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Posts de fevereiro 2015

A experiência de pedalar na rodovia

28 de fevereiro de 2015 0

Por Fernanda Ribas

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Pedalar na BR-101 é uma experiência que exige atenção, esforço e coragem. Ao percorrer um trecho pelo acostamento e sentir os veículos passarem a mais de 100 km/h só pelo vento que bate, o ciclista sente-se pequeno, indefeso. Mas é neste cenário de insegurança que muitas pessoas buscam um lugar para treinar ou apenas viajar de uma cidade para a outra. De speed — aquelas bicicletas que têm um conjunto mais leve, com pneus finos — ou de mountain bike, a rodovia dá ao ciclista a possibilidade de ir mais longe sem nem se dar conta.

 

Apesar de o acostamento não ter a mesma qualidade do asfalto da pista, pedalar na rodovia pede ritmo nas pernas e faz o ciclista que dirige refletir. Se você é motorista, provavelmente vai sentir a importância de sinalizar as intenções no trânsito e pensar nos demais que compartilham a pista ao pegar estrada.

De Itapema a Tijucas

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O trecho de Itapema a Tijucas, ou para os mais experientes, até Governador Celso Ramos, é o mais aconselhado nesta região do litoral. Ele é indicado e percorrido por ciclistas diariamente porque é plano, tem poucos acessos e não é tão movimentado quanto os outros. Encontrei no caminho a ciclista Ana Lúcia Clementi, acostumada com pedal no asfalto, que voltava de um trajeto de 120 quilômetros. Saiu de Meia Praia às 7h, passou por uma estrada de terra no interior de Tijucas e entrou em Governador Celso Ramos de mountain bike. Segundo ela, este treino é de “gente grande” e é feito quando há disposição e tempo para tanto. Para aguentar, ela leva gel de carboidrato, paçoca e barrinha de cereal, além de água.

Como foi a minha primeira experiência, fiz 35 quilômetros de Itapema a Tijucas, passando pelo centro histórico da cidade. No caminho, muita atenção e algumas buzinadas de caminhoneiros solidários com o esforço de uma ciclista sozinha na rodovia. Apesar de o cenário ser cinza e barulhento, há beleza no asfalto. Seja pelas árvores e plantas rasteiras às margens da rodovia ou pelo encontro com uma goiabeira forrada de frutas maduras. A vista do horizonte instiga e faz o ciclista querer ir ainda mais longe.

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A grande surpresa foi chegar a Tijucas, tão pacata, pequena e simpática. Do ladinho do mar, não parece ser um lugar de praia, apesar de moradores afirmarem que quando a água esverdeia, eles arriscam tomar banho. O charme fica por conta das construções do fim do século 19 e do início do século passado, como o Casarão Gallotti, Casarão Bayer e o Cine Theatro Manoel Cruz, atualmente abandonado.

Cine Theatro Manoel Cruz

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Casarão Bayer

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Casarão Galotti

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A vida por lá parece ter parado no tempo. Em vez de estarem trancadas em casa na frente da TV ou do computador, crianças se juntam à beira-mar para soltar pipa e andar de bicicleta. Thiago, nove anos, foi um dos meninos que conheci. Estuda à tarde e passa a manhã soltando pipa _ com a linha amarrada na lata de achocolatado _ e tão longe que se perde no horizonte do mar.

—  Sou pipeiro. Tenho mais de cem pipas em casa. Solto pipa até na escola. Um dia você volta aqui para Tijucas para eu te mostrar as outras? _ brincou ele.

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De Joinville à Vila da Glória

28 de fevereiro de 2015 0

Do mar até a cachoeira

Em parceria com o amigo Diorge Moreira, também colega de jornal, fui conhecer melhor a Vila da Glória, no distrito do Saí em São Francisco do Sul. A principal expectativa era maior em relação a chegada na cachoeira do Casarão, um ponto turístico conhecido da região. A vila fica entre Joinville, São Chico e Itapoá, e o acesso pode ocorrer por todos os lados. Já fiz o pedal pegando a balsa em São Francisco (veja aqui) e agora a vez foi sair de Joinville direto pra lá.
Saindo do jornal, na rua Caçador (bairro Anita), pedalamos 16 km até a balsa que leva a Vila por Joinville. Não precisa se preocupar com o horário de travessia, pois o deslocamento pela Baía da Babitonga é curto (15 minutos) e tem embarcação disponível a todo momento.
Depois de atracar, são mais 15 km até o centro da Vila e outros 9 km de estrada de chão até a cachoeira. O passeio completo (ida e volta) soma um pedal de 89 km. E, mais uma vez, tivemos uma companhia que tem sido frequente nos meus pedais: a bendita chuva, que deixou as coisas um pouco mais frias e demoradas.

