Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Pedalada pela história de Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui

03 de fevereiro de 2015 0

Por Carol Macário

As pedras da primeira rua calçada de Santa Catarina

As pedras da primeira rua calçada de Santa Catarina

Que tal pedalar pela primeira rua calçada de Santa Catarina? Não é suave. As pedras irregulares encaixadas aleatoriamente no chão desafiam o ciclista a não se desequilibrar, mas é uma experiência de quase-trilha. Essa rua fica em Santo Antônio de Lisboa, sede do distrito de mesmo nome no noroeste da Ilha. É uma região histórica em Florianópolis. Por ali desembarcaram muitos açorianos em 1748 para ocupar o território da Ilha de Santa Catarina.

O vestígio do passado se vê nos casarios, na igrejinha, nas festividades religiosas ainda celebradas e algumas tradições mantidas. O curioso é que apesar de a história falar por si mesma, por meio das paredes das casas e da cultura pulsante, a região está em constante renovação. É berço de tradições, mas não abre mão da contemporaneidade e isso se vê nos bares descolados, no vai e vem de turistas e moradores, no cuidado com a conservação do velho com ajuda da tecnologia do hoje.

foto 12

Por isso pedalar pela região é como pedalar no ontem e no hoje.

A IGREJINHA

A dica é começar o pedal pela Igreja Nossa Senhora das Necessidades, conhecida como Igrejinha de Santo Antônio, construída por volta de 1750. No entorno as ruas são calçadas, na frente fica a pracinha e logo mais embaixo está o mar. Não vi pontos para guardar bicicleta, uma pena, mas nesse caso sempre dá para amarrar a bike em algum poste ou árvore para poder curtir com calma.

RUA CÔNEGO SERPA

Entrando na Rua Cônego Serpa há muitos casarões históricos, bares descolados, o tradicionalíssimo Clube Avante e a Casa Açoriana Artes & Tramoias (misto de galeria de arte com loja de artesanatos, uma das joias da cidade!). Divirta-se com uma paradinha no Gambarzeira ou um café no Coisas de Maria João.

foto 15

BEIRA DO MAR

Depois da igrejinha e rua Cônego Serpa, segui pela Rua Gilson da Costa Xavier e, na volta, pedalei pela beira-mar de Santo Antônio, na Rua Quinze de Novembro. A paisagem marítima é bucólica, com barquinhos à deriva e, ao longe, o centro de Florianópolis. O visual é assim até o Sambaqui.

foto 11

Há bares e restaurantes especializados em frutos do mar e, aliás, a gastronomia é outra vocação do distrito.

foto 3

foto 2

foto 13

 

SAMBAQUI

A comunidade do Sambaqui é tradicional e unida. E tão empolgante quanto pedalar com a vista linda do lugar é o contato com os moradores. No prédio da antiga Casa da Alfândega de Florianópolis encontrei senhoras fazendo renda de bilros e relembrando histórias do passado, como a das marcas de mula nas pedras da região que ninguém até hoje soube explicar. Encostei a bike num cantinho só para ouvir as memórias.

foto 4

 

 

 

Hoje o prédio de 1854, antes ponto de controle do trânsito de navios no Norte da Ilha, sedia a Associação do Bairro de Sambaqui e é um dos poucos locais onde se pode aprender a fazer renda de bilro.

Seguindo em frente, à direita está a Ponta do Sambaqui, uma ponta de terra sobre o mar onde uma pequena trilha leva a um gramado e prainha, ótimos para piqueniques e assistir ao pôr do sol. Nos dias de verão não é um bom programa, porque tem chovido praticamente todas as tardes. Ali perto fica o Rancho do Neco, rancho de pescadores famoso por sediar um dos melhores sambas da cidade aos domingos.

 

 

foto 9

foto 7

 

Foi lá em Sambaqui que encontrei um grupo de crianças de bicicleta que “estacionaram” as magrelas numa árvore para brincar na água. Boa dica para quem não tem medo de voltar a ser criança. Veja o vídeo aqui.

SOBRE O TRAJETO

O distrito de Santo Antônio de Lisboa inclui os bairros Sambaqui, Barra do Sambaqui, Santo Antônio de Lisboa e Cacupé, todos localizados na região noroeste da Ilha. Dividi o trajeto em dois, tendo como ponto de partida a Igreja Nossa Senhora das Necessidades: para a esquerda fui até o bairro João Paulo (você lê aqui como foi), num total de 19 Km, e para esquerda até Sambaqui, entrando para a Barra do Sambaqui, num total de aproximadamente 9 Km.

 

O trecho no ponto mais ao norte do distrito é fácil, com pouquíssimas e suaves subidas. Não há ciclofaixa, mas como a rua é calçada e estreita, os carros transitam em baixa velocidade e o pedal pela área é fluido.

Envie seu Comentário