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Entrevista Cris Corrêa

20 de abril de 2011 6

Acredito que comecei já na infância, mesmo que de início não sabia muito bem o que eu queria e nem como expressar minhas idéias. Na adolescência, passei a customizar meu material escolar, criar cartões, adesivos, customizar utensílios, roupas, de tanto inventar criei muitas coisas diferentes e por isso recebi bastante incentivo para explorar minha criatividade. Com 18 anos comecei a me dedicar a aprender pintura em tecido, logo depois me dediquei a pintura a óleo, spray e então não parei mais de aprender novas maneiras de expressar minha arte. Aos 22 anos tirei certificado de artesã, trabalhei com trançado em taboa, confecção de bijuteria e modelagem em porcelana fria. Em 2009 me formei em Pedagogia e desenvolvi um projeto que tem como objetivo falar sobre cidadania através do teatro de bonecos, por necessidade me arrisquei na fabricação e customização de fantoches. Paralelamente a isso, comecei a costurar, mesmo sem jeito insisti em aprender, minha mãe me ajudou muito. Posso dizer que pela graça de Deus e pra minha surpresa me sai bem, tanto na costura manual quanto à máquina. Essa nova habilidade me levou para o mundo Toy Art (brinquedo arte), me apaixonei, então comecei a criar “monstrinhos”. O primeiro toy que fiz foi rejeitado pela maioria por ser ‘’macabrinho’’ demais, e a expressão ao vê-lo foi unânime: “Maenga!”. Que na minha região é usada como interjeição de pena/dó. Meus toys começaram feios? Talvez, acredito que a beleza depende do ponto de vista, mas confesso que com o tempo me aperfeiçoei na costura, e os deixei mais coloridinhos e cheio de detalhes, logo vieram os acessórios divertidos, kit para bebês, etc, então a “fofura” ficou mais presente no meu trabalho. Hoje embora a expressão ao vê-los tenha mudado, pra ser justa com toda minha criação resolvi dar a eles este nome: Maenga ou Maenga Toys(como alguns conhecem) que hoje identifica todo meu trabalho.

Você busca inspiração, onde?
Em tudo, tanto na minha própria imaginação, por mais excêntrica que seja como na natureza, nas historias que ouço, nas pessoas, no estilo que as diferencia, no mundo da imaginação no real, na simplicidade da vida assim como na complexidade dela. Em tudo que é vivo ou inanimado acabo buscando alguma inspiração. Também observo muito outras artesãs, reconheço a criatividade onde há, e pesquiso bastante desde um programa de TV, a uma revista, blog, site, vovós, tias rs. Tudo que me traga novas maneiras de expressar minha arte se torna fonte de inspiração pra mim.


E os materiais, você encontra onde?

Na minha região (Vale do Ribeira), interior de São Paulo, é bem complicado de encontrar diversidade de tecidos ou acessórios de costura que encham os olhos, mas eu fuço bastante as estantes dos armarinhos da minha cidade e região e sempre encontro coisas bacanas. Não tenho um lugar específico, mas os armarinhos acabam suprindo minha necessidade.


Como é a sua rotina?
Bom, eu não diria que tenho uma rotina, pra que meu trabalho flua e principalmente para que eu o realize com prazer e carinho eu não traço uma rotina, se assim o fizesse minha criatividade travaria. Não costumo costurar em um horário certo, quando estou motivada a fazer isso durante a tarde então me dedico a fazer, mas confesso que o horário que mais gosto é na parte da noite. Sou meio notívaga, minhas melhores idéias e motivação surgem no período noturno, então às vezes passo a madrugada trabalhando, até mesmo porque se tenho uma idéia e não a concretizo não consigo nem dormir rs. Trabalho com prazos dentro das minhas possibilidades, e me organizo para cumpri-los antecipadamente, até agora tudo tem funcionado assim, além dos clientes eu também me sinto muito satisfeita. Acredito que a satisfação mútua deve ser o foco, se ela estiver presente o trabalho flui independente de como você se organiza pra que ele aconteça.


