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O sobe e desce do oeste da Ilha de Santa Catarina

31 de janeiro de 2015 2

Por Carol Macário

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Dar a volta à Ilha de Santa Catarina é um dos fetiches de muita gente que mora ou visita Florianópolis e a vantagem de percorrer seus 424 km² de bicicleta é poder curtir cada detalhe da geografia deslumbrante de um jeito mais orgânico, incluindo a sensação de vento no rosto e as paradinhas para um banho de mar refrescante. A operadora de cicloturismo Caminhos do Sertão promove um passeio recomendadíssimo de bike que contorna a Ilha. O trajeto foi pensado para quatro dias, numa média de 50 km por dia para cada região, incluídas aí visitas a pontos históricos e pedal por localidades rurais e distantes dos lugares óbvios e apinhados de turistas.

No último domingo acompanhei parte do roteiro pelo oeste da Ilha, no terceiro dia de pedal de um pequeno grupo organizado pelo Caminhos do Sertão que já tinha passado pelo leste e norte da cidade. O trajeto incluiu os bairros Sambaqui, Santo Antônio de Lisboa, Cacupé e João Paulo, região onde a característica marcante é a combinação de história, paisagem marítima, sobe e desce de morros e urbanidade.

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Pedalei com eles por 20 km. Do bairro João Paulo, Fernando Angeoletto e Eduardo Vessoni seguiram para a Av. Beira-Mar Norte e, na sequência, Tapera e Ribeirão da Ilha, ao Sudoeste. Eu voltei pelo mesmo caminho, dessa vez parando para fazer fotos. Um temporal desejado caiu quando eu estava quase chegando, para minha alegria.

Fernando Angeoletto e Eduardo Vessoni

Fernando Angeoletto e Eduardo Vessoni

Trilhas do Sertão

Eduardo Vessoni é um jornalista de São Paulo e veio à Florianópolis cumprir o desafio de dar a volta à Ilha. Ele comentou que o trecho pelas praias do norte tinham sido os mais difíceis, principalmente em razão dos morros.

Na região de Cacupé, a corrente da bicicleta dele arrebentou duas vezes. Graças à paciência, boa vontade e habilidade do Fernando, com apoio do Gabriel, que dirigia o carro de apoio da agência durante todo o percurso, a magrela foi consertada e seguimos o caminho com tranquilidade.

Parada para consertar a bike

Parada para consertar a bike

FARINHADA EM SANTO ANTÔNIO DE LISBOA

Assim como o Ribeirão da Ilha, ao Sul, Santo Antonio de Lisboa é um capítulo à parte na história de Florianópolis e por isso dediquei uma tarde exclusiva para pedalar pelo distrito e contar histórias sobre ele e o bairro vizinho, Sambaqui. Dessa vez foi apenas o ponto de partida. Encontrei o Fernando e o Eduardo em frente à Igreja Nossa Senhora das Necessidades – eles vieram da Barra do Sambaqui. Dali seguimos em direção à Cacupé.

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Cerca de 900 m de pedal pela Estrada Caminho dos Açores está o Casarão e Engenho dos Andrade, um engenho de farinha de mandioca de 1860 pertencente à família Andrade. O casarão é patrimônio histórico da cidade e o engenho ainda funciona. Em dezembro passado, a repórter do DC Ângela Bastos contou como é a farinhada. Leia aqui.

No domingo estava fechado e uma visita pode ser agendada com os proprietários pelo fone (48) 3235-2572.

CACUPÉ

Uma das referências a Cacupé na internet descreve-o como “um bairro nobre de Florianópolis”. De fato, a as duas pontas de terra que avançam sobre a baía norte, com parte do Centro da cidade, a Ponte Hercílio Luz e o continente ao fundo, formam uma paisagem irresistível, principalmente para especulação imobiliária. Se antes era uma região ideal para pesca artesanal, hoje concentra muitos condomínios, casas e prédios de alto padrão.

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Ainda tem pescadores por ali e o passeio é cheio de subidas e descidas. Os morros não são tão altos como o morro da Lagoa, mas exigem fôlego. O passeio na área plana compensa. Há trechos com calçadão, bancos debaixo de árvores para conversar e contemplar o horizonte. E eventualmente algum pescador empolgado com a possibilidade de muito camarão.

JOÃO PAULO

O bairro João Paulo tem história e trajetória similar ao Cacupé. Antigamente era muito comum a pesca de pequeno porte no mar calmo. Era um bairro muito tradicional – o nome inclusive homenageia um antigo morador. Localiza-se bem próximo do Centro, mas infelizmente os empreendimentos e condomínios escondem a vista. A rodovia que corta o bairro, batizada com o mesmo nome, é marcada pelas curvas e sobe-e-desce. O que compensa são as árvores no meio do caminho. Encontrei muitas frutas, e o perfume delas me acompanhou durante todo o trajeto.

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Ao final, próximo ao elevado do João Paulo, é só virar à direita e a ciclovia da Beira-mar Norte fica logo em frente.

SOBRE O TRAJETO

Como na maior parte da cidade, não há ciclovias e a dica é ficar atento com os carros. Leia o post sobre como escapar da rodovia SC-401 para ver o mapa e entender o trajeto.

Distância: 19 Km
Grau de dificuldade: médio

Comentários (2)

  • Carolina de Argentina diz: 1 de fevereiro de 2015

    Achei muito legal tudo que tu comenta!!! Especialmente essa area da ilha, tem muita magia!!! Se precissar uma parceira de pedalada, pode contar comigo!!! Gosto de fotografar e tambem sou jornalista. Adoro conhecer novos lugares, paissagens, conversar com as pessoas, conhecer seus habitos, cultura, musica…. A cada pedalada uma historia diferente!

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