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Capítulo TRÊS - Esperidião Amin

25 de maio de 2014 1

aminEsperidião Amin (PP) já foi tudo e hoje é deputado federal.

Claro que tudo é exagero: Amin foi prefeito de Florianópolis na época em que o cargo era nomeado em vez de eleito; deputado federal mais votado do Estado pela Arena, o partido que apoiava o regime militar; secretário de Transportes no último governo eleito indiretamente; o primeiro governador eleito na retomada democrática, em 1982; o primeiro eleito em primeiro turno, em 1998. Também conquistou nas urnas a prefeitura da Capital, em 1988, para uma breve passagem. Foi senador entre 1991 e 1998. Tentou ser presidente da República em 1994, em um episódio que ainda contaremos aqui com mais detalhes.

Pois então, Esperidião Amin foi quase tudo na política catarinense. Hoje é deputado federal, o segundo mais votado no Estado na eleição de 2010.

A carreira meteórica que o levou ao governo do Estado com 34 anos era focada no carisma pessoal e na fama de trabalhador incansável – destacada em ações de marketing. A pedra no sapato de Amin ficou evidente em seus primeiros meses como governador: a dificuldade de articular politicamente.

Mal havia vencido e já tinha problemas com o principal fiador de sua vitória: o senador Jorge Bornhausen. Em Brasília, Doutor Jorge logo passou a ocupar lugar de destaque nas articulações políticas daqueles últimos anos de regime militar. Integrava o grupo embrião do futuro PFL, que resistia à candidatura presidencial de Paulo Maluf e articulou o apoio a Tancredo Neves (PMDB) na eleição indireta de 1985.

Amin tentou outro caminho. Declarou apoio à realização de eleições diretas, chegando até a participar de comício com nomes do PMDB e da esquerda política – Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva. Deixou a campanha quando PDS fechou questão contra.

A fidelidade e a saída de Bornhausen fizeram de Amin a principal liderança do PDS no Estado. Tinha em Vilson Kleinübing, secretário de Agricultura, o nome ideal para ser seu sucessor, numa época em que não havia reeleição. Político da cidade de Videira, Kleinübing fora o segundo deputado federal mais votado em 1982 e trilhava o mesmo caminho da renovação política à direita que levou Amin ao governo.

Mas havia faturas a serem pagas. Henrique Córdova, por exemplo, aquele que assumiu o governo durante a campanha eleitoral de 1982 prometendo não se comportar, queria ser o sucessor e se achava merecedor. Amin não conseguiu mediar os conflitos e perdeu Kleinübing para o PFL de Bornhausen. Córdova acabou desistindo, mas não havia mais tempo: o PDS foi para as urnas com o empresário Amílcar Gazaniga.

Divididos, PDS e PFL viram Pedro Ivo (PMDB) se eleger governador com facilidade. A mesma facilidade que Amin teria, dois anos depois, para se eleger prefeito de Florianópolis. O ano era 1988 e os resultados traziam para o jogo político um novo personagem com o mesmo sobrenome: Angela Amin, vereadora mais votada com 7.771 votos.

Florianópolis era a base de onde os Amin esperavam controlar o Estado e, quiçá, o país.

A série oBásico tem 14 capítulos, publicados aos domingos e quarta-feiras.
Próximo capítulo (28/05): Casildo Maldaner.
Leia os textos anteriores.

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Comentários

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Comentários (1)

  • Curió diz: 25 de maio de 2014

    Num futuro trabalho como este muito bem feito sugiro ao Upiara tentar desvendar os grupos de acionistas majoritários das estatais, economia mista, de todo o estado… Quais os políticos estão por detrás dos setores econômicos. O povo não sabe por exemplo que o Geraldo Alkmim é grande acionista do setor elétrico, que o Konder Reis sempre preferiu ações do Banco do Brasil. E assim por diante. Grato.

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