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Estrada do Saí
O ponto alto do pedal é a serrinha na estrada do Saí. Segundo o marcador do meu celular, a altimetria foi de 1.060 metros de elevação. As subidas são realmente pesadas, assim como as descidas. Muita atenção com os freios da bike, com as pedras soltas, com a velocidade que se pode alcançar e, principalmente, com os caminhões que passam por ali.
Se você não tem muito preparo, é bom lembrar de guardar energia para fazer o caminho de volta. Por isso, se estiver muito cansado aproveite a água gelada da cachoeira para relaxar.

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Trilha do casarão até cachoeira
O nome Cachoeira do Casarão é em referência a casa que fica na propriedade da família Backmeyer. Construído em 1901, o o ponto de referência para a entrada da trilha que leva à cachoeira. A propriedade é particular e é cobrada uma taxa de R$ 10. São aproximadamente 250 metros entre árvores, pedras, escadas e raízes de árvores no chão. Não aconselho levar a bike junto. Eu levei, mas só porque não teve ninguém para dizer o contrário. Dificulta e muito o acesso.

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Pé na areia
As praias da vila tem um mar calmo e um pequena faixa de areia, ideal para relaxar. O visual são 14 ilhas que marcam o horizonte. É possível alugar um barco com os pescadores locais e empresas especializadas para conhece-las mais de perto. Para quem curte uma pescaria, tem algumas embarcações especializadas em guiar os melhores lugares para a prática.

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Ancoradouro Pedro Ivo Campos
Um ponto de referência da Vila e parada obrigatória é o Ancoradouro Pedro Ivo Campos, que avança 330 metros mar adentro. Para quem gosta de levar boas fotografias por onde passa, a dica é ir lá no finzinho do passeio e fazer uma panorâmica da visão que se tem de quase toda a vila e sua vasta vegetação. Aproveitamos para almoçar em um restaurante logo ao lado, lugar com um ótimo atendimento e bons preços. Existem diversas opções para comer por esse região e a maioria é especializada em servir frutos do mar.

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Confira mais algumas fotos:

Um passeio por Governador Celso Ramos

26 de fevereiro de 2015 1

 

Mirante entre as praias das Caravelas e Bananeiras, em Governador Celso Ramos

Mirante entre as praias das Caravelas e Bananeiras, em Governador Celso Ramos. Foto: Alvarélio Kurossu/Agência RBS

Na minha estreia como Bike Repórter, em substituição à colega Bike Repórter, Carol Macário, que partiu para uma viagem de seis meses à Índia, resolvi explorar novos desafios como ciclista. Fui até a bela Governador Celso Ramos na tarde chuvosa de terça-feira.

Durante o trajeto, pude pedalar em paz sentindo o vento no rosto e o silêncio que domina o percurso de 30 km entre o acesso à Armação da Piedade pela BR-101. A paisagem rural, que às vezes parecia nunca terminar, sempre levava a uma vila de pescadores com uma bela praia escondida.

Paisagem rural no caminho das praias de Governador Celso Ramos

Paisagem rural no caminho das praias de Governador Celso Ramos. Foto: Alvarélio Kurossu/Agência RBS

Já na praia do Antenor, depois de uma pequena trilha, era possível avistar bem pertinho a Ilha de Inhatomirim, que pertence a Governador Celso Ramos. Mas o caminho não é fácil, precisa de um pouco de preparo físico para enfrentar as várias subidas e descidas do caminho, que é recompensado com as vistas fantásticas dos mirantes.

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Praia do Antenor que é possível avistar bem pertinho a Ilha de Inhatomirim. Foto: Alvarélio Kurossu/Agência RBS

No final, para repor as energias um bom caldo de cana gelado à escolha no vários quiosques ao longo do caminho.​

 

 

Confira o vídeo do Bike Repórter em Governador Celso Ramos

De bike para a balada

24 de fevereiro de 2015 0

Por Carol Macário

 

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O trânsito em Florianópolis não favorece ninguém no verão, nem mesmo quem quer ir para a balada. Fila no Norte da Ilha, fila no Leste da Ilha e você acaba perdendo a noite dentro do carro. Um dia ainda teremos um transporte público eficiente, mas até lá a bicicleta é sempre uma boa alternativa.

