Aqui no blog A Varejo, vários leitores deram suas opiniões sobre as lojas de Santa Maria não poderem abrir com funcionários em feriados. Como já defendi outra vez aqui, acredito no princípio da livre iniciativa, em que as empresas devem ter a liberdade de abrir para que o consumidor tenha o direito de consumir. Se há várias outras empresas do comércio que abrem em domingos e feriados, como postos de gasolina e farmácias, por que só as lojas do comércio e os mercados não podem usar funcionários? Os mercados poderiam fazer escalas, abrindo só alguns em cada domingo.
Claro que defendo qualidade de vida e, principalmente, os direitos trabalhistas, mas não concordo com a proibição da abertura de lojas usando funcionários em feriados.
Que os sindicatos então defendam que as empresas paguem muito bem para quem trabalhar em domingos e feriados e que isso seja fiscalizado. O sindicato deve exigir melhores salários e condições de trabalho. Esse deve ser o foco. Se fôssemos um país rico e com empregos sobrando, poderíamos nos dar ao luxo de quase ninguém trabalhar em feriados e domingos.
Claro que também entendo a posição do sindicato, que defende muitos trabalhadores que acabam sendo explorados: ganham mal, muitas vezes não recebem por horas-extras trabalhadas e não têm outros direitos respeitados.
E entendo também a posição de quem precisa trabalhar em domingos e feriados. Eu, inclusive, trabalho em domingos e feriados. Não faço festa quando tenho de sair de casa para trabalhar, é claro. Mas eu e minha família entendemos que isso faz parte da profissão. Se um dia eu cansar disso, talvez procure outra função de jornalista que trabalhe só de segunda a sexta e possa fazer feriadão no Carnaval, no Natal... Jornalistas e vários outros profissionais trabalham em datas festivas, muitos fazem plantões de madrugada, como médicos, técnicos de enfermagem, motoristas de ônibus. Mas faz parte da profissão. Por isso, acho que o comércio e os supermercados podem abrir além dos horários normais, se houver movimento que justifique.
Só para citar um exemplo. No Royal Plaza Shopping, onde poucas lojas puderam abrir no feriado de quarta-feira, 11 mil pessoas circularam nesse dia, segundo a administração do Royal. Foi público recorde. Ou seja, tinha muita gente querendo comprar.