O PSD de Gilberto Kassab tem tudo para ser a esfinge no quadro partidário brasileiro.
Surgiu como uma espécie de bolha de segurança para o prefeito paulistano e seu grupo político conseguirem migrar do DEM para o PMDB - uma franquia praticamente livre em São Paulo desde a morte do ex-governador Orestes Quércia. Aos poucos, ganhou corpo. Levantou-se a possibilidade de fusão com o PSB, encorpando ambos os grupos na disputa por cargos no governo do PT.
A partir da adesão da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional de Agricultura, e do flerte com o governador catarinense Raimundo Colombo (DEM), o PSD tomou uma dimensão maior do que a planejada por Kassab. Atraiu descontentes de diversos partidos, especialmente no DEM e no PSDB.
Deve nascer com cerca de 40 deputados federais, dois senadores, dois governadores e cinco vices. Tem chances reais de estrear como a quarta maior bancada da Câmara, talvez a terceira - a depender de quantos tucanos aderirem ao partido. Pode representar uma mudança no quadro partidário tão profunda quanto foi a criação do PSDB em 1988.
Mas é aí que surge o "decifra-me ou devoro-te" do novo partido.
O que almeja o PSD?
É uma alternativa futura de poder fora da dicotomia PT x PSDB, essa rivalidade clubística que transformou as últimas quatro eleições presidenciais em um Fla-Flu (ou Gre-Nal) com altíssimas taxas de maniqueísmo? Por isso, um partido nem a favor, nem contra. Outra coisa, outra via.
Ou.
É um agrupamento de políticos incomodados em seus próprios partidos e sedentos por aderir à base aliada após oito longos anos de penúria na oposição? Por isso, reúne lideranças de dentro e fora da base aliada, livra-se das siglas que representam o anti-petismo, flerta com os lulistas PSB e PCdoB.
Eis a esfinge partidária que se apresenta.
Na primeira opção, uma verdadeira reforma política à direita. Com o surgimento de um partido que levante as bandeiras liberais sem ser apontado como herdeiro do regime militar. Com Kátia Abreu representando uma espécie de antípoda da verde Marina Silva (PV) em um quadro partidário muito mais rico que a atual rivalidade de petistas e tucanos.
Na segunda opção, um instrumento para esvaziar o pouco que resta da oposição ao governo petista. A genêse de um novo PMDB, reunindo lideranças que têm como única afinidade as facilidades de estar em um grande partido que pode aderir a qualquer gestão municipal, estadual ou federal. Ao mutilar demistas e tucanos sem contrapartida, a nova sigla daria origem a um quadro em que existiria apenas um único projeto de poder, o petista, e seus aliados.
O PSD pode ajudar a renovar o quadro partidário brasileiro ou acabar com ele de vez.
A história deve dizer.
