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o grande post dos pequenos tópicos

11 de outubro de 2010 12

#1 Tenacious D. O Filme

O leitor Marcio Vargas cobra deste blogueiro um pronunciamento sobre o filme Tenacious D. Para quem não sabe, o Jack Black, aquele ator gordinho que nasceu para fazer comédias escatológicas (levando-se em conta que comédias escatológicas têm muito pouca graça), tem uma "banda de dois caras" chamada Tenacious D. No "projeto", Black e o também gordinho Kyle Gass, guitarrista e backing vocal, fazem umas musiquinhas engraçadinhas... e eles acharam que o lance rendia um filme.

Foi assim que surgiu Tenacious D: The Pick Of Destiny, uma bomba que, por não se definir, chega ao fim sem dar conta de nenhuma das pretensões: ser um quase-musical, ser um filme sobre rock e ser uma comédia escatológica.

A história, com ares ligeiramente autobiográficos, é uma fantasia sobre como JB (Jack Black) e KG (Kyle Gass) se conheceram, formaram uma banda de fracassados e partiram em busca da "Palheta do Destino", um artefato feito com um pedaço de um dos dentes do demônio e capaz de transformar qualquer zé-ruela em um mestre do rock.

Para ser um quase-musical, faltou apenas o mais importante: boa música - tanto em quantidade quanto em qualidade. Quero dizer, Black e Gass até se esforçam, mas suas músicas não são lá grande coisa, pelo menos as (poucas) usadas no filme. A única peça que se salva é a cantada no duelo final contra o Demônio (sim isto É um spoiler):

*** Para ver e ouvir, clique aqui, pois o player do Youtube está nos sabotando e se recusa a funcionar neste blogue.***

Para ser um filme sobre rock, faltaram referências ao submundo roqueiro, citações de grandes clássicos do rock e aparições de grandes ídolos. Bem, o mestre Ronnie James Dio (RIP) até aparece no início, mas isso não é o bastante para que digamos "Nossa, que baita filme!". A historinha de que a Palheta do Destino influenciou a carreira de grandes compositores até renderia um roteiro interessante, se fosse melhor explorada. Ms ela se perde no ralo das piadas rasteiras e da busca pela auto-afirmação de dois losers.

E o filme também não serve para comédia escatológica da gema, porque o espaço para as piadas nojentas é diminuído pelas mal sucedidas tentativas de se fazer um filme sobre rock. Quanto à qualidade das piadas, elas atendem o principal pré-requisito de uma comédia escatológica digna do nome: são sem graça.

Resumo da ópera: quer ver Jack Black num filme-musical-roqueiro um pouco (mas só um pouco) mais engraçado? Assista a Escola de Rock.

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#2 Black Country Communion

O leitor Ronaldo pergunta o que acho do Black Country Communion, nova banda de (pausa para reverência) Glenn Hughes. Bem, Ronaldo, devo admitir que eu não conhecia o projeto. Corri atrás de informações e das músicas... e gostei do que ouvi.

O principal motivo para se gostar de BCC, é claro, é o mestre Hughes. A simples presença do lendário baixista/vocalista, dono de uma voz poderosa mesmo depois de décadas gritando nos microfones da vida, sem contar o ímpeto e o carisma, já é uma boa justificativa para ir ao show. Além do monstro sagrado, completam a formação o bom guitarrista Joe Bonamassa, o baterista Jason Bonham e um cara lá no teclado.

Sobre Jason Bonham: sempre tenho uma ligeira desconfiança em relação a esse cara, como se o fato de ele ser filho do melhor baterista de todos os tempos me deixasse com a impressão de que ele está me devendo aquele algo mais. Deve ser coisa da minha cabeça...

Para ouvir Black Country Communion e tirar suas próprias conclusões, clique aqui.

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#3 Paul, John e o seu beatle favorito

É, Paul McCartney vem mesmo a Porto Alegre. Show histórico, imperdível. Mas todos vão perder, com exceção dos poucos sortudos que conseguiram ingresso. Uma pena que a Província só receba os monstros sagrados quando eles estão no final da carreira. Uma pena, mesmo.

