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Produtor italiano fala sobre "Sapore d'Italia"

15 de agosto de 2011 0

SAPORE D’ITALIA estreia no próximo sábado (20 de agosto), depois do Jornal do Almoço. Essa primeira produção de ficção da RBS TV gravada no Exterior, com produção executiva da Epifania Filmes, teve muitos apoios. Um deles foi com a produtora italiana Jengafilm.

 O produtor Christian Cinetto conta como foi essa aproximação com o Brasil e como foram as gravações na Itália.

“No mês de setembro de 2010 em uma reunião durante o Festival de Venezia havíamos decidido que 2011 seria um ano preparatorio para permitir a Jengafilm trabalhar com equipes estrangeiras, em particular as alemãs, inglesas e francesas, para que realizassem seus filmes de baixo orçamento na Italia. Aqui na Italia, na terra de Cinecittá e do cinema neorealista, quando se pensa em baixo orçamento se imagina brincadeira de adolescentes.
Apenas cruzando a fronteira tudo muda, até as grandes produções conhecem o novo fenômeno de produzir um filme com tecnologias digitais e equipes pequenas e muito profissionais.
Estavamos conversando na Mostra de Cinema de Venezia, não lembro a data exata, mas me lembro bem de uma situação aquele dia. Era 3 da tarde e estava caminhando entre o Hotel Excelsior e o tapete vermelho. Não havia muita gente, todo mundo dentro do cinema esperando para ver um bom filme.
De repente senti encontrão, me viro para responder no estilo italiano mas não consigo. A pessoa que desajeitadamente e com força me atingiu era “somente” o presidente do júri do festival. Um homem grande e esquisito com um rosto muito incomun de nome Quentin Tarantino. Ainda em choque pela maneira como o encontrei, cruzo com minha amiga atriz e filmmaker italo-brasileira Miriam Marini. Me fala do festival e me acena com um projeto brasileiro. “Só um pouquinho! Disse Brasil? Brasil? O país dos jogadores, das mulatas do samba, do café??? Aquele Brasil?” Miriam me fala do projeto muito excitada, eu fiquei perplexo. Nós não estavamos ainda prontos e além disso falavamos de Europa. Como faremos os contatos, os telefonemas, os documentos e sobretudo as locações necessárias?

Dois meses depois estavamos na estrada pela região do Vêneto olhando locais, conversando com políticos e pessoas que tinham alguma relação com o Brasil. Acima de tudo estava sendo uma maneira divertida aqueles contatos pelo skype e poder ver Mariana, Boca e Tombini bebendo chimarrão suando enquanto a neve aqui em Padova caia do lado de fora. Sim, eles estão do outro lado do mundo.

Essa introdução foi um pouco longa, mas inevitável para entender o quanto foi extraordinária essa aventura. Os nove magníficos membros da equipe nos tocaram em cheio. Sendo bem sincero, mesmo pelo skype ja nutria uma forte simpatia por eles, e mesmo quando faltavam poucos dias para o início das gravações achava que não seria possível. Muita estrada pela frente, muitas locações, muitos atores e muitas cenas externas. Sobretudo pouco, muito pouco dinheiro para um projeto tão ambicioso. Poderia escrever um romance sobre a nossa aventura, sobre os 5.300 quilômetros percorridos junto; sobre um mês de abril nunca antes tão quente; sobre as poucas pessoas que antes haviam dito sim e depois não, sobre as tantas pessoas que antes disseram não e depois disseram sim; sobre a emoção de Ferretti e Boca na primeira vez que ouviram uma senhora falando Veneto; sobre Artur que a noite dirigia um carrinho menor que ele; sobre Tombini que vestido de Romeu divertia uma excursão de crianças napolitanas; sobre Polidoro com os olhos vermelhos e feliz depois da última claquete da noite; sobre Basso que ajustava o microfone lapela das meninas pelo menos umas dez vezes; sobre Iuli que teve controle sobre dois diretores com o dobro da sua idade; sobre Mariana que acreditava sempre e até o final. E como dizia Leo Garcia: “Eu aumento mas não invento”.

A equipe foi extraordinária, jovens profissionais porém cientes do que faziam. Gente que conseguia levantar as 7 da manhã e ficar ate a meia-noite trabalhando sem cansar. Dia após dia, sem uma reclamação sequer, mas com muita alegria. A alegria que aqui na Europa se perdeu, mas que era aquilo mais contagiante na equipe do Rio Grande do Sul. Uma alegria que abalou uma tarde sonolenta de domingo em Belluno e que ninguem entendia que festa era aquela na rua com uma dezena de pessoas que dançava e se divertiam; uma alegria que iluminou um pequeno bar na cidadedizinha de Arsiè, da qual muitos partiram no século 19 para tentar a sorte no Brasil, e que falarão muito da equipe brasileira por alguns anos ainda; muito mais do que  sobre Sandra Bullock que também havia filmado por aquela parte; uma alegria que contagiou o velho padre de Auronzo di Cadore, que improvisou um brinde com grappa em frente a igreja.

Fomos ao Brasil para abraçar os amigos (na sessão de pré-estreia em Bento Gonçalves), encontrar outros cineastas para outros projetos. Sim, porque no futuro, no nosso futuro, haverá muito espaço para as equipes brasileiras. As equipes européias deverão esperar pela sua vez.

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