Qual peça significa/significou mais pra você?
Cada peça que crio tem um significado específico, é como se parte de mim estivesse em cada uma delas independente do tamanho ou grau de dificuldade. Fica difícil escolher apenas uma, mas a Toy Penny, embora eu só tenha desenhado e recortado pra que minha mãe costurasse na máquina, carrega toda a historia da Maenga (minha marca), pois foi uma das primeiras peças que desenhei e vi concretizada nos panos. Cada vez que a olho toda uma historia se passa na minha cabeça. Na minha página do Flickr tem uma foto dela, faço questão de deixá-la a vista de todos, não pela beleza, mas pelo que representa.

No processo de criação de uma peça, qual a parte que mais dá trabalho,e qual a parte que mais te envolve, o que prefere?
Sem dúvidas a parte que mais dá trabalho é fazer o molde, talvez nem seja pelo trabalho, mas por ser chato de fazer mesmo. Eu me envolvo bastante no desenho inicial, quando se trata do design de toys ou dos kits para bebês. Mas também amo fazer os menores detalhes, atribuo isso ao meu grande defeito que é o perfeccionismo, ao mesmo tempo em que ajuda, atrapalha porque muitas vezes me prende mais do que o necessário em algum acabamento. Com acessórios, o que gosto mesmo é dá confecção, quando é um trabalho na máquina principalmente.

Já teve algum dia, em que não teve inspiração? O que você fez?
Sim, vários. Quando isso me acontece peço a Deus que derrame Sua benção e Sua graça sobre mim. Tenho aprendido a entender que pra tudo há um tempo determinado, meu período de casulo vem, mas também passa e então quando estou borboleta aproveito para voar bastante. Acredito que o importante é relaxar, nossa mente também precisa de descanso, não é bom forçar uma idéia, uma peça feita pelo desespero de criar pode ficar sem vida, sem identidade. Calma é o caminho.


Quando está desenvolvendo uma peça, você costuma assistir tv, ouvir música ou prefere o silêncio?
Depende do dia. Posso conversar, ou ver TV, ouvir música, ficar em absoluto silencio, tanto faz. Particularmente pouca coisa me incomoda quando estou desenvolvendo alguma peça. Sou bem tranqüila nesse ponto.


O que te motiva a ser crafter?
Tenho paixão pela arte de confeccionar coisas e criaturas monstruosamente fofas. O prazer em ver uma idéia minha concretizada, principalmente quando alguém se surpreende pela diferença das peças é inexplicável. A frase que mais gosto de ouvir é: “Você que fez? Que legal é bem diferente!”. Talvez o reconhecimento dessa diferença que eu procuro expressar na minha arte seja a minha maior motivação. A maioria das pessoas se acostumou com o ‘’normal’’, com o industrial, e isso na minha concepção limita a beleza, por isso o mundo precisa de crafter.

Dica para iniciante.
Não se deixe vencer pelo desanimo, relaxe se for pega pela falta de idéias, acredite, elas surgem quando você menos espera. Seja critica com você mesma e não se prenda a críticas sem fundamentos, elas só servem pra travar a criatividade que você tem. Busque se aperfeiçoar naquilo que te atrai dentro das artes, e pratique. Procure deixar sua identidade naquilo que você faz, não se prenda na idéia de que “nada se cria tudo se copia”, sempre dá pra criar. Faça do seu trabalho um momento de prazer, busque a satisfação em realizá-lo. Acredito que através disso seu trabalho ganhará força, e suas peças encontrarão seus admiradores. Beijos a todas e boa sorte.

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Nome: Cris Corrêa
Cidade: Jacupiranga – S.P
Página na web: www.flickr.com/crismacorrea
Contato: maengatoys@hotmail.com
Twitter: @_criscorrea

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Acompanhe na coluna impressa desta quarata-feira, no jornal A Notícia, o passo a passo deste fofo Toy Monstrinho.

Abaixo, o molde do monstrinho.