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Um cicloviajante por vocação

21 de fevereiro de 2015 1

Por Leo Munhoz

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Fábio (de amarelo) e seus hóspedes na Praia da Enseada.

- Enfrente tudo com vontade e faça.
– Mas é longe! O longe é logo ali.

Nunca fui de recusar um convite para um churrasco. Foi assim que aconteceu quando entrei em contato com o Fábio Vieira, 37 anos, morador de São Francisco do Sul, falando que gostaria de contar sua história, já demonstrando sua hospitalidade. A princípio a conversa era só sobre a sua viagem de dois mil km pelo litoral brasileiro, mas acabei descobrindo que ele também tem o costume de hospedar cicloviajantes em sua casa. E já foram mais de dez.

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Foto: Arquivo pessoal

A viagem
Fávio passou por cinco Estados em mais de 20 dias de pedal, sempre pelo litoral. Como ponto de partida, o extremo Norte do Espírito Santo, Itaúnas, e de chegada, onde mora atualmente, São Francisco do Sul. Ele conta que a escolha de sempre voltar pra casa e nunca partir dali é a motivação de encontrar a família. Estar a cada dia um pouco mais perto de casa é uma recompensa, principalmente pela saudade que sente dos familiares mas principalmente do menor da casa, o Miguel, de 3 anos.
A rota escolhida também tem uma lógica. Funciona assim: primeiro conta quantos dias tem disponível para ficar longe do trabalho, da família e das obrigações diárias. Depois calcula quantos quilômetros ele consegue pedalar nesse tempo. O próximo passo é jogar no mapa e ver as possibilidades.

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Foto: Arquivo pessoal

O maior desafio
Quando completou metade do caminho, teve uma crise emocional. “Se não tivesse a família tinha desistido.” Os problemas no últimos dias o estavam castigando mais psicologicamente que fisicamente: dois pneus furados, um deles rasgado, problemas com a marcha e a quebra do bagageiro. Ainda por cima, muito tempo pedalando na chuva. Juntando isso com a saudade, a moral foi lá embaixo.
Bastou uma ligação para a esposa e as palavras de força e motivação ditas por ela o refizeram e o deixaram com mais força para superar e completar seu desafio.

Dicas
- O segredo é planejar muito bem. Os custos da viagem vieram com empresas que, em troca de divulgação, fizeram contribuições.
- Fábio contou com uma rede de hospedagem gratuita da qual faz parte. Na bagagem, levou aproximadamente 15 quilos e, na alimentação, comeu o de sempre, para evitar o inesperado na estrada.
- O visual do ciclista conta muito. Quando se está com todo equipamento de proteção e segurança, as pessoas parecem respeitar mais.
- O que o ajudou no trajeto praias foi o uso de um GPS, pois os mapas como do Google não possuem pequenas estradas e travessias de rios que as vezes são necessários.

 

Lição
As perguntas mais frequentes que Fábio escuta quando está em uma viagem de bicicleta:
1ª Está vindo da onde?
2ª Está indo pra onde?
3ª Você é maluco?
Por fim uma afirmação: Eu queria ter a coragem que você tem.

“A emoção maior de toda a minha viagem, foi reencontrar minha família no centro histórico de São Francisco do Sul, me aguardando para pedalarmos juntos os últimos quilômetros. As energias se renovaram e a alegria  tomou conta. Sem dúvida foi o melhor pedalada minha vida. – Fábio Vieira”

Pedalar em São Chico
O que tem mudar é a mentalidade das pessoas em relação a ciclofaixa. Isso seria possível com um trabalho nas escolas e nas empresas com incentivos e a divulgação de informações.
Não adianta só pintar uma faixa vermelha se ninguém vai respeitar aquela marca. E as empresas precisam de estrutura para receber o funcionário que vai se deslocar com a bicicleta, como um vestiário com chuveiro, por exemplo.

 

Dois argentinos de Santa Fé e uma carioca

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Diego, Pollyanna, Fábio e Mariano.

Mariano “el Tata” Peralta, 30 anos e Diego “Sanguinetti” Gentinetta, 29 anos e Pollyanna Araujo de Melo, 37 anos. Quando os encontrei na casa de Fábio, em São Francisco do Sul, eles estavam a 17 meses e 4 dias de viagem. O início da viagem foi em Santa Fé, na Argentina no dia 15 de setembro de 2013. Como lembra Mariano, “já longe e faz tempo.” A estadia deles foi de dois dias. Pelo Fábio, seria de no mínimo uma semana. A dupla está na reta final da volta à América do Sul, tendo já passado por países como Peru, Venezuela, Colômbia, Argentina, Equador, Bolívia e Uruguai.
Você pode estar se perguntando: como eles foram parar na casa de um morador de São Chico? Foi pelo site pt.warmshowers.org que, como diz a sua definição, é uma “comunidade de hospitalidade para cicloviajantes”. Alguns meses atrás entraram em contado e Fábio abriu as portas de sua casa com a maior boa vontade e sorriso no rosto, tudo totalmente sem custo.
A carioca Pollyanna está acompanhando os amigos desde Curitiba e vai até Florianópolis. O contato deles aconteceu da mesma forma, através do site, quando ela os recebeu em sua casa no Rio de Janeiro, onde ficaram dez dias. Para conhecer mais da história da dupla acesse: http://asantafe18924.blogspot.com.br/.​

Depois de uma tormenta de areia na Bolivia
Mariano e Diego depois de uma tempestade de areia na Bolívia. Foto: Arquivo pessoal

 

 

Confira o vídeo da passeio que fizemos pelas praias de São Francisco:

Comentários (1)

  • João Fernando Zacher diz: 23 de fevereiro de 2015

    Sem dúvidas. O trabalho de um desbravador. Mostrou que tudo é possível sem o auxílio de um carro. O que as cidades precisam é de uma boa ciclovia para terminar com esses intermináveis engarrafamentos. Fábio Vieira viveu uma grande aventura e que pode ser repetida por quem tiver espírito valente como o dele. Parabéns.

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