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Entrevista com Paula Mello

26 de janeiro de 2011 1

Comecei a criar minhas peças há pouco mais de 6 meses, porém a vontade de criar algo com as próprias mãos e gerir um negócio próprio vem de alguns anos atrás. Sou diretora de arte em publicidade porém, mesmo trabalhando na área criativa das agências, sempre senti falta de poder me expressar um pouco mais livremente, trabalhar a criação em outras plataformas além da telinha do computador.

E a partir desse ano, passando a trabalhar apenas como freelancer, consegui tempo para poder me dedicar a esse sonho. Devo dizer que comecei absolutamente do zero, sem conhecer técnica alguma, sem entender os materiais e sem saber, inclusive, aonde e como procurá-los. Fiquei encantada quando descobri na internet alguns colares feitos apenas de malha e resolvi que queria fazer aquilo, porém de forma completamente diferente. E notei o quanto dava para criar com aquele material tão plástico, coisa que ninguém estava fazendo. Assim começou a UP. Com alguns retalhos e algumas contas, erros e acertos e muita paixão por fazer algo que fosse único.

Aí as peças foram evoluindo, fui incorporando outros materiais e hoje tenho peças bem mais sofisticadas do que fazia no começo. Também criei um blog que é pra mim, meu pequeno universo. Todas as peças nascem com um conceito, que é traduzido em nome próprio e poesia. Uma forma criativa e deliciosa de apresentar as peças e fazer da visita ao site um momento de encantamento.


Onde você busca inspiração?

A inspiração vem de todo o qualquer lugar. Na maior parte das vezes, basta apenas ficar olhando para o material que se tem e esperar que ele “fale” com você. Alguns dias estou particularmente apaixonada por alguma cor e aí busco materiais que me permitam expressar com a cor do dia.

E os materiais, você encontra onde?

Como trabalho com vários materiais diferentes, eles vem de diversos lugares. Alguns tecidos foram comprados, outros tantos ganhei de presente. Sempre retalhos, pedacinhos que iriam ser descartados e que retomam à vida. E as contas, pedrarias e todos os fios são comprados em armarinhos, lojas especializadas nesses materiais.

Como é a sua rotina?

Quando não estou fazendo algum trabalho de publicidade, normalmente procuro ficar a maior parte do tempo possível junto às minhas, linhas, contas, tecidos. Porque além do amor que tenho por tudo isso, a UP é um projeto de vida para mim. E todo tempo que eu tenho, invisto nesse sonho para que ele se transforme num negócio, de fato.

Qual peça significa/significou mais pra você?

Todas as peças tem um significado especial para mim. Costumo dizer que cada nova peça é uma aventura. Em cada uma delas procuro descobrir uma técnica nova, aplicar um material diferente, fazer com um estilo que eu não criei ainda. Por esta razão as peças são bem diferentes entre si. Mas se eu realmente tivesse que escolher uma peça marcante, seria a número 1, meu colar Semente de Uva. Ela foi a materialização do início da caminhada.

No processo de criação de uma peça, qual a parte que mais dá trabalho, e qual a parte que mais te envolve, o que prefere?

Às vezes a parte que dá mais trabalho é criar, porque perco horas, às vezes dias, para encontrar o que realmente estou procurando. Mas na maior parte das vezes é conseguir descobrir ou inventar uma técnica para concretizar o que eu quero criar. Como eu havia falado, a cada peça que eu faço, algo de realmente novo precisa ser incorporado, seja em materiais, forma ou técnica. Então conseguir produzir e deixar bem acabada essa “novidade” às vezes leva muito tempo. E a parte que eu mais gosto, sem dúvida, é ver a peça pronta. Ver a criança nascida.

Já teve algum dia, em que não teve inspiração? O que você fez?

Sim, acontece, eventualmente. Eu olho para os materiais, tento descobrir algo que tenham para me dizer, mas eles ficam mudos. Aí procuro alguma inspiração fora, uma combinação de cores, uma textura que me diga algo. Mas, em compensação, tem dias em que é só chegar na mesa que você já sabe exatamente o que vai fazer. E as peças fluem maravilhosamente bem. Normalmente nesses dias, crio as peças que acho mais exuberantes.

Quando está desenvolvendo uma peça, você costuma assistir tv, ouvir música ou prefere o silêncio?

Prefiro o silêncio. O barulho da natureza apenas. Mas, eventualmente ouço um lounge ou um jazz bem suave.

O que te motiva a ser crafter?

Não sei se me considero uma crafter. O craft – no meu caso, as bijuterias artesanais – foi uma resposta a um talento e uma vontade minha em criar algo com as mãos, em combinar cores, formas e texturas. Poderia ter sido outra coisa, como, inclusive já tentei: cerâmica, pintura, desenho. Sempre, porém, algo voltado para a arte e a estética. No entanto, a minha real motivação é em construir um negócio próprio, onde eu possa trabalhar de forma totalmente livre e criativa. Um negócio que eu possa gerir praticando valores em que eu acredito e, um dia, poder contribuir também para a prosperidade das pessoas que acreditarem no que eu faço e percorrerem essa estrada comigo.

Dica para iniciante

Faça tudo com o coração. Faça com a maior perfeição que você puder. E procure seguir seu próprio caminho. Busque sempre colocar algo seu no que você faz, algo único. Quem copia não cresce, não descobre seu próprio talento. E o que vai fazer seu trabalho ser especial e reconhecido é justamente essa coisa única, que só você tem, e que ninguém pode copiar.

 

*

Nome: Paula Mello

Marca: Up acessórios

Cidade: São Paulo

Onde encontrar: http://www.flickr.com/photos/upacessorios/

 

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PS.: Meninas, peço mil perdões, pois por problemas técnicos a entrevista acabou não sendo publicada na quarta-feira. Beijos, Ana

Comentários (1)

  • Paula Mello diz: 29 de janeiro de 2011

    Michele e Ana, obrigada pela oportunidade em participar desse espaço tão rico, colorido e cheio de ideias que é o Baú!!

    grande beijo,
    Paula

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