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24 jan17:04

Enoblog: Seca preocupante? Pra quem?

por Maurício Roloff, Do Enoblog

Se a estiagem provocada pelo fenômeno climático La Niña está tirando o sono dos agricultores no Sul do Estado, na Serra essa redução do volume de chuvas não traz preocupação aos vitivinicultores. Conforme levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho, entre outubro e dezembro, choveu aproximadamente 300 milímetros, cerca 70% da média esperada, de 415 mm.

Essa diminuição, entretanto, não afetou os vinhedos, garante o pesquisador em agrometeorologia José Eduardo Monteiro:

— Pode ter tido algum impacto, mas bem pequeno, em vinhedos de solos rasos, em função da dificuldade de armazenamento de água. Mas, no geral, a falta de chuva não trouxe problemas à cultura na região. Muito pelo contrário. A projeção de aumento da produção em relação à safra passada segue sendo de 15%.

Monteiro acrescenta que, de um modo geral, todas as variedades respondem da mesma forma à quantidade de chuva, pouca ou em excesso. Para as uvas precoces, como chardonnay e riesling, cuja colheita ocorre entre dezembro e janeiro, a estiagem até ajudou, assim como nas uvas intermediárias, que começam a ser colhidas em fevereiro.

As poucas chances de danos podem ocorrer se a estiagem se intensificar e ocorrer nos próximos meses, no período de formação dos cachos das variedades tardias, como a cabernet sauvignon, por exemplo, que deixarão os parreirais até o fim de março.

— O grande problema não é a seca, mas o excesso de chuva na fase de maturação, que diminui a qualidade da uva e facilita a ocorrência de doenças — aponta Monteiro.

Até na região da Campanha, onde a estiagem é mais intensa, os parreirais sofrem menos do que as demais culturas sazonais. A explicação, conforme o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, é o fato de as videiras perenes terem um sistema de raízes bem profundas, que chegam a 1,5 ou dois metros de comprimento, tendo mais condições de buscar umidade no fundo da terra.

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