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Ilha Maurício, no meio do Índico

13 de fevereiro de 2013 0

Na rota das especiarias no século XVII e centro de comunicações do século XXI

Como está chovendo aproveitei para ler mais sobre o local, e agora compartilho fatos históricos e atualidades com vocês:

A Ilha Maurício já era conhecida dos mercadores árabes desde o século X e foram os portugueses os primeiros europeus a descobrirem esta ilha desabitada em 1505, mas só no final do século XVI que os holandeses estabeleceram na costa sudeste uma base de abastecimento para sua rota à Batávia – ilhas das especiarias na atual Indonésia.

Em 1638 fundam uma colônia introduzindo o cultivo de cana, escravos da África e antílopes de Java. A ilha, chamada Maurício em homenagem ao príncipe Maurits van Nassau, não prospera e é abandonada em 1710. Os franceses chegam na costa oeste em 1715 e renomeiam como “Île de France”. O governador Mahé de Labourdonnais transforma a capital Port Louis em um porto dinâmico, constrói usinas de açúcar e estradas.

Com a crescente influência inglesa no subcontinente Indiano,  a ilha funcionou no final do século XVIII como base para corsários como Robert Surcouf, mercenários a serviço da França, em seus ataques a navios Britânicos. Durante as Guerras Napoleônicas a ilha foi tomada pelos britânicos em 1810 como parte dos planos de controlar o Oceano Índico.

Os novos governantes  restauraram seu nome anterior – Island Mauritius – mas permitiram à elite local a manter o idioma, religião e suas plantações de cana de açúcar, da qual dependia a economia, e que mesmo hoje cobre 40% deste país de apenas 2.040 km². Os descendentes desses “grand blancs”, que apesar de constituirem apenas 1% da população, dominam a economia como proprietários das usinas de açúcar, bancos e dos palácios à beira-mar e nas colinas em torno de Curepipe.

Apesar da língua oficial ser hoje o inglês, o francês continua sendo a mais falada, enquanto que o idioma doméstico da maioria da população de 1,3 milhões de habitantes é o “creole” – elemento de identificação nacional.

Com a liberação dos escravos em 1835, os ingleses trouxeram para trabalhar nas plantações meio milhão indianos (hindus e muçulmanos), cujos descendentes constituem hoje 68% da população que controlam a política do país.

Esta ilha africana ao sul da Ásia, está culturalmente e geograficamente entre os dois continentes, compondo com a maioria de indianos, 27% de mulatos, 3% de chineses, 1% de europeus e mais recentemente 1% de brancos sul-africanos. Esta formação étnica reflete na diversidade religiosa com 50% de Hindus, 30% cristãos e 20% muçulmanos. Apesar disso, existe um senso de identidade nacional por serem todos integrantes de comunidades de imigrantes, resultando em uma sociedade mais inclusiva e tolerante.

O líder da luta pela independência, obtida em 1968, Seewoosagur Ramgoolam, foi o primeiro-ministro pelos 13 anos iniciais do jovem país e reverenciado até sua morte em 1986.

Até os anos 70 a economia dependia totalmente do açúcar que constituía 90% das suas exportações e ocupava a maioria das terras cultiváveis. Sir Ramgoolam promoveu o ingresso de capital estrangeiro para desenvolver o turismo de luxo, setor financeiro  e a manufaturaria têxtil.  As grandes marcas como Ralph Lauren, Pierre Cardin e Lacoste, manufaturadas localmente, transformaram o país em um dos maiores exportadores de roupas, fazendo a economia crescer a uma taxa de 5% ao ano ao longo dos anos 80 e 90, despencando a taxa de desemprego de 42% à 6% em duas décadas.

Em 1992, o governo reivindica à Corte Internacional de Justiça, em Haia, Holanda, a posse do Arquipélago de Chagos, incluindo o atol Diego Garcia, cedido pelos ingleses aos Estados Unidos. Neste ano foi proclamada a república, deixando o país de ter a Rainha Elizabeth como soberana, mas permanecendo na “commonwealth”.

Em 1995, uma coalizão de esquerda elege primeiro-ministro Navinchandra Ramgoolam, do Partido Trabalhista de Maurício (MLP), filho do líder da independência, com a promessa de maior distribuição da riqueza gerada pela prosperidade no turismo e nas finanças.

Nos meses anteriores à volta de Hong Kong ao domínio chinês, em 1997, Maurício buscou atrair os capitais em fuga do protetorado britânico e consolidar sua posição como centro financeiro internacional.

Em 2000, a aliança oposicionista obtém maioria, mas em 2005 Navinchandra Ramgoolam retorna ao poder. Reeleito em 2010
como primeiro-ministro até as próximas eleições em 2015.

Além da agricultura, a economia do país é baseada no turismo, afetado pela crise européia, zona livre no setor de tecnologia e “call centers” graças à sua população fluente em inglês e francês, além de uma parcela dominando hindi e mandarim, para o mercado Asiático.

A ilha Maurício, um governo democrático estável com eleições livres e regulares, e direitos humanos positivos, atrai grande investimento estrangeiro, resultando entre maiores rendas per capita e Índice de Desenvolvimento Humano da África.

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