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Pizzolatti, Zonta e a conta errada do PP

04 de julho de 2011 0

Tem um quê de perverso um sistema eleitoral que nega uma cadeira de deputado federal a Odacir Zonta (PP) e seus quase 104 mil votos enquanto concede a mesma vaga para outros sete candidatos menos votados. A decisão do Supremo Tribunal Federal que postergou os efeitos da Lei Ficha Limpa trouxe de volta à ribalta João Pizzolatti (PP), que teve 133 mil votos, para a vaga do colega pepista.

Embora Zonta ainda lute contra o próprio colega de partido para permanecer no cargo, a verdade é que as calculadoras da Justiça Eleitoral foram implacáveis e o nono candidato mais votado para a Câmara Federal em Santa Catarina vai ficar sem vaga. Na última sexta-feira, Pizzolatti foi diplomado deputado federal pelo Tribunal Regional Eleitoral e conta os dias para voltar a Brasília.

Mas não se debite somente na conta das imperfeições do sistema proporcional o resultado que levou o PP a ficar com apenas duas vagas na Câmara Federal – eram três na legislatura passada. A soma total de votos da legenda, coligada com PDT e PTdoB, alcança 575 mil votos, incluindo Pizzolatti. A tríplice aliança (PMDB/PSDB/DEM/PPS) fez 1,98 milhão e o PT (e sua coligação) chegou a 782 mil. Na ponta do lápis, faltaram 12 mil votos aos pepistas para que Zonta ficasse em Brasília, no lugar de Luci Choinaki (PT).

Azar? Não. Excesso de confiança, talvez. Mesmo entre os adversários era esperado que o ex-governador Esperidião Amin (PP) ultrapassasse a barreira dos 200 mil votos. Ficou com 166 mil. Isso significou uma simples substituição em relação a 2006, quando Angela Amin (PP) foi a puxadora de votos do partido, com 174 mil.

Uma rápida comparação entre o restante das chapas de 2006 e 2010 mostra que o PP apostou demais no peso eleitoral do ex-governador. Repetiram-se Pizzolatti e Zonta, candidatos à reeleição, com certeza de boas votações. De resto, a chapa minguou em quatro anos. Quarto mais votado em 2006, Leodegar Tiskoski, ficou de fora, priorizando o cargo que tinha (e manteve) no governo federal. O ex-deputado federal Eni Voltolini, quinto em 2006, preferiu arriscar a Assembleia Legislativa.

No lugar deles, o que o PP ganhou? Roberto Salum, que fizera boa votação quatro anos antes pelo PSB, sem conseguir se eleger por falta de legenda. Em outubro de 2010 ficou bem abaixo do esperado, atrás do sargento Pedro Sobrinho, do PDT, coligado.

Outra decisão da sigla contribuiu para diminuir o poder de fogo na Câmara. Ao contrário de outros partidos, o PP não lançou nenhum de seus deputados estaduais na aventura de tentar a vaga em Brasília. DEM (Onofre Agostini), PMDB (Rogerio Peninha Mendonça e Ronaldo Benedet), PSDB (Jorginho Mello) e PT (Pedro Uczai) conseguiram promover parlamentares. O PP concentrou-se em manter a bancada que tinha na Assembleia – neste caso, com sucesso.

Todo ano algum partido chora o candidato bem votado que não se elegeu por causa do sistema proporcional. Este será o ano do PP, de Zonta e de seus 103 mil eleitores. O curioso é que se o Brasil aplicasse o voto distrital, o pepista poderia ter brigado mano a mano com Luci e Valdir Colatto (PMDB) no Oeste do Estado por uma vaga em Brasília.

Com mais chances de vitória.

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