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29 out11:39

clicBento conversa com escritor Airton Ortiz

Jornalista, escritor, aventureiro e fotógrafo, Airton Ortiz é especialista em reportagens internacionais e sobre a natureza selvagem. Já tem mais de dez livros publicados, e ganhou prêmios importantes, como o Euclides da Cunha, concedido pela União Brasileira de Escritores, em 2003. Também foi, por duas vezes finalista dos Açorianos de Literatura. Atualmente, é colunista da revista digital www.360graus.com.br.

Nesta quinta-feira, Ortiz palestrou no 18º Congresso Nacional de Poesia, que acontece em Bento Gonçalves. Em seguida, promoveu uma seção de lançamento do seu livro mais recente, Expedições Urbanas: Havana, na livraria Maneco, no centro. Foi onde, em volta de uma mesa com vinhos e livros, ele bateu um papo com o clicRBS Bento Gonçalves. Confira os principais trechos da conversa.

clicBento: como surgiu Expedições Urbanas: Havana?

Airton Ortiz: é o primeiro dessa nova coleção, que chamo de Expedições Urbanas. Em dez livros, vou descrever em crônicas dez cidades que tenham um perfil diferenciado. Que despertem alguma curiosidade, que tenham seus mitos. Começo por Havana, a próxima é Jerusalém.

Qual a abordagem do livro?

É o fruto de uma viagem de três meses, que estão registrados em 55 crônicas, o que é uma diferença em relação aos meus livros anteriores, que tinham um formato de reportagem. Outra diferença é que fui para Havana sem conhecer praticamente nada de lá. Não houve uma pesquisa prévia, e o pouco que tentei me informar, não consegui informação. Precisei descobrir tudo já estando lá, mergulhado na realidade cubana.

A preocupação é mostrar como vivem as pessoas comuns de Havana. Tirar o foco da abordagem política e ideológica que sempre estão associadas àquela cidade. Por isso, não contei a nenhum de meus entrevistados que estava escrevendo um livro. Apresento-me apenas como um mochileiro, e isso faz com que as pessoas contem suas histórias com mais naturalidade. Claro que, no livro, os nomes são fictícios.

Um dos principais escritores cubanos da atualidade, Pedro Juán Gutierrez, é um grande cronista de Havana. Ele influencia teu livro?

Sem dúvida, tem influência direta desse autor. Mais do que falar de Havana, ele mergulha profundamente na alma humana, e o que ele escreve sobre a miséria do homem, se aplica a qualquer outra cidade, não é uma denúncia específica e local. Mas é um escritor censurado em seu próprio país, o que é uma lástima.

E como tu defines Havana?

É uma cidade de contrastes muito grandes. Coisas muito boas e coisas muito ruins. Lá, ao contrário do Brasil, todas as crianças, até os 14 anos, estão na escola. Mas no Brasil desfrutamos de uma liberdade de imprensa que eles não têm. Então o livro questiona o porquê disso ser assim. Será impossível juntar as duas coisas, tanto lá como cá?

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2 Comentários »

  • Gabriela disse:

    Tive o prazer de conhecer Havana em 2008. Cuba, em geral, é um país de muitos contrastes que, apesar de todas as dificuldades impostas por um regime, consegue ser alegre. O Sr. Airton deve ter muita história pra contar, ficando uma semana já se pode perceber como é o dia-a-dia, imagino durante 3 meses, a quantidade de informações que ele deve ter conseguido. E parabéns por conseguir informações desse povo que é muito desconfiado, por medo de possíveis represálias.

  • Eunice Pigozzo disse:

    Grande idéia a entrevista com o Ortiz! Pessoa maravilhosa e escritor que vale a pena ler!”Ah! Se todos fossem iguais a você….”grande abraço!

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