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Resgatando o caso Nei Silva

05 de April de 2012 0

O Caso Nei Silva movimentou a política catarinense no segundo semestre de 2008 e foi caindo no esquecimento até a noite desta quarta-feira, quando foi anunciada a absolvição do ex-dono da Revista Metrópole. Para refrescar, reproduzo aqui um resumo que fiz para o jornal A Notícia em julho daquele ano. Partia dos rumores de que um polêmico livro estava para ser lançado, passava pela prisão de Nei Silva por suposta extorsão e parava com o primeiro depoimento do empresário à Justiça, a mesma que agora o absolve em primeira instância.

Livro Aberto

Capítulo 1 – Na surdina
Em maio de 2008, o dono da revista “Metrópole”, Nei Silva, começa a distribuir a alguns jornalistas cópias de um livro chamado “A Descentralização no Banco dos Réus”, em que revelaria os bastidores de um suposto acordo com o governo estadual para divulgar o processo de descentralização administrativa, antes da campanha eleitoral de 2006. As negociações envolveriam membros do governo, prefeituras, empresários e o próprio governador Luiz Henrique.

Capítulo 2 – Os comentários
O livro assinado pelo empresário traz 60 reproduções de documentos, 25 diálogos reproduzidos e 15 fotos. Esse conteúdo começa a ser citado em colunas e blogs de cobertura política.

Capítulo 3 – O flagrante
Nei Silva é preso em flagrante por agentes da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) no dia 2 de junho. Ele é acusado de tentar extorquir R$ 1,4 milhão do governo do Estado para não divulgar o livro. Ele marcou encontro com o ex-secretário de Planejamento Armando Hess, que lhe entregaria R$ 40 mil. Antes de encontrar Silva, o ex-secretário avisou a polícia – que planejou o flagrante.

Capítulo 4 – A justificativa
O empresário nega a tentativa de extorsão e afirma que estava cobrando uma dívida relativa ao trabalho de divulgação feito pela revista “Metrópole” – que incluiu a colocação de outdoors e a realização de pesquisas. O acordo inicial seria de R$ 500 mil, mas Silva afirma que a dívida estaria em R$ 1,4 milhão por conta de juros e lucros cessantes. Ele afirma ter como provar o negócio, mas diz que só apresentaria os documentos e gravações diretamente à Justiça.

Capítulo 5 – A resposta
O governo do Estado nega qualquer tipo de acordo com Nei Silva e a revista “Metrópole” e afirma que a história não passa de um “caso de polícia”. Nei Silva estaria tentando receber os R$ 1,4 milhão para não divulgar na imprensa local e nacional as supostas falsas denúncias.

Capítulo 6 – A ingenuidade
Em entrevista, Armando Hess reconhece ter sido procurado por Nei Silva com o projeto de divulgação da descentralização e diz ter sido “ingênuo”. Afirma que cessou as negociações depois que o projeto foi vetado pela Secretaria de Comunicação. Diz também ter dado R$ 40 mil ao empresário por ele ter dito que estava em dificuldades financeiras.

Capítulo 7 – Indiciamento e denúncia
O delegado Renato Hendges pede o indiciamento de Nei Silva por extorsão. Ele afirma não ter ouvido nem visto as gravações e fotos apreendidos com o empresário na prisão em flagrante, mas revela uma carta escrita por Nei Silva, negando todas as denúncias do livro. Ela seria assinada em troca do dinheiro pedido aos membros do governo. O promotor Rogério Bertoncini aceita os argumentos do delegado e denúncia por extorsão Silva e seu sócio, Danilo Gomes.

Capítulo 8 – Nas mãos da Justiça
Em julho, Nei Silva prestou o primeiro depoimento ao juiz Lepoldo Brüggemann, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis. O crime de extorsão prevê pena de quatro a 10 anos de prisão.

Capítulo 9 – Reflexos em Brasília
Duas edições da revista “Metrópole” fazem parte da ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação do mandato do governador Luiz Henrique por uso indevido dos meios de comunicação. Integrantes da coligação Salve Santa Catarina, que apoiou o candidato derrotado em 2006 Esperidião Amin (PP), tentam fazer os ministros tomarem conhecimento do teor do livro escrito por Nei Silva. (LHZ foi absolvido pelo TSE em 2010, por 6 votos a 1).

A história continuou e Nei Silva chegou a marcar o lançamento do livro “A Descentralização no Banco dos Réus”, que foi suspensa por decisão judicial. Será que agora ele vai para as livrarias?

Se for, tem tudo para ser a versão local de “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Junior — incluindo possíveis méritos e evidentes vícios.

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