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Não há coisa mais linda que o Ribeirão da Ilha

27 de janeiro de 2015 2

Por Carol Macário

Parece que o tempo parou na Freguesia do Ribeirão da Ilha. No final da tarde a vizinhança se apinha nas janelas de suas casas tão antigas quanto o próprio bairro, observa o movimento de turistas famintos por ostras e jogam conversa fora com os amigos. É um dos núcleos mais antigos de colonização açoriana em Santa Catarina e os vestígios dessa história está na arquitetura e calmaria do lugar.

Pedalar pela região demanda um certo desapego da bike: bom mesmo é descer da magrela, empurrá-la pelas vielas, conversar com moradores apreciar os detalhes da região. Ah, claro, faça esse trajeto no final do dia. O pôr do sol no Ribeirão é um dos mais lindos da Ilha.

PAISAGEM RURAL

Florianópolis tem 675.409 km², território que combina o caos urbano do Centro da cidade, praias, morros, bairros badalados, outros históricos e ainda uma área rural. A Rodovia Aparício Ramos Cordeiro, conhecida como estrada nova para o sul da Ilha, tem uma paisagem improvável se pensar que a menos de 20 km de distância fica o burburinho de gente e de prédios. É só verde e montanha na volta. O pedal por ali é fluido, porque circulam poucos carros, é plano e o asfalto está novo. Bem poderia ter ciclovia. É ótimo para respirar ar puro e perceber que a vida em Floripa pode ser levada de muitas formas.

TAPERA

Ao final da Rod. Aparício Ramos Cordeiro, vire à esquerda na Rua José Olímpio da Silva para ir ao Ribeirão da Ilha. É um trecho da Tapera, bem com cara de bairro. Os botecos sempre cheios (achei até estacionamento de bicicleta, carro e moto exclusivo para frequentadores de um bar), criançada zanzando pela rua. Ao final, vire à direita e já estará na Rodovia Baldicero Filomento, a geral do Ribeirão.

:: ASSISTA - Trajeto com paisagem rural e a chegada no Ribeirão com o sol entre nuvens


PÔR DO SOL

Planejei o pedal até o Ribeirão da Ilha para o final da tarde, para assistir de camarote ao pôr do sol mais lindo da cidade. Mas choveu. Em vários trechos a chuva refrescou a pedalada (foi um ótimo dia para pedalar, depois de tantos pedais debaixo do sol quente). Quando estava quase chegando pensei: “bem que o céu poderia limpar só um pouquinho e o sol aparecer.” E não é que apareceu? Bem tímido, mas apareceu.

 


A VIDA PACATA DA COMUNIDADE

Neste primeiro pedal até o Ribeirão optei por parar na Freguesia do Ribeirão. É lá que fica a igreja Nossa Senhora da Lapa, de 1806, recentemente reformada, e a maior parte dos casarios antigos, que lembram como era o distrito nos séculos passados. A maioria dos restaurantes fica na freguesia. O melhor é encontrar nativos e puxar conversa.

Ivonira Julieta da Silva, 72 anos, estava na janela com a sobrinha Bernadete Vieira,54 anos, quando eu estava pedalando por ali. Ela me mostrou suas rendas de bilro e contou como era a vida no bairro.

:: ASSISTA

Mas o distrito do Ribeirão da Ilha é grande e inclui as regiões Alto Ribeirão, Barro Vermelho, Caicanguçu, Caieira da Barra do Sul, Carianos, Costeira do Ribeirão, Praia de Naufragados, Praia da Tapera e Sertão do Peri. Vai ficar para o próximo pedal por lá.


PARAÍSO DAS OSTRAS

Grande parte das ostras consumidas em todo Brasil são produzidas no Ribeirão da Ilha. A região é banhada pelas águas calmas da baía sul e logo que os portugueses e açorianos chegaram a Florianópolis, o lugar era utilizado como porto.

Hoje apresenta as condições ideais para fazendas marinhas e produção do molusco. Por ali há dezenas de restaurantes, cujos nomes são trocadilhos engraçados e curiosos.


SOBRE O TRAJETO

Meu ponto de partida quase sempre é a Lagoa da Conceição, bairro onde moro e que está localizado quase no meio da Ilha, no Leste. De lá até a Freguesia do Ribeirão foram 24,5 Km de ida e 26,6 km de volta. O trajeto não é suave para ciclistas por não ter ciclovias e, em alguns casos, não nem mesmo calçada ou acostamento. Em outros, o acostamento parece pista de rali.

Na ida optei por entrar na Rodovia Aparício Ramos Cordeiro, conhecida como estrada nova, e que corta um bom caminho pelo bairro Tapera. É bom fazer essa rota durante o dia, pois há poucos carros, é um lugar ermo e não há iluminação à noite. Pode ser perigoso. A volta passei pela Baldicero Filomeno, mas fique atento, principalmente quando passarem caminhões e ônibus.

Comentários (2)

  • Paulo Henrique Schröder diz: 28 de janeiro de 2015

    Essa região é linda. Quando morava em Floripa (Trindade), fiz várias vezes esse trajeto de bike. Adoro cicloturismo e passar o dia pedalando no Ribeirão era maravilhoso (normalmente ia até a Caieira).
    Essa matéria me fez reviver um bom tempo da minha vida.
    Hoje estou longe daí (Porto Velho – Rondônia), mas um dia eu volto (e com a bike junto).
    Parabéns pelo projeto Bike Repórter.

  • Ronald diz: 28 de janeiro de 2015

    Já estive lá. Realmente é tudo isso e mais! Um lugar bem tranquilo se visitado fora da época de festas de fim de ano. As fotos do local dizem tudo, um lugar aconchegante e ideal para se descansar. Quanto as ostras, bem amigos, compra-se de balde de tão barato que é!!! Vale a pena conhecer este belo lugar. Abraços ao amigo Marcelo e a Cínthia que me proporcionaram conhecer este lugar!

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