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É bom lembrar que não há nada que se envergonhar por chegar de bicicleta em alguma festa. Pelo contrário, impõe estilo. Então deixe a vergonha para trás.

Nem todas as casas noturnas têm local adequado para guardar bicicleta. Na Lagoa já encontrei com muitos pés de goiabeira para amarrar a magrela. Desapegue.

Inacreditavelmente em Jurerê Internacional achei um estacionamento de bicicleta bem ao lado do Taikô, popular beach club. Fui para o balneário de bike para a missão de pedalar e curtir uma das famosas sunset parties de lá. O garçom me contou que é muito comum clientes que chegam de bike, principalmente os moradores.

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Ah, sim. Neste post sobre o blog Pedal Glamour tem dicas de como pedalar sem perder o estilo e não parecer uma “pessoa de lycra”. As dicas valem também para a balada.

 

 

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Na companhia de vacas na Praia da Sepultura

23 de fevereiro de 2015 0

Por Fernanda Ribas

 

São apenas 95 metros de extensão de areia, um morro e um costão desenhado para explorá-lo em todos os lados. De bicicleta, chego pela Avenida das Garoupas até um estacionamento particular. Lá conheço o gaúcho Chico. Vive na praia há 15 anos e não sai dali por nada. Pesca, faz trilhas e dá dicas para os turistas que querem conhecer este cantinho de praia, deixando apenas pegadas no caminho.

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Veja também:

::: Um paraíso chamado Bombinhas
::: A calmaria de Zimbros e Canto Grande

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Para chegar até o ponto onde é possível curtir a areia da praia o caminho é fácil e tem cerca de 200 metros. Ali é possível alugar cadeira, guarda-sol, stand up paddle, caiaques e pedalinho. Segui caminho pela trilha até a ponta da praia e passei por um trecho no qual a bicicleta precisou ser carregada. É recomendável ir de mountain bike para conseguir chegar até o fim. É lá que você encontra um costão de pedras com muitas árvores. Bom para descansar e recarregar as energias para o retorno do passeio.

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As vacas não se importam muito se você passa bem ao lado delas. Os filhotes até pedem carinho e vale a pausa para apreciar a vista de Bombinhas.

Da Sepultura, outra opção é conhecer o Retiro dos Padres, no fim da Rua das Garoupas, onde há infraestrutura de camping, restaurantes e estacionamento.

Percurso total ( do morro de Bombas à Praia da Sepultura)

Distância: 8,0 km
Grau de dificuldade: fácil
Melhor horário: evitar horários de trânsito intenso

Bike, trilha, barco e carapeva – Um passeio pela Costa da Lagoa

22 de fevereiro de 2015 1

Por Carol Macário

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A Costa da Lagoa é uma comunidade tradicional na beira da Lagoa da Conceição. É um dos últimos redutos da cultura açoriana no Estado, com rendeiras e pescadores, e por essa razão a região é tombada como patrimônio cultural de Florianópolis. Chegar até lá só é possível de duas formas: trilha ou barco. Ou bike, trilha e barco. :)

A menos que você tenha uma Mountain Bike e tenha muita, mas muita experiência em pedaladas radicais e trilhas, faça o caminho de cerca de 5 km do Canto dos Araçás até a Costa da Lagoa pedalando. Caso contrário não recomendo, mas sugiro uma opção que combina as três coisas.

>> ASSISTA - Bike, barco e trilha:


Canto dos Araçás

Os barcos de transporte público operados pela Cooperbarco não levam bicicletas por motivos de segurança (os barcos partem do Centrinho da Lagoa no Terminal de Transporte Lacustre localizado ao lado da ponte). A dica então é pedalar até o Canto dos Araçás, conforme o mapa.

Canto dos Araçás

Canto dos Araçás

O trajeto tem poucas subidas e descidas em rua de paralelepípedo. Ao longo do caminho estão mansões que cobrem, infelizmente o visual da Lagoa, e casas de moradores nativos, mais simples.

Carona de Barco

Apenas barcos particulares levam bicicletas até a Costa e, geralmente, são cortesia de alguns restaurantes tradicionais da comunidade. Ao chegar no Ponto 3, no Canto dos Araçás, converse com algum pescador que estiver por ali e combine o transporte. Os restaurantes Bela Ilha e Recanto da Natureza são alguns que oferecem a cortesia, desde que você almoce por lá, claro. O trajeto de barco dura cerca de 25 minutos.

