#1 Tenacious D. O Filme
O leitor Marcio Vargas cobra deste blogueiro um pronunciamento sobre o filme Tenacious D. Para quem não sabe, o Jack Black, aquele ator gordinho que nasceu para fazer comédias escatológicas (levando-se em conta que comédias escatológicas têm muito pouca graça), tem uma "banda de dois caras" chamada Tenacious D. No "projeto", Black e o também gordinho Kyle Gass, guitarrista e backing vocal, fazem umas musiquinhas engraçadinhas... e eles acharam que o lance rendia um filme.
Foi assim que surgiu Tenacious D: The Pick Of Destiny, uma bomba que, por não se definir, chega ao fim sem dar conta de nenhuma das pretensões: ser um quase-musical, ser um filme sobre rock e ser uma comédia escatológica.
A história, com ares ligeiramente autobiográficos, é uma fantasia sobre como JB (Jack Black) e KG (Kyle Gass) se conheceram, formaram uma banda de fracassados e partiram em busca da "Palheta do Destino", um artefato feito com um pedaço de um dos dentes do demônio e capaz de transformar qualquer zé-ruela em um mestre do rock.
Para ser um quase-musical, faltou apenas o mais importante: boa música - tanto em quantidade quanto em qualidade. Quero dizer, Black e Gass até se esforçam, mas suas músicas não são lá grande coisa, pelo menos as (poucas) usadas no filme. A única peça que se salva é a cantada no duelo final contra o Demônio (sim isto É um spoiler):
*** Para ver e ouvir, clique aqui, pois o player do Youtube está nos sabotando e se recusa a funcionar neste blogue.***
Para ser um filme sobre rock, faltaram referências ao submundo roqueiro, citações de grandes clássicos do rock e aparições de grandes ídolos. Bem, o mestre Ronnie James Dio (RIP) até aparece no início, mas isso não é o bastante para que digamos "Nossa, que baita filme!". A historinha de que a Palheta do Destino influenciou a carreira de grandes compositores até renderia um roteiro interessante, se fosse melhor explorada. Ms ela se perde no ralo das piadas rasteiras e da busca pela auto-afirmação de dois losers.
E o filme também não serve para comédia escatológica da gema, porque o espaço para as piadas nojentas é diminuído pelas mal sucedidas tentativas de se fazer um filme sobre rock. Quanto à qualidade das piadas, elas atendem o principal pré-requisito de uma comédia escatológica digna do nome: são sem graça.
Resumo da ópera: quer ver Jack Black num filme-musical-roqueiro um pouco (mas só um pouco) mais engraçado? Assista a Escola de Rock.
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#2 Black Country Communion
O leitor Ronaldo pergunta o que acho do Black Country Communion, nova banda de (pausa para reverência) Glenn Hughes. Bem, Ronaldo, devo admitir que eu não conhecia o projeto. Corri atrás de informações e das músicas... e gostei do que ouvi.
O principal motivo para se gostar de BCC, é claro, é o mestre Hughes. A simples presença do lendário baixista/vocalista, dono de uma voz poderosa mesmo depois de décadas gritando nos microfones da vida, sem contar o ímpeto e o carisma, já é uma boa justificativa para ir ao show. Além do monstro sagrado, completam a formação o bom guitarrista Joe Bonamassa, o baterista Jason Bonham e um cara lá no teclado.
Sobre Jason Bonham: sempre tenho uma ligeira desconfiança em relação a esse cara, como se o fato de ele ser filho do melhor baterista de todos os tempos me deixasse com a impressão de que ele está me devendo aquele algo mais. Deve ser coisa da minha cabeça...
Para ouvir Black Country Communion e tirar suas próprias conclusões, clique aqui.
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#3 Paul, John e o seu beatle favorito
É, Paul McCartney vem mesmo a Porto Alegre. Show histórico, imperdível. Mas todos vão perder, com exceção dos poucos sortudos que conseguiram ingresso. Uma pena que a Província só receba os monstros sagrados quando eles estão no final da carreira. Uma pena, mesmo.
A vinda do gênio inglês ao Brasil e o aniversário de 70 anos de John Lennon levaram muita gente a se manifestar sobre Beatles nas redes sociais nos últimos dias.
Um dos tópicos mais recorrentes era sobre "o meu beatle favorito". Pelo que vi, a maioria dos meus contatos considera Paul o melhor dos beatles. O meu preferido sempre foi o John. Mas isso, é claro, é questão de gosto. Uns preferem o Paul, outros preferem o John e uns poucos (geralmente guitarristas-wannabe) dizem preferir o George. Quanto ao Ringo, bem, até os pais dele preferiam os outros caras.
Family Guy resume bem a questão (clique aqui para ver, mas agora, antes que o vídeo seja tirado do ar por violação de copyright... executivos são rápidos no gatilho).
O que me deixou deveras surpreendido foi a resistência de algumas pessoas ao John Lennon. Talvez por ele ter se enrabichado pela Yoko e ajudado a acabar com a banda, talvez pelo que ele fez depois dos Beatles, talvez por ele ser o queridinho. Pô, pode-se não gostar do cara por razões extramusicais, mas não dá pra negar suas qualidades artísticas e nem a sua importância no contexto dos Beatles.
Li, estarrecido, várias pessoas dizendo que John é o seu quarto beatle favorito. Como assim, carapálida? Como bem disse meu amigo Demétrio, "quem acha que o John é o quarto melhor beatle não gosta de Beatles".
Às vezes, gosto se discute, sim.











