
Comecei na vida craft quando era criança. Minha avó me deu uma caixa de camisas cheia de retalhos, rendas e outros aviamentos, para ajudar na produção dos looks da minha "Susi". Comecei a bordar ponto cruz na faculdade, depois parti para a pintura country, até descobrir a costura, em 1996, numa produção em massa de panos de prato, que fiz com minha irmã para aumentar a graninha no final do ano. Com as vendas, comprei meu primeiro aparelho de ar condicionado, e aquele foi, sem dúvida, o natal mais geladinho no escaldante dezembro gaúcho! Já mãe da Laurinha, em 1999 ganhei uma máquina de costura no dia das mães, pois eu queria produzir bonecas de pano para a festinha de 2 anos dela.
Foi aí que tudo começou pra valer...
Você busca inspiração, onde?
Hoje em dia temos inúmeras fontes de inspiração; a internet consegue nos deixar perto de tudo o que há de mais bacana pelos quatro cantos do mundo. Eu adoro investir em livros, folhear revistas importadas e nacionais, e acho que sempre dá pra garimpar alguma ideia bacana e agregar no meu trabalho, seja em termos de modelagem, tons ou matéria prima. Curto olhar fotos das mais diversas artes: moda, culinária, crafts em geral, criações com reciclagem, e as tendências do mercado. Sou rata de revista, adoro!
Acho que o flickr também é uma ferramenta muito bacana de inspiração em busca de novidades e ideias. Foi através dele que criei minha primeira rede de contatos nesse mundo da arte, com outras crafteiras de lugares variados.

Como é a sua rotina?
Levanto as sete, corro uns 40 minutos e volto para casa pra tomar chimarrão. Lá pelas 9:00hs abro a loja: abro tudo, varro, tiro pó, faço outro mate e sento pra responder os e-mails. Daí em diante não consigo ter muita rotina, pois tento passar o máximo tempo possível na loja, mas não é sempre que consigo produzir. Atendo as clientes, recebo amigas que chegam de longe, ou que passam para dar um oi. Quando fico dias sem produzir algo em série começo a ficar tensa, faz falta mesmo! O trabalho segue até as 19h30m, meu limite, pois aí é hora de ficar com as crianças e ir pra casa. Quando dá, faço algumas coisinhas “de mão” na frente da TV, mas tenho evitado, pra ficar livre quando estou com a família.
Qual peça significa/significou mais pra você?
Sem dúvida algumas frutas. Peguei o molde da maçã numa revista japonesa, e a partir dela fui tentando fazer outras frutas. A mais difícil foi, sem dúvida, a abóbora, e precisei de muita paciência pra fazer e refazer vários pilotos, até chegar numa modelagem bacana. Um dia tomei coragem, fotografei as frutas (as primeiras, eram bem diferentes) e mandei pro editorial da extinta revista Faça&Venda, quando fui chamada para uma matéria em São Paulo, em final de 2006. Trabalhava com a advocacia e foi difícil viajar naquela época, mas não tenho dúvida que foi um dos sacrifícios mais oportunos para o meu futuro! Aquela foi a primeira oportunidade que tive de mostrar minha arte.

No processo de criação de uma peça, qual a parte que mais dá trabalho, e qual a parte que mais te envolve, o que prefere?
Difícil detalhar! Adoro pensar... penso à noite, penso no trânsito, penso na sala de espera enquanto bisbilhoto revistas (que sempre carrego na bolsa). Para pensar em alguma peça nova, vou olhando tecidos, cores, se não gosto ou não me convenço deixo pra depois. Faço um piloto, sempre, pra ver se dará certo! Aí é hora de costurar, picotar, virar, fazer os detalhes! Essa é a parte que mais gosto, os detalhes finais. Adoro dar vida à peça e acho que são os “finalmentes” que mais importam!
Há peças que não faço sozinha (nem tenho condições, afinal o dia tem horário limitado). Então corto as peças, e tenho 3 pessoas que me auxiliam na costura. Mas os detalhes são sempre feitos por mim, faço questão, e penso que eles têm de ter meu toque, sou chata nisso!
Já teve algum dia, em que não teve inspiração? O que você fez?
Vários!!!!!! Quando a inspiração não vem, é sinal de que algo na vida não está bem! Eu deixo tudo de lado, paro a tentativa naquele momento, e peço a peça noutro dia, prá começar do zero. Tenho a mania de não usar uma peça piloto para tantar fazê-la dar certo, recomeço outra “do zero”.

Quando está desenvolvendo uma peça, você costuma assistir tv, ouvir música ou prefere o silêncio?
Costumo dizer que “adoro ouvir o silêncio!”. Gosto de música, é claro, e de TV, desde que esteja num programinha calmo e bom. Mas me concentro no silêncio, a cabeça voa e o pensamento viaja.
O que te motiva a ser crafter?
Os e-mails, depoimentos e histórias que chegam até mim, de outras crafters que se inspiram no meu trabalho para desenvolverem os seus! E, sobretudo, encontrei no craft uma coisa que até então desconhecia, não sinto que trabalho, sinto que vivo bem fazendo o que gosto muito!

Como surgiu a loja Lu Gastal?
A loja surgiu quando cheguei em Porto Alegre. Depois de 14 anos trabalhando com a advocacia, cheguei numa cidade onde conhecia poucas pessoas (embora seja gaúcha, nunca havia morado aqui), e comecei a enviar curriculuns para algumas vagas na área. Mas acho que a idade atrapalha e a empregabilidade reduz, temos jovens super qualificados com tempo 100% livre dispostos a entrar no mercado a um preço menor do que eu pretendia; foi aí que meu marido perguntou o que eu estava esperando para abrir meu negócio. Foi a “sacudida” que eu precisava. Já vinha “treinando” a vida de empreendedora há alguns anos; participava de bazares, grandes eventos de patchwork nacionais, mas sempre em nível de ateliê.
Saí a procurar um imóvel legal, e quando achei aquele imóvel (onde hoje é a loja), foi amor à primeira vista. Embora soubesse que havia muito trabalho para transformar aquele lugar em aconchegante, estava muito motivada. Aluguei a casa, comecei a burocracia de abrir empresa, sem saber ainda que tipo de loja seria; não conseguia visualizar o negócio, apenas visualizava o balcão do meu avô na entrada da casa!
No decorrer da reforma, fui a SP, e caminhei muito, olhando o que o mercado estava oferecendo por lá. Passei pelas mais diversas lojas, de diferentes estilos, e fui desenhando a loja LuGastal. Nesse tempo, minha avó adoeceu; fiquei com ela os últimos e preciosos momentos, e quando voltei pra casa era hora de finalizar meu projeto. Foi assim que tudo começou! Meu marido falou pra eu estipular um dia X para a inauguração, e escolhi o aniversário da minha mãe, para fazer um agrado depois da perda da vó. E aí foi um trabalho sem fim! Até agora não sei como inaugurei a loja no dia 9 de junho, havia tanto pra ser feito, mas tive ajuda de muitas pessoas bacanas e tudo deu super certo!

Dica para iniciante
Ânimo, amor, esforço e determinação pra fazer o que quiser, porque todo resultado é decorrência dessa equação!
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Nome: Luciana Gastal
Marca: Lu Gastal
Cidade: Porto Alegre / RS
Onde encontrar: http://www.lugastal.com.br/
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Na edição impressa do jornal A Notícia desta quarta, a Luciana nos ensina a fazer essas lindas frases para decorar!