A vinda do gênio inglês ao Brasil e o aniversário de 70 anos de John Lennon levaram muita gente a se manifestar sobre Beatles nas redes sociais nos últimos dias.

Um dos tópicos mais recorrentes era sobre "o meu beatle favorito". Pelo que vi, a maioria dos meus contatos considera Paul o melhor dos beatles. O meu preferido sempre foi o John. Mas isso, é claro, é questão de gosto. Uns preferem o Paul, outros preferem o John e uns poucos (geralmente guitarristas-wannabe) dizem preferir o George. Quanto ao Ringo, bem, até os pais dele preferiam os outros caras.

Family Guy resume bem a questão (clique aqui para ver, mas agora, antes que o vídeo seja tirado do ar por violação de copyright... executivos são rápidos no gatilho).

O que me deixou deveras surpreendido foi a resistência de algumas pessoas ao John Lennon. Talvez por ele ter se enrabichado pela Yoko e ajudado a acabar com a banda, talvez pelo que ele fez depois dos Beatles, talvez por ele ser o queridinho. Pô, pode-se não gostar do cara por razões extramusicais, mas não dá pra negar suas qualidades artísticas e nem a sua importância no contexto dos Beatles.

Li, estarrecido, várias pessoas dizendo que John é o seu quarto beatle favorito. Como assim, carapálida? Como bem disse meu amigo Demétrio, "quem acha que o John é o quarto melhor beatle não gosta de Beatles".

Às vezes, gosto se discute, sim.

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40 anos e um dia sem Jimi Hendrix

19 de setembro de 2010 6

Em 18 de setembro de 1970, há 40 anos e um dia, morria o guitarrista Jimi Hendrix. Ele tinha 27 anos. O cara que podemos definir como "o pai do hard rock setentista" morreu antes de ver o filho crescer e se desenvolver.

É um lugar comum colocar Hendrix em primeiro lugar em qualquer lista de melhores guitarristas, mas, como é característica comum de todos os clichês, muita gente o faz sem saber direito o porquê.

Um desavisado que ouvisse uma música de Jimi Hendrix poderia perguntar: "Todo mundo faz isso. O que esse som tem de tão incrível?". A resposta a essa pergunta seria: "Ninguém fazia isso antes dele". Hendrix praticamente inventou o jeito roqueiro de se tocar guitarra. Ele pode não ser o Adão dos guitarristas de rock, mas é o seu Moisés, definitivamente.

Ouça e concorde:

"Stone Free" by Jimi Hendrix

Found at skreemr.org

Esse gênio autodidata, que além de grande instrumentista era um ótimo cantor, ficou conhecido ao lado do baixista Noel Redding e do baita baterista Mitch Mitchell, com quem formava o power trio Jimi Hendix Experience. O grupo despontou na Europa, na segunda metade dos anos 60, e marcou a transição da psicodelia e do lance de paz e amor típico dessa década para o peso e a loucura dos anos 70.

A sonoridade marcante da guitarra de Hendrix inspirou todos os seus sucessores. Ele é uma das poucas unanimidades da história do rock. Este blogue presta ao mestre a justa homenagem.

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Beatles por Whitesnake

16 de setembro de 2010 2

Enquanto alguns debatem a possível vinda de Paul McCartney à Província, este blogueiro zapeia pelos canais internéticos e se depara com um vídeo do Whitesnake em que a banda de David Coverdale toca um cover slow hard rock do clássico Day Tripper, dos Beatles. O resultado é uma versão interessante da canção dos Fab Four.

Aliás, já foi postada neste espaço a versão estabalhafatuciente (sic) de Jimi Hendrix para a mesma música. Para ouvir de novo, clique aqui.

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Música em trânsito

15 de setembro de 2010 1

A jornada e a travessia são temas constantes nas músicas de rock. Este esquema, que encontrei no fukung.net (site de imagens aleatórias), explica aos viajantes incautos como chegar a alguns dos destinos mais famosos do rock, segundo as letras de alguns clássicos do gênero.

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(os) cinco grandes baixistas do rock

08 de setembro de 2010 16

Se ouvisse Rush, minha mãe saberia o que faz um baixista | Foto: Júlio Cordeiro

Minha mãe ainda não entendeu direito para que serve o baixo em uma banda.