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Freguesia da Costa

Entre os pontos de barco 13 e 18 fica a Freguesia da Costa. É a área mais urbanizada, onde se concentra o maior número de casas e restaurantes. É por ali que fica também a cachoeira da e a Capela Santa Cruz.

Desci no Ponto 13 e segui caminho pela trilha até lá, um pouco passando pelo barro, ora por pedras e degraus improvisados, tendo que levar a bike nos braços, e finalmente por vias calçadas.

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Restaurantes de frutos do mar

Além do passeio pela mata, pelo antigo engenho de farinha, pela cachoeira e a capela, a principal atração da comunidade é a gastronomia. Há dezenas de restaurantes de frutos do mar. Os donos são nativos da região e esbanjam simpatia.

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A simpatia do Jajá

Difícil recomendar apenas um, mas não deixe de provar o bolinho de siri da dona Marlene, do restaurante La Costa, o peixe grelhado ao molho de manga do Jajá, o pastel de camarão do Bela Ilha e a carapeva frita no Recanto da Natureza (carapeva é um peixe comum na lagoa).

Na volta, apenas descanse no barco e curta a paisagem.

Cachoeira da Costa

Cachoeira da Costa

 

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Capelinha da Freguesia

Um paraíso chamado Bombinhas

21 de fevereiro de 2015 1

Por Fernanda Ribas

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Ao descer o morro entre Porto Belo e a praia de Bombas, um cenário se descortina na frente dos olhos. Mas só com a vista não é possível imaginar quantas possibilidades a península de Bombinhas oferece para explorar a cidade da terra ao mar. É preciso ir mais fundo, ao fundo do mar para sentir bem de perto a calmaria das águas, o beliscar dos peixes e o silêncio da natureza.

Sobre duas rodas, o passeio é curto e não custa nada —  diferente dos carros que pagam R$ 21,83 de Taxa de Preservação Ambiental —, mas a aventura é grande pelas mais de 20 praias e as quatro ilhas de Bombinhas.

De trilhas de bike no costão a subidas e descidas entre uma praia e outra, a região exige tempo e atenção dos ciclistas. Tempo para conseguir explorar todas as curvas deste trecho do litoral e atenção para se locomover nas avenidas entre carros e pedestres, sem ciclovias ou ciclofaixas, no burburinho dos dias quentes do verão.

No fundo do mar da Ilha do Arvoredo

Começo o trajeto pouco antes do morro que divide Porto Belo de Bombinhas. Enquanto os veículos param para pagar a Taxa de Preservação Ambiental no posto no topo do morro, sigo viagem descendo pelo bordo da pista a Avenida Leopoldo Zarling com a vista da praia de Bombas. A avenida é apertada e o asfalto não colabora, por isso reduzir a velocidade e ficar atento com os veículos são dicas importantes para quem se aventura por lá. Atualmente a avenida em Bombas passa por revitalização, portanto lama e buracos acompanham a pedalada até chegar à praia de Bombinhas. A previsão é que as obras terminem em novembro e então haverá ciclovia em toda a extensão da avenida, na pista da direita (do lado do mar).

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Na charmosa Bombinhas estão localizadas as operadoras de mergulho que fazem passeios a partir do píer da Prainha, no canto da praia. São várias as opções: Hybrazil Mergulho, Submarine Scuba, Acquatrek, Submarine, Bertuol e Patadacobra, que foi com a qual mergulhei. É possível optar pelo curso para iniciantes, para certificados e formação profissional. Fiz o batismo, que é o mergulho experimental acompanhado de um instrutor.

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Do continente à face Sul Ilha do Arvoredo — onde ficam os pontos liberados para mergulho — são quase duas horas de barco. Foi em um dos estacionamentos próximos ao píer que deixei a bicicleta e parti para o mar. As saídas são diárias e o passeio matutino dura cerca de seis horas e inclui o traslado, lanche no barco, equipamento e acompanhamento do mergulhador durante o mergulho com cilindro. A experiência de estar tão perto de peixes, tartarugas, raias e outras espécies é única. Lá embaixo, escuto apenas a minha respiração no cilindro. Os peixes chegam perto e não se incomodam com a minha presença. Com uma vida marinha rica, fomos presenteados ainda com duas raias pintadas se exibindo em volta do barco durante o passeio.

Saiba como foi a aventura:

 

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Confira as fotos  feitas pela Patadacobra

Um cicloviajante por vocação

21 de fevereiro de 2015 1

Por Leo Munhoz

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Fábio (de amarelo) e seus hóspedes na Praia da Enseada.

