu estudava em uma escola pública e tinha dificuldades de aprendizado. Ia rodar… Acabei fazendo aulas particulares justamente com minha professora da escola mesmo. Todos os sábados pela manhã lá ia eu encontrá-la em seu apartamento. Ela me recebia sempre comendo uma banana. Não sei porque… Eu ficava muito impressionado com isso. Como ela gostava de bananas! No intervalo de nossa aula ela ia até a cozinha e voltava com duas bananas. Eu tentava degustá-la com a mesma paixão que ela. Acabei passando de ano. Nunca mais deixei de apreciar bananas. Não consegui guardar o nome dela.

Depois fui para um colégio de “padres”, o lassalista Nossa Senhora das Dores. Lá conheci o Sady e o Carlão.

Ali começou a longa lista. Wagner Dotto, o melhor professor de artes que já tive. Na na geografia, o professor Tolloti – que lembrava um pouco o Fred Flintstone. História, Miriam Diva e sua paixão por Napoleão.  Física, o aloprado Nei Kissman. Na química, o implacável e dedicado Sérgio Borba. Na língua portuguesa o quase gaulês Romeu, e o aquele que nos fazia ler e ler e ler Canali… Vera Kramer por suas pacientes aulas de biologia. Otávio Rojas por suas aulas de biologia, com pouca paciência…hehe Ainda o Valmir, Matias, Norma, Wanderley, Lessa… tantos…

Mas existe um, em especial. O maior e melhor professor de MATEMÁTICA que eu já tive: o Emilião!

Ele era um dos irmão lassalistas que morava na escola. Tinha uma paixão por ensinar e uma vontade desesperadora que nós aprendêssemos. Seu talento era incrível. O que parecia indecifrável – a matemática – ganhava clareza a cada aula sua. Ele era durão. Exigente. Não nos subestimava. Desafiava. Estava sempre disposto a explicar mais uma vez, mas não sem nos inspirar um certo medo. Era o preço por “mais uma vez” nos conduzir no rumo dessa clareza e nos colocar de pé onde antes engatinhávamos. Sua postura e atitude me servem de inspiração até hoje.

Professores deveriam ser apontados na rua como quem aponta um membro da realeza. Olha! Ali vai um professor.

Professores são, na minha opinião, o ponto mais alto dentro de uma escala imaginária que caracteriza nossa sociedade.

Infelizmente, não é assim. Bem pelo contrário.

Enquanto isso não mudar, não me sinto capaz de dizer que vivemos em uma sociedade civilizada.


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