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O maravilhoso mundo de Lili Hempel

28 de julho de 2010 8
O maravilhoso mundo de Lili Hempel

* escrito por Izabela Schlindwein

Lili Hempel, de 82 anos, é uma das moradoras mais ativas do Lar do Idoso Betânia. Ela não corre nem anda de bicicleta, mas se movimenta a maior parte do dia. Sentada sempre na mesma poltrona da sala de estar, não assiste à TV e raramente bate papo com os colegas do Lar. A descendente direta de alemães passa o tempo todo cuidando do seu fazer, que é tricotar casaquinhos, calças e sapatinhos de bebê, gorros e cachecóis. Ela trabalha silenciosa, de cabeça baixa e concentrada nos movimentos, apesar de não enxergá-los e ouvir muito pouco do que acontece ao redor. Para conseguir perfeição, conta os pontos apalpando-os com os dedos e pede ajuda a quem estiver do lado para identificar as cores dos novelos. Muitas vezes, perde as bolinhas de lã e fica tateando o chão até encontrar e começar tudo outra vez.

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Fiquei curiosa e perguntei se o gosto pela arte de minha amiga vinha de família. Ela puxou, puxou na memória e contou que o pai, um aventureiro que veio da Alemanha com 16 anos, tinha um grupo de teatro, e que a mãe já fazia artesanato em madeira e crochê para enfeitar armários e prateleiras.

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"Tínhamos até um abajur decorado a mão, mas os militares levaram embora", conta, lembrando da época da Segunda Guerra. "Meu pai chegou a ser preso em Joinville porque eles estavam desconfiados que ele estava enviando mensagens para a Alemanha."

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Mas a mocinha que morava no Centro, na rua 15, e estudou no Colégio Santos Anjos logo aprenderia a fazer pavio de velas e almofadas na escola. Depois, vieram os tapetes, vassouras e casaquinhos para criança. Momentos de alegria para uma vida solitária e cheia de atividades pesadas. "Nossa rotina era trabalhar muito. Sempre fui empregada doméstica ou trabalhei lavando roupas para famílias."

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Outro motivo de felicidade de Lili é lembrar do irmão Frederico, que, magrinho, foi timoneiro dos barcos em competições, ganhando medalhas e até uma condecoração do então governador de Santa Catarina Nereu Ramos.

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Nisso tudo, o grande sonho da família de voltar um dia para a Alemanha, terra natal do pai, ficou para trás. Restaram a lembrança do jeito unido de viver e o respeito.

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Quem quiser conhecer Lili, é só visitar o Lar Betânia, no bairro Bucarein. Ela estará sempre lá, sentada no mesmo lugar. Ah, além de adorar conversar em alemão, ela gosta dar voltinhas no pátio de braços dados com quem tem carinho e paciência para doar. E aí, alguém se candidata?