Eu capricho na explicação, com entusiasmadas exibições de air guitar e air bass guitar. Mostro que a guitarra faz guéun guéun guéun enquanto o baixo faz dum dum dum, e ela murmura "Ah...".

Mas, se mostro  um vídeo em que Ritchie Blackmore e Roger Glover aparecem no mesmo palco, ela continua sem saber quem é o baixista e quem é o guitarrista.

Cê vê só... É dura a vida de baixista, esse profissional tão desvalorizado.

A culpa, é claro, é dos próprios caras que tocam baixo. Se o baixista estiver no meio de dez guitarristas e ficar tocando as mesmas notas, é claro que o seu trabalho vai passar despercebido. É o caso do AC/DC, por exemplo. Alguém aí pode me dizer se a banda tem baixista? O desempenho do cara é tão pífio que, se ele sair pra tirar a água do joelho no meio de um show, os fãs sequer perceberão.

Isso nos leva ao critério que uso para identificar os bons baixistas: se você consegue ouvir o baixo, o cara é bom.

Bons baixistas não se limitam a marcar o tempo ou "engordar" o som da banda. Eles contribuem criativamente para a complexidade da música produzida pelo coletivo. Sabem explorar os contratempos, buscam se diferenciar do caminho trilhado pelos outros músicos do grupo.

Cito, abaixo, os meus cinco baixistas preferidos. Como toda lista, esta parte de critérios mais subjetivos que objetivos. Ao contrário do que bradam os fãs mais empedernidos de rock progressivo, a música não é uma ciência exata. Mas a caixa de comentários está à disposição para discutirmos esses e outros nomes.

< clique nos títulos das músicas para ouvi-las >

Geddy Lee - o baixista/vocalista/tecladista do Rush é hors concours em qualquer lista. Seu estilo de tocar é único. A impressão que temos é a de que o cara fica solando o tempo inteiro. E pior: ele consegue fazer isso ao mesmo tempo em que canta E toca teclado. Veja o mestre em ação em YYZ e Marathon.

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Geezer Butler - Uma das razões da fodasticidade do Black Sabbath é o seu baixista. Em meio à guitarreira infernal produzida por Tony Iommi, o fabuloso Butler consegue se fazer notar e demarcar território. Exempli gratia: Evil Woman, Wishing Well.

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Flea - A sonoridade do Red Hot Chili Peppers (principalmente a dos primeiros anos de carreira, antes de os caras descobrirem que baladinhas a la MTV dão muito dinheiro) é um turbilhão furioso - e o som do baixo do Pulga tem tudo a ver com o nome de guerra do baixista: parece saltitar em ritmo frenético. Ouça Taste The Pain e Stone Cold Bush e concorde.

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Glenn Hughes - Glenn Hughes era um baixista que sabia se impor. Não apenas tocando baixo, mas cantando e ditando os novos rumos de uma das maiores bandas do mundo, o Deep Purple. O cara entrou na vaga deixada pelo também excelente Roger Glover e deu uma nova cara ao grupo. Ouça You Can Do It Right e perceba como o seu estilo de tocar, mais puxado para o black/soul, apimentou a sonoridade do Purple. E, na versão ao vivo de You Fool No One do disco Made In Europe, ele passa de todos os limites. Como disse o meu amigo André Ribeiro, "a partir dos 5:42 de música, Hughes atinge a essência do baixo". Amém!

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John Deacon - Numa banda de pavões, o baixista do Queen era o tipo caladão, discreto. Mas dava conta da sua parte com muita competência. Seu estilo é elegante, pulsante. Em algumas músicas, como Another One Bites The Dust, a base é toda de Deacon, deixando o terreno livre para o (grande) guitarrista Brian May acrescentar seus comentários sem compromisso... Ouça, então, The Invisible Man e veja como o baixo de Deacon podia ser uma locomotiva.

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Entendeu agora, mãe?

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E eu deixei de citar grandes monstros sagrados, como Steve Harris, John Paul Jones, John Myung, John Entwistle, Cliff Burton... Poderíamos fazer listas só com os que ficaram de fora.

