Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Longe do Planalto e das eleições, Ideli mira TCU

29 de março de 2014 0

Reportagem publicada na edição de sábado do DC.

A partir de terça-feira Santa Catarina deixa de contar com um espaço privilegiado junto à presidente Dilma Rousseff (PT). A ministra Ideli Salvatti (PT) não vai mais despachar no gabinete do quarto andar do Palácio do Planalto, de onde comanda desde junho de 2010 a Secretaria das Relações Institucionais (SRI).

O governo federal confirmou ontem a troca que era especulada durante toda a semana: o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) assume a vaga e Ideli vai para a Secretaria de Direitos Humanos, substituindo Maria do Rosário (PT-RS), que vai concorrer nas eleições de outubro. A petista catarinense não resistiu ao desgaste das sucessivas batalhas com a base aliada no Congresso, embora comemore deixar o cargo sem contabilizar derrotas em projetos de maior interesse do governo e como recordista em permanência desde que a pasta foi criada em 2005.

— Estou voltando para o começo de tudo, quando ajudei fundei e presidi o Centro de Direitos Humanos de Joinville no final dos anos 1970. Vou cuidar de uma área com a qual tenho afinidade e história — afirma a ministra.

Mesmo na periferia do poder, Ideli promete continuar intermediando questões de Santa Catarina junto ao governo federal e à presidente Dilma.

— Nunca deixei de atender e, estando ao meu alcance, encaminhar. Fiz isso como ministra da Pesca, fiz na SRI e vou fazer como ministra dos Direitos Humanos. No que a gente puder vai ajudar, contribuir, apontar caminhos — afirma.

Desde o início do mandato de Dilma, Santa Catarina teve presença na articulação política. Na curta passagem de Luiz Sérgio (PT-RJ) pela pasta, entre janeiro e junho de 2010, o secretário-executivo _ segundo cargo mais importante na hierarquia _ era o catarinense Claudio Vignatti, hoje presidente do PT-SC. Demitido por Ideli, o petista acredita que ela manterá a força política mesmo longe do gabinete de Dilma.

— Santa Catarina é privilegiada porque tem duas posições no ministério. As articulações que Ideli fez com todos os ministérios nesse período em que comandou as Relações Institucionais vão fazer com que ela continue a ter peso onde estiver — afirma Vignatti, citando a posição de Manoel Dias (PDT) como ministro do Trabalho.

Nas Relações Institucionais, Ideli também participou do processo de aproximação entre Dilma e o governador Raimundo Colombo (PSD) — que se elegeu como opositor da presidente petista e hoje é apoiador de sua reeleição. Nos bastidores, a avaliação é de que a saída de Ideli não interfere no relacionamento entre a presidente e o governador.

— A Ideli não fazia a intermediação entre Dilma e Colombo, porque a relação deles era direta. Até atrapalhava, porque tentava ser esse degrau — afirma um aliado de Colombo.

.: Decisão tira Ideli da cena eleitoral e pode levá-la ao TCU

Ao aceitar a troca proposta pela presidente Dilma Rousseff e assumir a pasta dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti também se colocou fora das eleições deste ano. Ex-senadora e terceira colocada na disputa de 2010 pelo governo estadual, a petista preferiu continuar em Brasília a enfrentar a disputa por um novo mandato.

Em 22 de março, Ideli havia sido indicada pelo PT estadual como pré-candidata ao Senado, junto com o deputado federal Décio Lima e o estadual Jailson Lima. A decisão de não concorrer leva em conta dificuldades que teria para enfrentar uma provável coligação formada por partidos que hoje estão na base aliada do governo federal.

— Da forma como as coisas estão se encaminhando, o PT vai ter candidatura ao governo batendo de frente com Colombo, PMDB e PP. Como ela poderia fazer um discurso desses depois de fazer a articulação da presidente com esses partidos? — questiona um aliado da ministra.

Além da dificuldade de encaixar um discurso, o Ideli temia a própria disputa contra uma máquina formada pelos três maiores partidos de Santa Catarina — mesmo que o candidato petista ao Senado possa herdar parte dos votos de peemedebistas desconfortáveis com uma possível aliança com o rival histórico PP.

A posição poderia ser outra se fossem duas vagas em jogo. A opção de buscar uma vaga na Câmara dos Deputados foi descartada para evitar atrito com as candidaturas à reeleição de Luci Choinaki e Décio Lima, além da provável presença do ex-prefeito joinvilense Carlito Merss no páreo.

Fora do jogo eleitoral, a ministra mantém-se candidata às vagas no Tribunal de Contas da União (TCU) que devem abrir até o final do ano com a aposentadoria de atuais conselheiros. A possibilidade vem sendo admitida por Ideli em conversas reservadas.

Bookmark and Share

Comentários

comments

Envie seu Comentário