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A experiência de pedalar na rodovia

28 de fevereiro de 2015 0

Por Fernanda Ribas

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Pedalar na BR-101 é uma experiência que exige atenção, esforço e coragem. Ao percorrer um trecho pelo acostamento e sentir os veículos passarem a mais de 100 km/h só pelo vento que bate, o ciclista sente-se pequeno, indefeso. Mas é neste cenário de insegurança que muitas pessoas buscam um lugar para treinar ou apenas viajar de uma cidade para a outra. De speed — aquelas bicicletas que têm um conjunto mais leve, com pneus finos — ou de mountain bike, a rodovia dá ao ciclista a possibilidade de ir mais longe sem nem se dar conta.

 

Apesar de o acostamento não ter a mesma qualidade do asfalto da pista, pedalar na rodovia pede ritmo nas pernas e faz o ciclista que dirige refletir. Se você é motorista, provavelmente vai sentir a importância de sinalizar as intenções no trânsito e pensar nos demais que compartilham a pista ao pegar estrada.

De Itapema a Tijucas

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O trecho de Itapema a Tijucas, ou para os mais experientes, até Governador Celso Ramos, é o mais aconselhado nesta região do litoral. Ele é indicado e percorrido por ciclistas diariamente porque é plano, tem poucos acessos e não é tão movimentado quanto os outros. Encontrei no caminho a ciclista Ana Lúcia Clementi, acostumada com pedal no asfalto, que voltava de um trajeto de 120 quilômetros. Saiu de Meia Praia às 7h, passou por uma estrada de terra no interior de Tijucas e entrou em Governador Celso Ramos de mountain bike. Segundo ela, este treino é de “gente grande” e é feito quando há disposição e tempo para tanto. Para aguentar, ela leva gel de carboidrato, paçoca e barrinha de cereal, além de água.

Como foi a minha primeira experiência, fiz 35 quilômetros de Itapema a Tijucas, passando pelo centro histórico da cidade. No caminho, muita atenção e algumas buzinadas de caminhoneiros solidários com o esforço de uma ciclista sozinha na rodovia. Apesar de o cenário ser cinza e barulhento, há beleza no asfalto. Seja pelas árvores e plantas rasteiras às margens da rodovia ou pelo encontro com uma goiabeira forrada de frutas maduras. A vista do horizonte instiga e faz o ciclista querer ir ainda mais longe.

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A grande surpresa foi chegar a Tijucas, tão pacata, pequena e simpática. Do ladinho do mar, não parece ser um lugar de praia, apesar de moradores afirmarem que quando a água esverdeia, eles arriscam tomar banho. O charme fica por conta das construções do fim do século 19 e do início do século passado, como o Casarão Gallotti, Casarão Bayer e o Cine Theatro Manoel Cruz, atualmente abandonado.

Cine Theatro Manoel Cruz

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Casarão Bayer

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Casarão Galotti

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A vida por lá parece ter parado no tempo. Em vez de estarem trancadas em casa na frente da TV ou do computador, crianças se juntam à beira-mar para soltar pipa e andar de bicicleta. Thiago, nove anos, foi um dos meninos que conheci. Estuda à tarde e passa a manhã soltando pipa _ com a linha amarrada na lata de achocolatado _ e tão longe que se perde no horizonte do mar.

—  Sou pipeiro. Tenho mais de cem pipas em casa. Solto pipa até na escola. Um dia você volta aqui para Tijucas para eu te mostrar as outras? _ brincou ele.

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