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Equipe de Fibra: correndo por uma causa

09 de junho de 2013 0

Aline Mendes – aline.mendes@zerohora.com.br

A Maratona Internacional de Porto Alegre terá uma equipe de fibra neste ano. Os 15 corredores desse grupo especial não terão somente a linha de chegada como meta. A verdadeira vitória será chamar a atenção para a fibrose cística, uma doença que não tem cura.

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Quando lancei o blog Barra de Cereal há uma semana e meia, recebi uma mensagem da engenheira Déri Calvete da Rocha — corremos juntas na Travessia Torres Tramandaí, em janeiro – informando que a Equipe de Fibra, viria do Rio de Janeiro para participar da maratona. Dos 15 integrantes, dois têm fibrose cística.

Para contar a história do grupo, é preciso voltar em 2010, quando o coordenador da equipe, o biólogo Cristiano Silveira, se mudou de Porto Alegre para o Rio a trabalho. Ele começou a correr três meses depois para perder peso (mandou embora 12 quilos em cinco meses) e também para passar o tempo em que permaneceu longe da família, que ficou na capital gaúcha e veio a se mudar um ano depois.

Cristiano é pai de Pedro, oito anos, que tem fibrose cística. A família detectou a doença cedo porque fez o teste do pezinho na rede privada. “Em 2004, quando ele nasceu, o Rio Grande do Sul ainda não fazia a triagem para fibrose cística no teste oferecido pelo SUS. Essa sempre foi uma reivindicação das associações. O diagnóstico precoce é muito importante”, destaca.

Quando começou a participar de provas, o biólogo pensou em aproveitar os eventos para divulgar a fibrose cística. Seguindo o exemplo de pessoas que correm por uma causa, a Equipe de Fibra foi criada em 2011, em parceria com o Instituto Unidos pela Vida. Explicar a fibrose cística, os sintomas e o tratamento é muito importante, segundo Cristiano, na medida em que muitas pessoas têm a doença, mas não são diagnosticadas corretamente.

Hoje, o grupo conta com a participação de 100 corredores em todo o país— quatro deles com a doença. Entre os 15 inscritos na Maratona de Porto Alegre, estão a estudante de Educação Física, Thamiris Sabas, 22 anos, primeira atleta de “fibra” da equipe, e Ernesto Dresch, 18 anos, morador de Mato Leitão (RS).


Legenda: Thamiris corre na companhia de Cristiano

Thamiris descobriu a corrida no ano passado. Na primeira tentativa, conseguiu concluir uma prova de cinco quilômetros, apesar das dificuldades para respirar. “Foi um levante para mim. Estava meio sedentária, não tinha expectativa, fé. Acabei virando exemplo para muita gente. Depois da corrida, foi só alegria”, afirma a carioca.

Cristiano explica que a corrida ajuda quem tem fibrose cística contribuindo na desobstrução das vias aéreas e aumentando a capacidade respiratória, prevenindo problemas como o diabetes e a osteoporose, relacionados à doença, e melhorando a autoestima de quem sempre teve uma vida de restrições impostas pela rotina do tratamento de doença. “Eles mostram que é possível conviver com a fibrose cística se beneficiando do esporte no tratamento. Junto com o meu filho, Thamiris e Ernesto são a maior inspiração deste projeto”, afirma o biólogo.

A estudante carioca correrá 10,5km no revezamento de quarteto junto com o namorado e outros dois amigos. Inspirada pelo argentino Marcos Marini - primeiro atleta com fibrose cística na América do Sul a completar uma maratona -, que conheceu no ano passado, Thamiris também começou a dar palestras para relatar sua experiência nas pistas e o quanto a corrida beneficiou a sua saúde. Em Porto Alegre, o evento ocorrerá no sábado, véspera da maratona, às 14h, na Câmara de Vereadores.

A FIBROSE CÍSTICA

Fonte: Instituto pela Vida

É uma doença genética, ainda sem cura. Se diagnosticada precocemente e tratada de maneira adequada, o paciente poderá ter uma vida praticamente normal, dentro de seus limites. Pode ser identificada através do teste do pezinho e o diagnóstico pode ser confirmado através do teste do suor ou ainda através de exames genéticos. Também conhecida como doença do beijo salgado ou mucoviscidose.

SINTOMAS

Pneumonia de repetição, tosse crônica, desnutrição, dificuldade de ganhar peso e estatura, movimentos intestinais anormais, pólipos nasais, sabor muito salgado na pele ou suor mais salgado que o normal e uma espécie de alongamento das pontas dos dedos das mãos e dos pés.

TRATAMENTO

Ingestão de enzimas digestivas para as alimentações, antibióticos, suporte nutricional, broncodilatadores, fisioterapia respiratória, anti-inflamatórios, atividade física, acompanhamento multidisciplinar frequente.

Texto publicado no Blog da Maratona em 29 de maio.

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