Como você começou?
Comecei em 2009, por acaso, quando procurava por caixas personalizadas com fotos e artistas e bandas de rock dos anos 60/70. Nunca achava o que eu queria, então comecei a procurar maneiras de eu mesma fazer. Frequentei uma aula de decoupage com guardanapo e aprendi o básico para a preparação das caixas. Depois, conversando com uma amiga, descobri como colocar fotos e comecei a fazer peças para mim e depois, para os amigos. Comecei a postar na internet e apareceram várias pessoas querendo. Vi que "levava jeito" para a coisa e resolvi partir para uma antiga paixão: cadernos, papelaria.
Frequentei um mês de curso de encadernação e o resto, fui descobrindo sozinha ou trocando idéias com colegas.
De onde vem a inspiração?
De todas as coisas que me interessam ou chamam minha atenção: flores, bichos, natureza, cores, moda, ilustrações, tatuagens, dias bonitos, jardins encantadores, contos de fadas... eu crio para os outros as coisas que eu sonho e que eu gostaria de usar.
Você encontra com facilidade os materiais? Onde encontra? São da cidade ou compra online?
Os materiais mais básicos, como papelão, pape, tecidos e aviamentos, sim. Algumas ferramentas e também materiais mais exclusivos, como papéis especiais, tecidos com estampas diferentes, não. Poderia dizer que compro 70% do meu material em lojas aqui do Rio e 30%, online.
Como é a sua rotina?
É louca! Trabalho sozinha e trabalhar em casa não é fácil, pois as rotinas acabam se misturando, por mais que você tente separar. Nos meses de novembro e dezembro, é comum iniciar o trabalho por volta de 6:30/7:00 e ir até 2 da manhã.
Nos períodos "normais", começo o dia fazendo todo o trabalho no computador (e-mails, manutenção da loja, postagem de fotos, atualizações nas redes sociais etc) e no decorrer do dia, vou executando os trabalhos de maneira a fazer primeiro o mais pesado ou o que exige ficar mais tempo em pé, deixando as atividades mais leves para depois.
Costumo ir ao Correio dia sim, dia não e tirar um único dia para fazer todas as compras necessárias.
Tem alguma peça que significa ou significou mais pra vc?
Todas as peças tem muita importância para mim. Eu realmente as crio e executo como se estivesse fazendo para meu uso ou para alguém querido. O resultado disso é o retorno muito positivo por parte dos clientes, com a grande maioria voltando a comprar e indicando para os amigos. Muito desses clientes acabam se tornando meus amigos.
Mas confesso que, depois da partida da minha filha, há pouco mais de 5 meses, todo o meu trabalho ganhou uma importância ainda maior, pois, além de me ajudar quando estava aqui na Terra, ela acreditava muito na Malagueta e admirava esse meu talento, sentia muito orgulho. Eu quase desisti, fiquei 1 mês sem conseguir fazer nada, mas resolvi voltar, em memória ela e também para me ajudar a superar.
Na criação de uma peça, o que dá mais trabalho/e qual te envolve mais. Você tem preferência por algum passo?
Acho que posso confessar que odeio cortar papelão e lixar as caixas de madeira. Definitivamente, é a parte chata do trabalho, mas é necessário.
O que me envolve mais e o que mais gosto: a criação, combinar os tecidos, a cor do elástico, das fitas. E montar a capa ou a caixa, quando vejo que o que imaginei funcionou direitinho e ficou lindo.
Já aconteceu de não ter inspiração? O que vc fez?
Já! Com certeza!
Quando falta a inspiração, corro para revistas e blogs de moda e decoração. São preciosos na hora de pensar em tendências de cores, estampas e combinações dessas duas coisas.
No processo de criação (produção) prefere ficar em silêncio, assistir ou ouvir música?
Ouvir música, sempre.
O que te motiva a ser crafter?
A possibilidade levar para as pessoas um pouco de alegria junto com a exclusividade e o carinho com que aquela peça foi feita. A maior parte dos meus clientes, compra quando quer presentear a si mesmo ou a alguém, de maneira especial. As pessoas me contam isso e é muito gratificante participar desses momentos felizes.
Mensagem para quem esta começando
Não entre nesse mundo se o objetivo é obter ganhos altos e rápidos. Nesse ramo, não dá para abrir o negócio e depois se apaixonar por ele. Desde o início, você tem que ser completamente apaixonado por aquilo que faz, para poder fazer muito bem. É isso que vai fazer com que as pessoas desejem ter o que você produz, para só então se tornar o seu negócio. Você tem que querer muito mais do que dinheiro se quiser fazer um trabalho artesanal. E persista, persista e persista mais um pouco.
Nome completo: Danniella Fagundes Ribeiro
Cidade: Rio de Janeiro
Onde encontrar: malaguetacraft.com, com acesso à loja, ao blog, ao Flickr, Facebook e Twitter