- Enfrente tudo com vontade e faça.
– Mas é longe! O longe é logo ali.

Nunca fui de recusar um convite para um churrasco. Foi assim que aconteceu quando entrei em contato com o Fábio Vieira, 37 anos, morador de São Francisco do Sul, falando que gostaria de contar sua história, já demonstrando sua hospitalidade. A princípio a conversa era só sobre a sua viagem de dois mil km pelo litoral brasileiro, mas acabei descobrindo que ele também tem o costume de hospedar cicloviajantes em sua casa. E já foram mais de dez.

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Foto: Arquivo pessoal

A viagem
Fávio passou por cinco Estados em mais de 20 dias de pedal, sempre pelo litoral. Como ponto de partida, o extremo Norte do Espírito Santo, Itaúnas, e de chegada, onde mora atualmente, São Francisco do Sul. Ele conta que a escolha de sempre voltar pra casa e nunca partir dali é a motivação de encontrar a família. Estar a cada dia um pouco mais perto de casa é uma recompensa, principalmente pela saudade que sente dos familiares mas principalmente do menor da casa, o Miguel, de 3 anos.
A rota escolhida também tem uma lógica. Funciona assim: primeiro conta quantos dias tem disponível para ficar longe do trabalho, da família e das obrigações diárias. Depois calcula quantos quilômetros ele consegue pedalar nesse tempo. O próximo passo é jogar no mapa e ver as possibilidades.

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Foto: Arquivo pessoal

O maior desafio
Quando completou metade do caminho, teve uma crise emocional. “Se não tivesse a família tinha desistido.” Os problemas no últimos dias o estavam castigando mais psicologicamente que fisicamente: dois pneus furados, um deles rasgado, problemas com a marcha e a quebra do bagageiro. Ainda por cima, muito tempo pedalando na chuva. Juntando isso com a saudade, a moral foi lá embaixo.
Bastou uma ligação para a esposa e as palavras de força e motivação ditas por ela o refizeram e o deixaram com mais força para superar e completar seu desafio.

Dicas
- O segredo é planejar muito bem. Os custos da viagem vieram com empresas que, em troca de divulgação, fizeram contribuições.
- Fábio contou com uma rede de hospedagem gratuita da qual faz parte. Na bagagem, levou aproximadamente 15 quilos e, na alimentação, comeu o de sempre, para evitar o inesperado na estrada.
- O visual do ciclista conta muito. Quando se está com todo equipamento de proteção e segurança, as pessoas parecem respeitar mais.
- O que o ajudou no trajeto praias foi o uso de um GPS, pois os mapas como do Google não possuem pequenas estradas e travessias de rios que as vezes são necessários.

 

Lição
As perguntas mais frequentes que Fábio escuta quando está em uma viagem de bicicleta:
1ª Está vindo da onde?
2ª Está indo pra onde?
3ª Você é maluco?
Por fim uma afirmação: Eu queria ter a coragem que você tem.

“A emoção maior de toda a minha viagem, foi reencontrar minha família no centro histórico de São Francisco do Sul, me aguardando para pedalarmos juntos os últimos quilômetros. As energias se renovaram e a alegria  tomou conta. Sem dúvida foi o melhor pedalada minha vida. – Fábio Vieira”

Pedalar em São Chico
O que tem mudar é a mentalidade das pessoas em relação a ciclofaixa. Isso seria possível com um trabalho nas escolas e nas empresas com incentivos e a divulgação de informações.
Não adianta só pintar uma faixa vermelha se ninguém vai respeitar aquela marca. E as empresas precisam de estrutura para receber o funcionário que vai se deslocar com a bicicleta, como um vestiário com chuveiro, por exemplo.

 

Dois argentinos de Santa Fé e uma carioca

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Diego, Pollyanna, Fábio e Mariano.

