
Como você começou?
Eu sou enfermeira de formação, mas desde que eu me lembro sempre adorei artesanato, sempre inventei muita coisa. Mas é até estranho de explicar como me envolvi com patchwork. Há 3 anos e meio, um dia estava eu pesquisando fotos de artesanato na internet, e me deparei com fotos lindas de trabalhos feitos com fuxico. Achei lindos, nunca havia imaginado que houvesse vários tipos de fuxico. Então pensei: vou fazer um curso para aprender isso!!! Já pensando na minha filhinha que era um bebê. “Quantas coisinhas delas eu iria enfeitar com fuxiquinhos...”
Fiz um curso de fuxicos em Curitiba e lá conheci o patchwork, que eu já havia visto em lojas de bebê, mas não sabia nem o nome. E pensei comigo: “ ah isso não!! Não é pra mim!”, nunca havia sentado sequer em uma máquina de costura. Apesar de minha mãe ser costureira há mais de 40 anos. Mas o ciúme dela pela máquina (que agora eu entendo) não me deixou nem sequer saber que eu poderia vir a gostar de costurar. Resolvi comprar uma máquina para costurar os fuxicos. E com uma máquina nas mãos, ideias começaram a surgir. Principalmente depois que participei de um encontro de artesãs aqui na cidade. E recebi em uma troquinha cosinhas lindas de patchwork (coitada de quem recebeu a minha troquinha... rsrsrs). Lá conheci a professora Francisca Alcantara, que me deu algumas aulas de patchwork. Ela domina isso como ninguém. E nos tornamos amigas até hoje. Daí foi só colocar a curiosidade para funcionar e a imaginação à prova, e as coisas foram acontecendo... fui aprendendo umas coisas, inventado outras. Até vestidinhos para minha menininha que eu fiz, resultaram em encomendas. Eu nem acredito até hoje, parece que foram meus genes de costureira que vieram à tona. Não sei explicar como aprendi a costurar. Só sei que amo muito isso e nunca mais quero parar!

De onde vem a inspiração?
Minha inspiração vem de minha filhinha em primeiro lugar, que é uma benção em minha vida, tudo começou por causa dela. Agora tenho uma netinha linda que também é uma inspiração. Tanto que coisinhas de bebê só comecei a fazer a partir do momento que soube que ela viria. E claro pesquiso bastante em revistas, na internet. Tem muitos trabalhos maravilhosos para se inspirar. Não para copiar porque sou contra isso. Mas tem artesãs maravilhosas em todo lugar.

Você encontra com facilidade os materiais? Onde encontra? São da cidade ou compra online?
Eu compro materiais aqui em Curitiba mesmo, tem lojas ótimas! Mas tecidos importados os mais lindos compro pela internet. Mas tem alguns que você só vê em fotos, mas não acha de jeito nenhum.

Como é a sua rotina?
Minha rotina não é bem uma rotina como eu gostaria que fosse. Porque tenho 3 filhos e agora uma netinha, mas só tenho uma regra que eu sigo sempre: “No mínimo uma peça por dia”. Chova ou faça sol, tem que acontecer assim. Então dependendo do dia , eu costuro, ou de manhã, ou de tarde ou de noite. Mas o certo é ter sim um planejamento e uma rotina.

Tem alguma peça que significa ou significou mais pra você?
Tem sim, um vestidinho verde, que foi o primeiro que fiz na vida, levei 13 dias para fazer!!! Desmanchei tantas vezes, que nem sei quantas foram. Mas sou persistente em tudo que faço. Não sossego enquanto não consigo. E consegui, fiz até umas aplicações de patchcolagem e claro uns fuxiquinhos para enfeitar.

Na criação de uma peça, o que dá mais trabalho/e qual te envolve mais. Você tem preferencia
por algum passo?
O que mais me dá trabalho é o projeto, pois passo muito tempo escolhendo os tecidos, e isso eu acho fundamental no resultado do trabalho. E quando é um trabalho com aplicações então, levo muito tempo montando elas, porque gosto de fazer tudo sobreposto, e cada coisinha recortada em separado. E lógico tem que ficar perfeito com os tecidos que ficam por baixo.
O passo que eu mais gosto é quando faço uma bolsa ou qualquer outro trabalho em que a gente deixa aquele buraquinho no forro para desvirar e aí quando desviro, parece uma mágica! A peça ali pronta, o resultado de um trabalho ali na sua frente. É muito bom nessa hora.

Já aconteceu de não ter inspiração? O que você fez?
Já aconteceu sim, ou eu deixei para outro momento ou fico pensando na pessoa que pediu a peça, ou para quem ela vai dar, aí eu ligo e pergunto como é a pessoa, do que ela gosta, cores, etc e sigo minha intuição. Até hoje deu certo.

No processo de criação (produção) prefere ficar em silêncio, assistir ou ouvir música?
Eu prefiro o silêncio, mas aqui em casa isso é impossível, então já me acostumei a trabalhar com música ou conversando com minha companheirinha de ateliê, minha filhinha Anna que sempre tem alguma coisa para dizer ou para contar.

O que te motiva a ser crafter?
Minha motivação é o amor que eu tenho por tudo que faço, não sei como viveria se tivesse que deixar de fazer patchwork, por que é mais que um trabalho,é uma paixão.

Mensagem para quem esta começando:
Nada é impossível de se aprender. Algumas coisas são mais fáceis e outras mais difíceis, mas nada mesmo é impossível.. É preciso saber que muitas vezes será necessário desmanchar e refazer ou até recomeçar do zero. Mas o prazer de ver algo feito por você é algo que não dá para descrever. È necessário, ter paciência, persistência e amor pelo que está fazendo. Aí é só usar a imaginação que as coisas acontecem.
Atelie Maria Sica
Maria Sirlene S. Barros
Cidade: Curitiba
Onde encontrar:
(41) 33876712 ou (41) 99291188
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http://ateliemariasica.blogspot.com/
E no jornal A Notícia desta quarta-feira, confira o passo a passo dessa linda capa para carteirinha!
