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Celesc vai abrir plano de investimentos

25 de julho de 2011 0

Coluna publicada na edição desta segunda-feira no DC:

Sob o comando de Antonio Gavazzoni (DEM-PSD), a Celesc vive um dilema que é comum a todo o governo Raimundo Colombo (DEM-PSD). De um lado, a vontade de ser e de parecer diferente das gestões anteriores. De outro, o compromisso com a coalizão partidária que garantiu a vitória eleitoral, mas impede mudanças abruptas sem melindrar antigos comandantes.

A receita para trilhar esse fio de navalha é o mesmo no governo e na Celesc: evitar comentar as heranças político-administrativas e acelerar investimentos. A vantagem de Gavazzoni em relação a Colombo é ter recursos em caixa e ser obrigado a gastar. Em 2015, vence a concessão da companhia para explorar a distribuição de energia elétrica no Estado e um dos fatores que deve ajudar a renovação é seguir a risca as metas de investimento estipuladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Este ano, por exemplo, Gavazzoni precisa investir R$ 450 milhões na melhoria dos serviços oferecidos pela Celesc. O valor é maior do que o gasto médio dos últimos anos e significa um esforço para atingir a meta da Aneel para o triênio 2009-2011. Outros R$ 1,25 milhões devem ser gastos até 2015.

A novidade é que pela primeira vez a companhia vai ouvir a sociedade antes de começar a gastar esses R$ 1,7 milhões. Gavazzoni encomendou à sua equipe – boa parte dela trazida da Secretaria da Fazenda, onde foi secretário no segundo governo Luiz Henrique da Silveira (PMDB) – um detalhado plano de investimentos que será apresentado na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) nas próximas semanas.

Para cada uma das 16 regionais da companhia, um caderno apresenta todos os investimentos previstos, ano a ano, até 2015. De pequenas obras à construção de subestações. O material está concluído, mas não é definitivo. A ideia é de que o plano seja discutido com prefeitos, vereadores e associações empresariais.

A expectativa é que a interferência da sociedade qualifique os gastos da Celesc. Uma rápida olhada no que está previsto para Florianópolis, por exemplo, traz esperança de que as constantes reclamações de falta de energia no Norte da Ilha possam ser minimizadas nos próximos anos. Estão lá a instalação de um novo transformador na subestação Ilha-Norte, novas linhas de transmissão e, no final de 2013, a construção de uma subestação no bairro Ingleses. Planejamento inicial, sujeito a alterações em debates com as entidades da região.

Teste em Joinville

Um esboço disso já aconteceu em Joinville. Há dois meses, o roteiro de investimentos na região foi levado à Associação Empresarial de Joinville (Acij). Após análise, os empresários elogiaram o plano, mas ponderaram que a nova subestação na região do Perini Bussiness Park, prevista para 2014, deveria ser antecipada pela constante expansão do condomínio industrial.

A Celesc concordou, mas afirmou que precisaria de pelo menos 16 meses de prazo, incluindo a necessidade de comprar um terreno na região. Os empresários responderam que doariam um terreno à companhia se o prazo fosse reduzido para 12 meses. Assim, chegou-se a um acordo. O empresário Udo Döhler, presidente da Acij, não esconde o entusiasmo com o gesto.

– Isso é um fato novo. Nós estávamos acostumados a correr atrás da Celesc para dizer o que precisamos. Dessa vez, eles vieram até nós, abriram o plano de investimentos e deram a oportunidade de discutir alterações. É algo que não dói nada. Oxalá se estenda ao resto do Estado – disse o empresário.

Sempre envolvida em notícias negativas por excesso de politização e exemplos de má gestão, a Celesc tem a missão de se reinventar. Transparência e diálogo são ferramentas imprescindíveis nessa tentativa de ser e de parecer diferente. Oxalá.

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