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A hora do desprendimento

24 de abril de 2014 0

Em 2001, às vésperas da votação do financiamento de US$ 406 milhões do BID 4 na Assembleia Legislativa, o então líder do governo Joares Ponticelli estava apreensivo. Faltava um voto para garantir a aprovação da proposta e o governador Esperidião Amin havia sido curto e grosso ao telefone: “Você é o líder, o problema é seu”.

Ponticelli conversou com o chefe da Casa Civil, Celestino Secco, que lhe perguntou se algum oposicionista poderia mudar o voto.

– O deputado Romildo Titon. O pedido dele é público: ele quer a inclusão de uma rodovia da região no pacote de obras.

Secco incluiu a obra e Titon garantiu o apoio. No dia da votação, lideranças peemedebistas como o então prefeito de Joinville Luiz Henrique da Silveira estavam nas galerias, pressionando o deputado para que não votasse no projeto que poderia turbinar o mandato de Amin e garantir sua reeleição no ano seguinte. O maior beneficiado, ironicamente, acabou sendo Luiz Henrique, que executou como governador a maior parte das obras previstas naquele pacote.

Histórias como essa ajudaram a construir na Assembleia e na política catarinense a imagem de Romildo Titon como um homem de palavra. Firme em suas posições, coerente, um parlamentar com base forte – praticamente um deputado distrital –, ele ganhou ainda mais respeito na condução da Comissão de Constituição e Justiça. Foi o primeiro deputado sem formação em Direito a ocupar a função e soube fazê-lo de uma forma que equilibrou os interesses da maioria sem esmagar as oposições.

São esses os antecedentes que fizeram a Assembleia ter tanta dificuldade de reagir diante de seu afastamento da presidência por liminar do Tribunal de Justiça. Se fosse outro parlamentar, já teria sido deixado na estrada por seus colegas. Os deputados acreditaram e quiseram acreditar que Titon reverteria a situação e que não viveriam o atual impasse – 56 dias depois da saída forçada do presidente do cargo.

Se por baixo do manto de respeito que Titon adquiriu no convívio com seus pares, com seus eleitores, com a sociedade, com a imprensa, existia um integrante de quadrilha especializada em fraudar licitações, caberá ao Ministério Público de Santa Catarina provar e ao Judiciário confirmar. Mas o tempo da política é diferente do tempo da Justiça. Em uma casa de representação popular, qualquer mácula que paire sobre os representantes leva à fragilidade de todo o poder Legislativo. Por ser presidente, Titon carrega a Assembleia consigo aos tribunais. É preciso que tenha o desprendimento de ir sozinho.

Aviso prévio
Lideranças do PSD procuraram peemedebistas para deixar claro que o partido não vai abrir mão da presença do PP na chapa de reeleição do governador Raimundo Colombo (PSD). A ideia é evitar cobranças após a pré-convenção do PMDB, caso saia vitoriosa a manutenção da aliança. Um evento reunindo pessedistas e pepistas chegou a ser cogitado para hoje para deixar ainda mais clara a mensagem.

A indignação de Décio Lima
O deputado federal Décio Lima (PT) ficou indignado com o discurso do presidenciável Eduardo Campos (PSB) a empresários em SC, na terça-feira, em especial com a crítica do pernambucano às “velhas forças” fisiológicas do Congresso.
– Ele não tem moral porque representa o velho, a política do coronelismo nordestino. Ele se alia a oligarquias em diversos lugares do país, inclusive aqui. Participou de um processo de barganha nepotista para colocar a própria mãe no Tribunal de Contas da União, em que até eu recebi ligação dele pedindo voto, diretamente de Pernambuco.

Acordo à vista
Durou cerca de três horas a conversa entre Joares Ponticelli e João Pizzolatti, na noite de terça-feira, sobre a volta do primeiro à presidência do PP catarinense. Ficaram de conversar melhor na próxima semana, mas Pizzolatti acenou com a possibilidade de apoiar a candidatura de Ponticelli ao Senado se continuar à frente da sigla.

Para depois
Também ficou para a semana que vem a conversa de Joares Ponticelli com Romildo Titon sobre a renúncia do peemedebista à presidência da Assembleia Legislativa.

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CPI pela metade
Ficou definida ontem a composição da CPI que vai investigar a compra da nova sede do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). Com a recusa de PSD, PP e PSDB em participar, serão duas vagas para o PMDB, uma para o PT e uma para os pequenos partidos. A quinta vaga será definida entre petistas e peemedebistas. Amauri Soares (PSOL) é o único confirmado. Os demais saem até terça-feira.

Vai começar a andar
Levou quatro anos para a Justiça estadual conseguir intimar todos os 12 citados na ação popular que questiona o acordo de acionistas da SCGás, ocorrido em 1994. A ação foi proposta em 2010 pelo deputado estadual Dirceu Dresch e inclui ex-gestores e representantes dos acionistas. Dresch alega que o acordo fez com que a participação do governo estadual no conselho de administração da empresa caísse de 34% para 17%.

Política para curtir
Perfis de todos os deputados que assumiram vagas na Assembleia nesta legislatura estão disponíveis no Facebook, na página Política Interativa, idealizada por Monique Margô Serafim. O endereço é www.facebook.com/politicainterativa.

(24 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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