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O PMDB 1.491 dias depois

26 de abril de 2014 1

Há quatro anos e um mês, a maior convenção já realizada pelo PMDB de Santa Catarina decidia que o ex-governador Eduardo Pinho Moreira seria o candidato do partido ao governo do Estado. Ele vencera o então prefeito de Florianópolis Dário Berger por 334 votos a 235, em uma disputa que alcançou a participação de 96,4% dos delegados peemedebistas.

Hoje o PMDB volta a suas urnas. Não para escolher um nome, mas um caminho. A prévia de quatro anos atrás era cercada pelas dúvidas de que a simples vontade do partido de estar na disputa seria suficiente para realmente ter candidato a governador. Nos bastidores, dizia-se que votar em Pinho Moreira era escolher ser vice na chapa de Raimundo Colombo, na época filiado ao DEM.

A verdade – ou o mais próximo dela que os analistas conseguiram chegar – é que durante três meses Pinho Moreira tentou viabilizar uma aliança que não deixasse o PMDB isolado. Falou com PT, PSDB e DEM com a procuração dada pela prévia peemedebista. Na perspectiva de uma candidatura kamikaze, saiu do jogo e entrou na chapa.

Recuperar essa história no dia em que os delegados voltam às urnas para decidir se continuam ou não na aliança com Colombo é uma forma de mostrar que qualquer decisão tomada na tarde de hoje no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa, é um primeiro passo e não a definição das eleições – como quer fazer crer quem superestima os poderes mágicos de uma sigla partidária.

Hoje o cenário é diferente do de quatro anos. Do outro lado da cerca, o PT espera de braços abertos os dissidentes. Em Recife, certo presidenciável vai receber um telefonema com o resultado da votação e vai analisar com cuidado o novo quadro. O que o PMDB decidir, precisará ser homologado na convenção em julho. Qualquer que seja o resultado, muita coisa pode e deve mudar até lá. Até mesmo para continuar tudo como está.

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A fatura
Se vencer a pré-convenção e, mesmo assim, não conseguir impor a Raimundo Colombo que o PP seja excluído da chapa majoritária, o senador Luiz Henrique deve vetar o nome de Joares Ponticelli ao Senado. É o mesmo que vetar o PP, porque Colombo não tem plano B.

Justificativa
O veto a Ponticelli seria justificado pelas ações judiciais movidas pela bancada do PP quando liderada por ele contra o governo LHS.

Com a palavra, o governador
Diante do fogo cruzado, o governador Raimundo Colombo foi obrigado a se manifestar sobre a aliança. Em uma nota com mais entrelinhas do que linhas, disse apenas que após a pré-convenção, ele assume “a responsabilidade de coordenar todos os partidos aliados e construir o processo eleitoral de 2014”. Não disse quais aliados.

Cronômetro
Existe convicção no Centro Administrativo de que dá para reeleger Raimundo Colombo sem o PMDB. O tempo de televisão do PP, do PR, do PSC e do PV – este confirmado na quinta-feira – amenizaria a saída dos peemedebistas.

Deus me livre
Na manhã de ontem o papa Francisco deixou a Igreja de Santo Inácio de Loyola sem realizar a cerimônia do beija-mão, após celebrar a missa pela canonização do Padre Anchieta. Ele teria se assustado com o assédio de políticos brasileiros presentes, entre eles o catarinense Esperidião Amin (PP). Talvez o Papa tenha ficado com medo de que lhe perguntassem sobre as alianças em Santa Catarina.

Palhoçólogo
O ministro Henrique Neves será o relator no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do recurso do prefeito de Palhoça, Camilo Martins (PSD), cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC). Curiosamente, foi ele o relator da cassação do prefeito eleito Ivon de Souza (ex-PSDB, hoje PR), que possibilitou a posse de Martins. Naquela vez, levou quatro meses para levar o caso a julgamento.

Sinte em campo
O Sinte encaminhou nota à coluna para reafirmar a intenção de realizar a campanha Basta Colombo, “com a intenção de que o mesmo não tenha a chance de se reeleger, visto que é obrigação desta entidade lutar contra o descaso do Estado com os trabalhadores da educação e com as escolas”. No texto, a entidade garante ter legitimidade para influenciar as eleições.

(26 de abril, Diário Catarinense, interino na coluna Moacir Pereira)

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Comentários

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Comentários (1)

  • Domingos Miranda diz: 27 de abril de 2014

    Nota da bancada estadual do PSD
    A bancada do PSD na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em nome da democracia e, sobretudo, das relações institucionais respeitosas que sempre manteve com os demais partidos políticos catarinenses, manifesta seu desagravo ao teor e a forma de manifestação do Senhor Vice-governador Eduardo Pinho Moreira, e do Senhor Senador Luiz Henrique da Silveira, sobre as posições tornadas públicas pelo presidente estadual do PSD, deputado estadual Gelson Merísio.
    No PSD, como de regra na maioria das agremiações partidárias, a palavra do presidente carrega muito da opinião dos seus liderados e, mesmo se permitindo a discordância das idéias, deve ser respeitada. Nas declarações do presidente Gelson Merísio está sua opinião, formada com base nos debates da bancada, na manifestação de seus filiados e no entendimento da conjuntura política estadual.
    Mas revelam, principalmente, o desejo unânime do PSD catarinense de trilhar os caminhos para reconduzir Raimundo Colombo, que de fato é nosso principal líder, ao Governo do Estado. E na construção deste projeto, novos cenários e novos parceiros não devem ser rejeitados.
    O PP, parceiro de primeira hora do atual governo, enrolou as bandeiras partidárias do pós-eleição e aceitou ser parceiro de um plano de governo inovador e que manteve Santa Catarina na vanguarda das conquistas sociais e do crescimento econômico. E provou sua disposição em manter-se na linha de frente desta batalha.
    Em todos os recentes momentos de discussão sobre a formação da aliança, nosso argumento foi político, jamais pessoal. Inclusive as recentes palavras do presidente Gelson Merísio.
    Não nos é permitido, assim, aceitar de nossos atuais parceiros a desqualificação do nosso presidente. Do presidente do partido que possui em suas fileiras o Governador do Estado. A apresentação de opiniões é legítima. O ataque pessoal para tentar diminuir um líder depõe contra o processo de construção de um projeto vitorioso.

    Assessoria de imprensa do deputado Darci de Matos
    Domingos Miranda (47) 9924-2499

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