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Os caminhos que podem levar os rivais históricos PMDB e PP ao mesmo palanque

23 de março de 2014 0

Reportagem da edição deste domingo do Diário Catarinense

Herdeiros diretos dos partidos criados durante o regime militar, PMDB e PP continuam mantendo a maior rivalidade política de Santa Catarina. Nas oito eleições para o governo do Estado desde 1982, peemedebistas e pepistas estiveram em lados opostos – em confrontos disputados voto a voto em boa parte delas.

Reunidos na base do governador Raimundo Colombo (PSD), os partidos vivem em 2014 a possibilidade real de habitar pela primeira vez o mesmo palanque no Estado. O PP encaminhou em dezembro do ano passado a intenção de apoiar a reeleição do pessedista, estabelecendo como requisito a vaga de senador na chapa.

No PMDB, a permanência na coligação que elegeu Colombo há quatro anos ou o lançamento de candidatura própria é o tema de uma pré-convenção marcada para 26 de abril. Em todas as conversas dos peemedebistas, um desconforto surge de pronto: a aliança com o rival histórico.

Defensor da manutenção do apoio a Colombo, o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) tocou no assunto logo no primeiro evento que promoveu em defesa da aliança, dia 8 de março, em Sombrio, no Sul do Estado.

– Temos um partido dividido, por causa disso abrimos espaço para o PP negociar um apoio ao Colombo. Não podemos ressuscitar aqueles que derrotamos quatro vezes – afirmou o senador para uma plateia de militantes peemedebistas.

A ressurreição que Luiz Henrique afirmou querer evitar foi interpretada de duas formas: a do PP como um todo, derrotado pelo PMDB nas eleições de 1986, 1994, 2002 e 2006; e uma referência velada ao rival Esperidião Amin (PP), ex-governador e hoje deputado federal.

.: Resistências nos dois lados

LHS venceu Amin em duas disputas pelo governo estadual e comandou a articulação que levou a vitória de Colombo contra Angela Amin (PP) em 2010 – a quarta derrota dos Amin seria a de 1994, quando Angela foi derrotada por Paulo Afonso.

– O Luiz Henrique não estava dizendo que não queria o PP na chapa, mas que não queria abrir espaço para que eles voltassem – afirma um aliado.

Inicialmente refratário à aliança com Colombo, Amin tem medido as palavras, mas não perde a chance de provocar o rival ao analisar a situação do PMDB na pré-convenção e a possibilidade de uma coligação com os pepistas.

– Se eles concordarem com a aliança, será nos termos do governador, não vão poder reclamar. Os manda-chuvas do PMDB, como o Luiz Henrique, que não admitiam que o PP tivesse vez, também estarão sendo derrotados – afirma.

Defensor da ampla aliança, o deputado estadual Joares Ponticelli (PP) tem feito gestos ao PMDB desde a eleição municipal de 2012, quando patrocinou o apoio dos pepistas à candidatura derrotada de Edinho Bez (PMDB) à prefeitura de Tubarão, sua base eleitoral. No ano seguinte, foi eleito presidente da Assembleia em acordo de divisão de mandato com o peemedebista Romildo Titon.

– Temos um histórico de lutas em lados opostos, mas, no centro dessa composição, está o governador Colombo, que tem boas relações com os dois partidos e pode ser esse elo – acredita Ponticelli.

O vice-governador e presidente estadual do PMDB, Eduardo Pinho Moreira, é menos otimista na avaliação. Ele acredita que a consolidação da aliança pode rachar internamente os partidos.

– Inteiro ninguém vai entrar. Tem de ser bem decidido, porque acaba prejudicando o entendimento. Vai ser ruim – avalia.

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.: Diferentes alas de PMDB e PP trabalham com outras possibilidades de coligação, que não envolvem Colombo

Internamente, grupos importantes de peemedebistas e pepistas trabalham por projetos alternativos à aliança com o governador Raimundo Colombo (PSD).

Na pré-convenção do PMDB a discussão é mais nítida: a ala de oposição partidária liderada pelo deputado federal Mauro Mariani e pelo ex-prefeito de Florianópolis Dário Berger lidera a campanha pela candidatura própria do partido contra o atual governador.

Ambos defendem aproximação com o PT e partidos da base aliada ao governo federal para criar um novo palanque. O candidato seria aquele que apresentasse maior viabilidade eleitoral no período das convenções partidárias, em julho. Mariani evita críticas diretas ao PP, mas ironiza o discurso de Luiz Henrique em Sombrio.

– Se o apoio deles ao Colombo está encaminhado e o PMDB decidir continuar na aliança, é claro que o PP estará junto. Não podemos fazer um discurso dizendo uma coisa e na prática encaminhar outra – afirma.

No PP, o deputado federal e presidente em exercício João Pizzolatti também defende a aglutinação em Santa Catarina dos partidos que apoiam o governo de Dilma Rousseff (PT) em Brasília. Nesse contexto, não descarta o próprio PMDB.

– Quando eu entrei para a base do governo Lula, quase apanhei em alguns municípios. Foi uma quebra de paradigma. Mas os paradigmas existem para serem quebrados pela história.

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