E os seus baixistas preferidos, leitor, quais são?

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BAITA guitarrista

05 de setembro de 2010 4

Qual é a melhor opção para um menino "com jeito" para a música?

a) Estrelar uma série musical no Disney Channel

b) Ser o Justin Bieber

c) Excursionar pela Europa apresentado os dons e ser chamado de Amadeus

d) Subir no palco com o Ozzy Osbourne e arrebentar tocando guitarra em uma das melhores músicas do Senhor das Trevas.

O infante Yuto Miyazawa, um japonesinho de apenas 10 anos, matou a pau em Crazy Train neste show na Califórnia . A canção, aliás, já tinha sido postada neste blogue, mas tocada pelo Meeeeestre Randy Rhoads (para rever, clique aqui).

Vejam só: o guri é quase menor que a Flying V que traz a tiracolo.

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All that we can do is just survive...

10 de agosto de 2010 9

Não consigo ouvir o álbum Grace Under Pressure, do Rush, sem criar na minha cabeça um cenário pós-apocalíptico. O disco foi lançado em 1984, um ano carregado de significado, em que não vivíamos na Oceania orwelliana mas o temor de uma guerra nuclear entre americanos e soviéticos era uma poderosa pressão psicológica que inspirava cineastas, escritores e músicos.

Um ano antes, o filme O Dia Seguinte tinha acabado com o que restava de ingenuidade quanto às consequências de uma (na época, muito provável) guerra atômica.

Em Grace Under Pressure, o tema do holocausto nuclear foi tocado diretamente em Distant Early Warning, a faixa de abertura, e sugerido em outras canções do álbum.

Uma delas é Red Sector A, a minha preferida deste disco. A magnífica letra de Neil Peart (para ler, clique aqui), profética, fala de pessoas lutando para sobreviver em um campo de concentração, em tempo e lugar indeterminados. A obra não se baseia no futuro pós-apocalíptico da hecatombe nuclear, mas no passado não menos terrível do Holocausto nazista - mostrando que a possível tragédia do extermínio global não é nada mais que o prolongamento da tragédia que começa quando a vida deixa de ser preservada em qualquer nível.

Hoje, procurando por um clipe da música na internet, encontrei o vídeo abaixo, feito com trechos de um dos episódios (será o último? não lembro mais) de Band Of Brothers, em que os rapazes da Companhia Easy se deparam com um campo de concentração no coração do já decapitado Império Nazista.

Se antes eu sempre imaginava um cenário futurista para ilustrar a canção, hoje devo admitir que as imagens de época caíram como uma luva. É de arrepiar.

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Homenagem tardia a The Edge

09 de agosto de 2010 6

Ontem, foi o aniversário do senhor David Howell Evans, um londrino que entrou para a história como The Edge, o guitarrista de uma banda irlandesa chamada U2.

Para homenagear o rapaz, posto uma canção daquela que eu sempre defino como a melhor banda da história da Irlanda, porque a) é verdade e b) eu gosto de irritar a @cler.

Com vocês a melhor das bandas irlandesas, Thin Lizzy:

Thin Lizzy - Bad Reputation

Found at skreemr.org

E um parabéns tardio ao The Edge.

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O dia em que o Queen tocou em Urubici-SC

04 de agosto de 2010 6

Veja o vídeo abaixo, leitor. Estarão os caras do Queen tocando em Urubici-SC, cidade que ficou nacionalmente famosa nesta quarta-feira por causa de uma (tá, vamos dizer assim) nevasca?

Não, não é, mas bem que poderia ser. O município teve neve de verdade hoje, assim como vários outros pontos das serras gaúcha e catarinense.

Num dia desses, nada melhor que ir pra um parque tocar rock n'roll, não é?

NOT.

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O rock classudo do Queen

02 de agosto de 2010 10

Minhas memórias de infância têm forte cunho "televisivo". Muitas das lembranças mais vívidas que tenho da década de 80 e do começo dos anos 90 estão mescladas com programas de TV ou trechos de telejornais.

Lembro, com bastante clareza, do ano de 1991. Eu tinha nove anos.

