Na época em que ser funcionário da ferrovia tinha quase o mesmo status quanto um diploma universitário, meu avô trabalhava como carregador de malas na gare. E sua família cresceu perto dos trilhos. E orbita ao seu redor até hoje.
Acho que, por isso, tenho memórias tão vívidas das poucas vezes que viajei de trem. A gare lotada para receber a composição que chegava de Porto Alegre ou que partia para a fronteira; o glamour do Húngaro (um trem sofisticado, cujo interior lembrava cabines de avião) o gosto dos pasteis de carne cobertos de açúcar e canela que a vó preparava na véspera de nossas partidas.
Quase nunca evoco essas memórias, mas nesse 20 de setembro, elas saíram de mim, sem querer. O responsável foi o CTG Bento Gonçalves, que levou ao Desfile Farroupilha uma alegoria que simulava a chegada do trem na gare. Engenhoso e emocionante. Na Estação Férrea de mentirinha, passageiros carregando malas e flores abanavam para mim. Viajei para o passado. Senti de novo o embalo do trem e o gosto dos pasteis da minha avó. E chorei.
Tatiana Py Dutra



O burburinho da gare fez parte da minha infância. O toque do sino (licença) anunciando que em breve o trem estaria na gare era o sinal para sairmos às pressas de casa, subirmos a Rua Sete e chegarmos à estação junto com o trem. Fiz viagens imaginárias incríveis, nestas horas de chegadas e partidas. E neste dia 20 reviver este imaginário, emociona. Parabéns (ao CTG, ao Diário SM e à repórter).
Lindo mesmo e muito criativo foi a Maria fumaça que o Piquete sarandi colocou em um de seus caminhões, até o som de locomotiva eles colocaram. Meus parabéns ao Piquete Sarandi.
Parabéns Tatiana.Também me levaste a este tempo com a tua descrição do desfile.Também me emocionou tua EMOÇÃO.PARABÉNS.Abraço.