Mariano “el Tata” Peralta, 30 anos e Diego “Sanguinetti” Gentinetta, 29 anos e Pollyanna Araujo de Melo, 37 anos. Quando os encontrei na casa de Fábio, em São Francisco do Sul, eles estavam a 17 meses e 4 dias de viagem. O início da viagem foi em Santa Fé, na Argentina no dia 15 de setembro de 2013. Como lembra Mariano, “já longe e faz tempo.” A estadia deles foi de dois dias. Pelo Fábio, seria de no mínimo uma semana. A dupla está na reta final da volta à América do Sul, tendo já passado por países como Peru, Venezuela, Colômbia, Argentina, Equador, Bolívia e Uruguai.
Você pode estar se perguntando: como eles foram parar na casa de um morador de São Chico? Foi pelo site pt.warmshowers.org que, como diz a sua definição, é uma “comunidade de hospitalidade para cicloviajantes”. Alguns meses atrás entraram em contado e Fábio abriu as portas de sua casa com a maior boa vontade e sorriso no rosto, tudo totalmente sem custo.
A carioca Pollyanna está acompanhando os amigos desde Curitiba e vai até Florianópolis. O contato deles aconteceu da mesma forma, através do site, quando ela os recebeu em sua casa no Rio de Janeiro, onde ficaram dez dias. Para conhecer mais da história da dupla acesse: http://asantafe18924.blogspot.com.br/.​

Depois de uma tormenta de areia na Bolivia
Mariano e Diego depois de uma tempestade de areia na Bolívia. Foto: Arquivo pessoal

 

 

Confira o vídeo da passeio que fizemos pelas praias de São Francisco:

A primeira vez no Morro da Lagoa ninguém esquece

20 de fevereiro de 2015 2

Por Carol Macário

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Pedalar por alguns lugares são como batismo de fogo para ciclistas iniciantes. O Morro da Lagoa ou Morro das Sete Voltas é um desses marcos. A montanha que separa o resto da cidade da formosa da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, intimida pela altura – segundo fontes não oficiais tem 492 metros –, pelas curvas fechadas e pelo tráfego intenso de carros.

O que dá conforto é saber que lá em cima, no topo, há um belo mirante. Dá conforto também saber que depois da primeira vez passando pelo Morro, qualquer outro trajeto será fácil.

O começo da subida

O começo da subida

Comecei a subida a partir da Lagoa e a primeira lição é: ter uma boa bicicleta. Se ela for muito pesada ou o sistema de câmbio for ruim, prepare-se para sofrer. Já na primeira curva tive que parar para arrumar a corrente que caiu numa troca de marchas (Leia o post da Bike Repórter Fernanda Ribas com macetes para subir morro).

Consegui subir pelas três primeiras curvas e, mais que o cansaço, o volume de carros me assustou. Precisei parar para puxar ar. Quase chegando no Mirante precisei fazer outra parada, dessa vez para me recuperar do calor: tive o azar de subir o morro justamente num dia inacreditavelmente quente, com termômetro marcando 36° C.

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O visual do Mirante da Lagoa é o prêmio. Precisei de uns 10 minutos para descansar até voltar os sentidos e efetivamente contemplar a paisagem. Lá de cima dá para ver todo o Centrinho do bairro, as dunas e a praia da Joaquina, uma pontinha da Ilha do Campeche. É inspirador.

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Visual do Mirante


Na volta encontrei um ciclista profissional chegando no topo, sem parar para descansar como eu. Ele também foi inspirador e espero que nas próximas vezes eu consiga subir e descer sofrendo menos. É um aprendizado e exercício de superação.

Ah, sim. A descida é a melhor parte. Só tenha certeza que os freios estão funcionando bem.

A chegada

A chegada

>> ASSISTA: Entre carros e curvas, subir e descer o Morro da Lagoa é um exercício de superação:

Pedal pelo Parque de Coqueiros

19 de fevereiro de 2015 0

Por Carol Macário

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O Parque de Coqueiros é um dos mais aconchegantes de Florianópolis. É diferente de outras áreas (e raras!) de lazer da cidade, onde os jardins e gramados adotados por empresas intimidam a presença de pessoas para piqueniques, ou mesmo de crianças para jogar bola ou brincar. Em Coqueiros a impressão que se tem é que quanto mais pessoas circularem por lá, melhor. Fica próximo à cabeceira continental da Ponte Pedro Ivo Campos, e de alguns pontos do gramado dá para ver a linda Ponte Hercílio Luz.

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São 50 mil m² de área total, incluindo uma pista para corrida e ciclovia de 850 metros. É um local ótimo para pedalar, principalmente quando se quer um passeio despretensioso e relaxante.

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O Parque tem também quadra de esportes, parque infantil, árvores e bancos para descansar e apenas contemplar o horizonte. Nos fins de semana fica lotado, com carrinhos de pipoca, crianças soltando pipa, adultos se exercitando.

Ah, sim. A ciclovia do Parque de Coqueiros é um ótimo local para iniciar as crianças no mundo do pedal.

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