Daquele ano, as primeiras lembranças que me vêm à cabeça são do Jornal Nacional. Por alguns dias, no começo de 91, o telejornal seguia, diariamente, o mesmo roteiro:

- Notícias da Guerra do Golfo

- Agora vamos ao vivo ao Maracanã, onde acontece o Rock In Rio 2

- Agora, mais notícias do Golfo

_ Voltamos ao vivo ao Rock In Rio

- E vamos de novo ao Golfo

- E voltamos ao Rock In Rio

Juro que era assim! A invasão do Iraque por uma coalizão liderada pelos EUA dividia os blocos do programa - e a minha atenção - com o festival de  pop rock realizado no Maracanã. Até hoje, não consigo pensar no Rock In Rio 2 sem lembrar  do New Kids On The Block de jipes Humvee cruzando dunas e aviões A-10 dando rasantes e cidadãos isralenses lacrando suas casas e comprando máscaras contra gás por medo dos mísseis Scud que o Iraque lançava e que poderiam conter armas químicas.

O Queen, que está no título deste post, não tocou no Rock In Rio 2. Mas tocou no ROCK In Rio de verdade, o de 1985. Por que, então, comecei o texto com uma referência ao ano de 1991?

Porque naquele ano houve outro grande acontecimento que chamou a minha atenção e só ficou gravado tão profundamente nas minha memória por causa da TV. Freddie Mercury, vocalista do Queen, morreu em decorrência da aids e, pouco depois, o Fantástico exibiu este videoclipe:



A canção, que tinha o sugestivo título "O show tem que continuar", foi, durante anos, a minha música preferida. O clipe, cuidadosamente montado com trechos de outros vídeos da banda, foi uma bela homenagem à vida e obra de um dos maiores cantores do rock.

Freddie Mercury era o cara. Dono de uma voz belíssima, ele também tinha uma técnica impecável. Ouça The Show Must Go On com cuidado e entenda a magnitude da estrela que se apagou em 1991.

Mas o Queen não era uma banda-de-um-homem-só. Longe disso. O grupo era um todo orgânico e coeso, em que cada integrante contribuía de maneira decisiva para a qualidade da música produzida. Eu, que era uma criança em 91, só fui descobrir isso mais tarde, quando conheci melhor a obra daqueles ingleses talentosos.

Além do virtuosismo de Mercury, a excelência da banda se deve ao guitarrista Brian May, ao baterista Roger Taylor e ao baixista John Deacon. Cada um deles é um especialista em seu próprio instrumento, com um adicional: todos eles também cantam, e essa habilidade era usada para produzir belíssimos acordes vocais, o que acabou se tornando uma das marcas registradas da banda.

O Queen soube, como poucas bandas souberam, ser uma ponte entre o rock e o pop. Suas músicas, sempre elegantes, eram apreciadas por um público muito amplo e conseguiam ser pop sem perder a energia e o espírito do rock.

Criativos e ecléticos, os caras compunham canções "com vocação para hino" (como We Will Rock You, We Are The Champions, Friends Will Be Friends), flertes com a música clássica (Bohemian Rhapsody, Who Wants To Live Forever), baladas poderosas (Love Of My Life, Spread Your Wings), odes ao pop (A Kind Of Magic, Somebody To Love) ou porradas roqueiras:

Queen - Dead On Time

Found at skreemr.org

Em comum em todas essas músicas (você, como bom usuário de internet, sabe que é só clicar nos títulos destacados em vermelho para ouvi-las, não é?), percebemos a classe, o bom gosto, o apuro técnico, mas principalmente o feeling de músicos fora de série, que formaram uma das mais importantes bandas de todos os tempos.

Tudo isso está expresso tanto na música quanto no vídeo de The Sow Must Go On,  e foi isso que chamou a atenção daquele menino de nove anos em 1991.

O problema, como todos  (incluindo  May, Taylor e Deacon) perceberam desde sempre, é que não há como continuar o show sem Freddie Mercury. Eles bem que tentaram, chamando um cara chamado Paul Rodgers para assumir os vocais. Mas não dá. Para os fãs, o Queen digno do nome sobrevive apenas na memória, como um velho programa de TV que saiu do ar mas que não conseguimos esquecer.

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