Em 3 de janeiro, o Diário publicou uma charge do Elias que levantou polêmica entre os leitores e internautas, principalmente entre professores e estudantes de Educação Física. A charge estava relacionada à reportagem "Busca por moradia começou mais cedo", publicada na mesma edição. A matéria mostrava que a procura por imóveis para alugar em Santa Maria teve início mais cedo este ano em função de o vestibular da UFSM ter ocorrido em dezembro de 2011.
Em linhas gerais, a brincadeira de Elias foi mostrar três imóveis. O "maior" seria oferecido a aprovados em Medicina. O "intermediário", para bixos de Fisioterapia. E os imóveis "menores", para aprovados em Educação Física.
As queixas partiram exclusivamente dos professores e estudantes (ou bixos) de Educação Física. Eles consideraram a charge um desrespeito à profissão. Entre 4 e 19 de janeiro, o Diário recebeu 19 cartas. Dessas, 11 continham críticas. As outras oito cartas e mais quatro artigos enviados nesse período ponderavam que a charge não ofendia os profissionais de Educação Física, mas mostrava a realidade econômica e social em que vivemos.
Em sua carta, o professor de Educação Física Leonardo Fernandes de Souza escreveu:
"(Elias) Foi infeliz ao classificar o tamanho do imóvel conforme os aprovados no vestibular. A casa mais humilde é a dos aprovados em Educação Física. Deixo uma pergunta: será que um acadêmico de Educação Física tem um menor poder aquisitivo do que um acadêmico de Medicina? Enquanto as pessoas pensarem como o Elias, jamais os profissionais de educação física serão valorizados como devem. Algumas pessoas precisam rever seus conceitos."
O estudante de Educação Física Gerri Rosa acrescentou:
"Como o Diário é um jornal de grande circulação e de excelente fonte de informação, admira-me que tenha aprovado essa charge infeliz."
O Diário não censura o trabalho intelectual de seus profissionais, nem a opinião de seus leitores. Confira o que diz o item 4.3 do Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística do Grupo RBS:
"4.3. OPINIÃO
A RBS considera a diversidade de opiniões um de seus patrimônios éticos e define tal pluralidade como parte relevante de seus conteúdos. Todos os profissionais da RBS e os colaboradores externos que emitem opiniões nos veículos da empresa, de forma regular ou não, têm ampla liberdade de manifestação de seus pontos de vista. As fronteiras da opinião são demarcadas por valores éticos e pela responsabilidade individual."
Ao veicular a charge e, posteriormente, publicar também a maioria das cartas, artigos e a última crônica de Orlando Fonseca sobre o assunto (com críticas ou não), o Diário acredita que cumpriu seu papel de informar. Durante quase duas semanas, o jornal deu amplo espaço para as opiniões que chegaram sobre o assunto. Por isso, o jornal considera que o tema esteja esgotado e publica as últimas cartas sobre o assunto na edição deste fim de semana.
Para finalizar, pedimos ao próprio autor da charge, Elias, que escrevesse sobre o assunto. Segue abaixo.
"Um chargista explicar sua charge é o mesmo que o piadista explicar a piada: desonra total. Todo chargista que precisa explicar sua charge deveria cometer haraquiri com o próprio lápis.
No entanto, aceitei ajudar no sepultamento da polêmica sobre a charge que ofendeu profissionais da Educação Física mesmo sendo impossível fazê-lo sem a humilhação de "explicar a piada" e assumir a desonra. Tudo bem: a ter que desonrar a profissão alheia, prefiro desonrar a minha.
Não que eu concorde plenamente com o enterro da questão, pois, para mim, ela ainda respira. Particularmente, penso que ela pode, daqui a alguns dias, ter um espasmo e começar a arranhar o caixão por dentro. Mas, se o tempo é relativo, quem sou eu pra dizer quanto tempo um assunto leva para se exaurir?
"A fila anda", dizem, e todas as coisas devem sair de cena um dia para se abrir lugar para outras, exceto, todos sabemos, a novela das nove, o Programa Silvio Santos e o Big Brother Brasil.
Agora, me permitam convidar, pra ajudar no meu haraquiri, o leitor Bruno Brisolla Ravanello (carta publicada dia 14/01/2012), cujo texto é um dos que melhor traduzem minha intenção com aquela charge:
... "O autor (Elias) apenas mimetiza aquilo que vemos e vivemos em nosso dia a dia. Se essa classe de profissionais foi rebaixada na charge, é porque o autor acredita que isso está errado, e fez o papel dele como crítico da sociedade para chamar a atenção do público"...
Sem mais, obrigado a todos e até a próxima.
Elias"

A charge de 3 de janeiro de 2012