O poder público e toda a população têm interesse em mais gente usando o transporte coletivo para reduzir congestionamentos e poluição nas cidades. Se houvesse vontade política de verdade, seria possível baratear a tarifa e fazer mais gente andar de ônibus. Com base na planilha atual, que apontou R$ 2,54, é fácil fazer projeções de quanto seria a passagem se União, Estado e municípios cortassem os impostos sobre o transporte coletivo ou se cobrissem os gastos com gratuidades (ou seja, pagando a passagem pelo idoso ou os demais 50% pelos estudantes). Nesse caso, a tarifa poderia cair para R$ 1,31 (veja quadro abaixo).
Mas isso, infelizmente, é quase utopia. Primeiro, porque os governos não têm demonstrado interesse em cortar impostos e em bancar gratuidades. Só em grandes cidades como São Paulo, o poder público injeta dinheiro no transporte coletivo, para evitar reajustes, pois é do interesse de toda a população, até de quem anda de carro, ter ônibus barato e menos congestionamentos.
Os empresários do setor reclamam que, em janeiro, Dilma vetou artigo de medida que reduziria os impostos das empresas de transporte coletivo, o que teria reflexo direto na queda das tarifas.
Vale lembrar que o reajuste de R$ 2,30 para R$ 2,45, aprovado por Schirmer, valerá a partir do dia 4 de março.
Quanto seria a tarifa em Santa Maria
Se o poder público cobrisse todos os gastos com gratuidades e meias passagens - R$ 1,93
Se o poder público não cobrasse mais os impostos do transporte coletivo - R$ 1,71
Se o poder público bancasse as gratuidades e não cobrasse impostos do transporte coletivo - R$ 1,31
Menos passageiros, passagem mais alta
A questão é que, quanto mais a tarifa aumenta, menos gente usa o transporte. E quanto menos usuários, mais reajustes. Um exemplo: de 2003 para 2012, houve uma queda de 10% no número de usuários que pagam passagem em Santa Maria - como ocorre em outras cidades. Se não tivesse ocorrido essa redução, o cálculo da tarifa hoje daria R$ 2,31, e não R$ 2,54 do cálculo. Schirmer acabou concedendo R$ 2,45.
Com o envelhecimento da população, a queda no número de passageiros deve se agravar ainda mais. É que, quando um usuário de ônibus faz 65 anos, ele passa de pagante para não pagante. E com menos gente pagando, maior será o valor da tarifa. Por isso, seria importante o poder público pagar a passagem pelo idoso e os outros 50% pelos estudantes. Dessa forma, o trabalhador e o estudante poderiam pagar uma tarifa bem mais baixa que os R$ 2,45 decretados por Schirmer. Por isso, está certo dizer que quem paga a passagem de ônibus banca as gratuidades.
