Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

O contra-ataque de Titon

28 de fevereiro de 2014 0

Afastado da presidência da Assembleia Legislativa por liminar judicial, o deputado estadual Romildo Titon (PMDB) fez de tudo para que o dia de ontem parecesse uma quinta-feira normal de trabalho. Participou da sessão pela manhã, discursou na tribuna e esteve na reunião do PMDB que discutiu a postura do partido nas próximas eleições.

A aparente normalidade foi permeada pelas manifestações de solidariedade dos colegas e críticas à postura do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) e à decisão liminar do desembargador José Trindade dos Santos que determinou seu imediato afastamento por um prazo de até 180 dias. Titon chegou à Assembleia às 9h30min, acompanhado apenas pelo motorista e mostrou-se desconfortável com a presença da imprensa. Foi para seu gabinete e de lá para o plenário, onde foi o primeiro parlamentar a discursar. Pouco mediu as palavras ao criticar o MP-SC, que apresentou a denúncia que o vincula a uma suposta quadrilha que fraudava licitações para construção de poços artesianos. Na fala, um recado direto aos demais parlamentares.

– Queria dizer aos meus colegas: hoje eu sou vítima, não posso falar muito. Mas diria o seguinte, hoje é comigo, amanhã pode ser com um de vocês – afirmou.

O deputado fez críticas diretas ao MP-SC e ao procurador-geral de Justiça, Lio Marcos Marin, a quem se referiu como “mocinho de televisão”. Titon voltou a vincular às denúncias à tentativa do deputado estadual Jailson Lima (PT) de criar uma CPI para investigar a compra da nova sede da instituição e o suposto pagamento de supersalários. Acusou o procurador-geral de procurar os parlamentares para convencê-los a não assinar o requerimento de abertura da comissão.

– Eu não tenho medo de ser investigado, e do que o Ministério Público tem medo?

Parlamentar evita falar com imprensa

Depois de receber o apoio de deputados de diversos partidos, Titon voltou ao gabinete. Lá, esperavam por ele o senador Luiz Henrique da Silveira e o vice-governador e presidente do PMDB, Eduardo Pinho Moreira, secretários e deputados estaduais peemedebistas. Foi de Pinho Moreira o conselho para que o deputado mantivesse a agenda o mais próximo do normal.

– O PMDB está absolutamente solidário ao deputado Titon por conhecer sua história. As pessoas de bem são sempre muito mais atingidas e o depoimento dele na tribuna mostrou todo esse sentimento – afirmou o vice-governador.

Titon permaneceu na Assembleia até às 16h, quando foi para a residência oficial do vice-governador, no Bairro Itaguaçu, região continental de Florianópolis. Lá, a executiva do PMDB, somadas as bancadas estadual e federal, tinham reunião marcada para tratar da proposta de prévias para decidir se o partido terá candidatura própria ao governo. Os peemedebistas fizeram novas declarações de confiança e foi levantada até a possibilidade que uma nova nota oficial em defesa do parlamentar. Na saída, Titon mais uma vez não quis dar entrevista.

– Tudo que eu tinha para dizer, disse na tribuna – afirmou.

(publicado no Diário Catarinense de 28 de fevereiro)

Bookmark and Share

Comentários

comments

Envie seu Comentário